Da Redação
Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará identificou que o consumo de cuscuz por mães durante o período de amamentação pode influenciar positivamente o ganho de peso dos bebês.
O estudo foi realizado por pesquisadores da área de nutrição e saúde materno-infantil e analisou a relação entre alimentação das lactantes e desenvolvimento nutricional das crianças nos primeiros meses de vida.
Segundo os pesquisadores, o cuscuz, alimento tradicional fortemente presente na cultura alimentar nordestina, demonstrou potencial impacto sobre a composição nutricional do leite materno e sobre indicadores ligados ao crescimento infantil.
A pesquisa chama atenção também por valorizar hábitos alimentares regionais frequentemente ignorados por parte da produção científica concentrada no eixo Sul-Sudeste ou baseada em referências alimentares estrangeiras.
Produzido principalmente a partir do milho, o cuscuz é fonte importante de carboidratos, vitaminas e minerais, além de ocupar papel histórico na alimentação popular nordestina.
Especialistas envolvidos no estudo destacam que práticas alimentares tradicionais podem ter relevância significativa para políticas públicas de segurança alimentar e nutrição infantil, especialmente em regiões marcadas por desigualdade social.
A investigação da UFC ocorre em um momento de retomada do debate nacional sobre combate à fome, valorização da alimentação regional e fortalecimento de políticas de saúde pública voltadas à primeira infância.
Pesquisadores também defendem ampliação dos investimentos em estudos sobre alimentos tradicionais brasileiros, argumentando que grande parte da ciência nutricional ainda privilegia padrões alimentares importados e produtos ultraprocessados.
Além do impacto nutricional, o estudo reforça o valor cultural do cuscuz dentro da identidade alimentar nordestina. Presente no cotidiano de milhões de famílias, o alimento atravessa diferentes classes sociais e permanece como símbolo da culinária popular da região.
A pesquisa da UFC se soma a outras iniciativas acadêmicas que buscam aproximar ciência, cultura alimentar e soberania nutricional, especialmente em contextos regionais historicamente invisibilizados pela produção científica dominante.



