“Nós somos o time do presidente Lula”, diz Mariana Lacerda ao defender renovação do Congresso

Vereadora do PT afirma que crescimento de Lula nas pesquisas abre espaço para disputa parlamentar e critica aliança entre bolsonarismo, precarização do trabalho e interesses financeiros

Durante entrevista ao programa Democracia no Ar, da TV Atitude Popular, a vereadora de Fortaleza Mariana Lacerda defendeu que a melhora do Presidente Lula nas pesquisas eleitorais precisa ser acompanhada de uma forte mobilização para mudar a composição do Congresso Nacional. A edição foi apresentada por Sara Goes e debateu os impactos da crise do bolsonarismo, o desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro e os conflitos em torno da pauta do fim da escala 6×1.

Segundo Mariana, a recuperação eleitoral de Lula não pode ser vista de forma isolada do cenário legislativo. Para ela, a disputa presidencial está diretamente conectada à necessidade de eleger parlamentares alinhados aos interesses populares.

“Não adianta a gente botar o presidente Lula com esse Congresso horroroso que tá aí”, afirmou a vereadora ao comentar propostas apoiadas por setores da extrema direita que ampliariam jornadas de trabalho e reduziriam direitos trabalhistas.

Ao longo da conversa, Mariana destacou que parte da direita recuou publicamente após a reação popular contra propostas relacionadas à flexibilização da jornada de trabalho. Para ela, o episódio demonstrou que pressão social organizada continua sendo capaz de produzir efeitos concretos na política institucional.

Escala 6×1 entra no centro da disputa política

Um dos principais temas da entrevista foi a repercussão da proposta ligada à ampliação da jornada de trabalho e ao enfraquecimento de direitos trabalhistas. Mariana Lacerda afirmou que o debate revelou com clareza os projetos em disputa no país.

“Você quer que o trabalhador trabalhe mais ou não? Não tem como tergiversar”, declarou.

A vereadora também defendeu que parlamentares que apoiaram medidas contra os trabalhadores sejam expostos politicamente, mas ponderou que a campanha precisa apresentar contrapontos claros e não apenas ataques.

“Quem votou com os trabalhadores, quem votou contra os trabalhadores”, resumiu, ao defender campanhas pedagógicas voltadas para a população.

O debate sobre a escala 6×1 apareceu como símbolo de um conflito mais amplo envolvendo qualidade de vida, direitos sociais e reorganização do trabalho no Brasil. A pauta, segundo Mariana, ajuda a explicitar diferenças entre o projeto defendido pelo campo progressista e o modelo associado ao bolsonarismo e ao ultraliberalismo argentino de Javier Milei.

Crise no bolsonarismo e desgaste de Flávio Bolsonaro

Outro eixo da entrevista foi a crise política envolvendo Flávio Bolsonaro e denúncias relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Mariana afirmou que o desgaste da extrema direita não decorre apenas das denúncias em si, mas da dificuldade de sustentar versões contraditórias diante do escrutínio público.

“Como é que você tem um candidato à presidência que conta três versões de um mesmo fato?”, questionou.

A vereadora classificou o bolsonarismo como “uma quadrilha lutando pelo poder” e afirmou que a extrema direita instrumentaliza religião e valores morais como forma de legitimar interesses privados. Segundo ela, há uma tentativa permanente de utilizar o discurso religioso como blindagem política.

Ela também comentou o silêncio de parlamentares bolsonaristas diante das denúncias e disse que muitos integrantes da extrema direita têm evitado aparições públicas em espaços legislativos.

“A pressão funciona”, afirma vereadora

Mariana Lacerda avaliou que o cenário atual mostra a importância da mobilização popular constante sobre o Parlamento. Para ela, os recuos de parlamentares em pautas impopulares demonstram que a sociedade ainda consegue influenciar diretamente votações e posicionamentos.

“A pressão funciona, o povo em movimento funciona, o povo acompanhando a política funciona”, afirmou.

A vereadora também apontou que o governo Lula ainda enfrenta dificuldades de comunicação para traduzir parte das ações econômicas e sociais em percepção concreta da população, embora considere o atual mandato o melhor da trajetória do presidente.

Campanha por soberania nacional e Congresso comprometido com o povo

Durante o programa, também foi apresentada a proposta da campanha nacional Brasil Soberano, Congresso Amigo do Povo, articulada por movimentos sociais, comunicadores populares e intelectuais cearenses. A iniciativa busca influenciar o debate eleitoral deste ano a partir de temas como soberania nacional, valorização do trabalho, democratização da comunicação e renovação do Congresso.

O manifesto da campanha está sendo redigido por um grupo de intelectuais do Ceará e pretende dialogar diretamente com pautas como o fim da escala 6×1, defesa dos direitos sociais e enfrentamento ao poder político de setores econômicos ligados à extrema direita.

Os apoiadores interessados em conhecer e assinar o manifesto podem acessar: Campanha Brasil Soberano https://campanhabrasilsoberano.com.br/

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