“Esse congresso não presta. Esse congresso é um instrumento antibrasil”

Ex-governador da Paraíba critica o lawfare, defende soberania digital, reforma das instituições e afirma que a democracia brasileira precisa ampliar participação popular para sobreviver

Em entrevista ao programa Trilhas da Soberania, realizado pelo Código Aberto em parceria com a Rede Lawfare Nunca Mais e retransmitido pela TV Atitude Popular, o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho fez uma ampla análise sobre democracia, soberania nacional, guerra híbrida, lawfare e os desafios políticos enfrentados pelo Brasil nas últimas décadas.

Ao longo da conversa, conduzida por Ludmila Cindra, Paulo Ricardo Paes e Luís Delcides, Coutinho relacionou sua experiência pessoal como alvo da Operação Calvário a um fenômeno mais amplo que, segundo ele, atingiu lideranças políticas, instituições públicas e setores estratégicos do país. O ex-governador afirmou que a democracia brasileira atravessa uma crise profunda e defendeu reformas capazes de ampliar a participação popular e fortalecer a soberania nacional.

Democracia sob ataque

Para Ricardo Coutinho, o Brasil viveu nos últimos anos um processo de corrosão institucional impulsionado pela combinação entre setores do Judiciário, do Ministério Público e da mídia corporativa.

Segundo ele, a guerra híbrida aplicada em diversos países da América Latina teve impactos diretos na política brasileira e abriu espaço para o crescimento da extrema direita.

“O único fato que aconteceu durante esse período foi o lawfare.”

O ex-governador argumentou que a fragilidade da democracia brasileira está ligada à sua limitada capacidade de produzir participação popular efetiva.

“A democracia que nós temos aqui no Ocidente não atende aos princípios mais elementares de ascensão e de direitos sociais das massas populares.”

Na avaliação de Coutinho, a democracia não pode se restringir ao voto periódico.

“Ela tem que ter repercussão na educação, na renda, na saúde, na informação e na comunicação.”

Operação Calvário e a denúncia de perseguição política

Grande parte da entrevista foi dedicada à Operação Calvário, investigação que atingiu o ex-governador e integrantes de sua gestão.

Ricardo Coutinho voltou a afirmar que foi vítima de uma operação política construída sem provas materiais.

Segundo ele, não houve demonstração de enriquecimento ilícito, apreensão de recursos financeiros ou comprovação de superfaturamento.

“Não existiu dinheiro. Não tinha nada.”

O ex-governador lembrou que enfrentou anos de desgaste público e midiático enquanto tentava demonstrar sua inocência.

“Foram seis anos eu falando a mesma coisa.”

Ele também destacou decisões posteriores do Supremo Tribunal Federal que questionaram os fundamentos utilizados em sua perseguição judicial.

Para Coutinho, o problema ultrapassa sua trajetória pessoal.

“Não é vingança. É defesa da própria justiça e da democracia.”

A necessidade de um encontro de contas

Um dos pontos centrais de sua argumentação foi a defesa de uma revisão institucional dos abusos cometidos durante o período da Lava Jato e de operações semelhantes.

Segundo ele, o país ainda não realizou um verdadeiro acerto de contas com os responsáveis por práticas que comprometeram a credibilidade do sistema de Justiça.

“É preciso haver esse encontro de contas.”

Ricardo Coutinho defendeu a criação de mecanismos mais rigorosos de responsabilização para agentes públicos que atuem sem provas ou utilizem instituições para perseguições políticas.

“Ninguém pode acusar sem ter nenhuma prova e ao mesmo tempo não ter nenhuma punição.”

Soberania digital e regulação das plataformas

Ao discutir os desafios contemporâneos da democracia, Coutinho dedicou atenção especial ao papel das plataformas digitais e das grandes empresas de tecnologia.

Para ele, a regulação democrática das redes sociais é hoje uma questão estratégica para qualquer país que pretenda preservar sua autonomia política.

“Sem isso nenhuma nação vai conseguir sustentar qualquer projeto de democracia.”

O ex-governador argumentou que a coleta massiva de dados por empresas estrangeiras representa uma ameaça à soberania nacional.

“É preciso criar uma soberania digital.”

Na sua visão, o Brasil precisa desenvolver mecanismos próprios de proteção de dados, infraestrutura tecnológica e governança da informação.

Críticas ao Congresso Nacional

Já na reta final da entrevista, Coutinho justificou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados em 2026.

Segundo ele, a composição atual do Congresso Nacional dificulta a construção de um projeto de desenvolvimento soberano.

“Esse congresso não presta. Esse congresso é um instrumento antibrasil.”

O ex-governador afirmou que pretende contribuir para ampliar a representação de setores comprometidos com a democracia, a soberania e os direitos sociais.

“Nós precisamos mudar esse Congresso.”

O desafio da soberania no século XXI

Ao longo da conversa, Ricardo Coutinho relacionou temas como lawfare, comunicação digital, geopolítica, participação popular e democracia a uma mesma disputa histórica: a defesa da soberania nacional.

Segundo ele, o Brasil precisa enfrentar simultaneamente os desafios da desigualdade social, da influência estrangeira sobre suas instituições e da concentração de poder nas plataformas digitais.

“Falar em soberania digital é falar em democracia.”

Para o ex-governador, a defesa da democracia exige não apenas eleições livres, mas também instituições capazes de resistir a interferências externas, ampliar direitos e garantir que a população participe efetivamente das decisões nacionais.


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