Atitude Popular

EUA e Israel continuam atacando Irã e ampliam guerra

Da Redação

Bombardeios a infraestrutura energética, assassinatos de lideranças e ataques coordenados expõem ofensiva ilegal dos EUA e Israel contra o Irã, enquanto Teerã reage em defesa de sua soberania e autodeterminação.

O que está em curso neste momento no Oriente Médio não é uma “operação de segurança”, como tentam enquadrar Washington e Tel Aviv. Trata-se de uma ofensiva militar direta, coordenada e sistemática contra um Estado soberano, a República Islâmica do Irã. Desde o final de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de ataques que combina bombardeios aéreos, assassinatos seletivos de lideranças e destruição de infraestrutura crítica, configurando uma escalada que rompe abertamente com os princípios do direito internacional e da autodeterminação dos povos.

A ofensiva começou com ataques simultâneos a alvos em território iraniano, incluindo instalações militares e centros estratégicos em Teerã e outras cidades, em uma operação coordenada entre forças israelenses e norte-americanas.
Desde então, o conflito evoluiu para uma guerra aberta, com bombardeios contínuos e uma ampliação progressiva dos alvos.

Nos últimos dias, essa escalada atingiu um novo patamar. Israel, com respaldo direto dos Estados Unidos, realizou ataques contra o campo de gás South Pars, a maior reserva de gás natural do mundo e peça central da economia iraniana. A ofensiva atingiu refinarias, dutos e instalações energéticas, interrompendo parte da produção e provocando incêndios em larga escala.

Esse tipo de ação não é apenas militar. É uma forma explícita de guerra econômica. Ao atacar infraestrutura energética essencial para o funcionamento interno do país, Washington e Tel Aviv tentam estrangular a capacidade produtiva do Irã, afetar sua população civil e desestabilizar sua economia. O próprio governo iraniano classificou o ataque como uma tentativa de “guerra total” contra o país.

A ofensiva não se limita à economia. Ela também inclui a eliminação direta de lideranças políticas e militares. Em apenas 24 horas, três altos dirigentes iranianos foram mortos em ataques israelenses, incluindo o ministro da Inteligência, em uma clara estratégia de decapitação do Estado iraniano.

Esse padrão de assassinatos seletivos, somado aos bombardeios em larga escala, configura uma prática reiterada de violação da soberania nacional e do direito internacional. Não há autorização do Conselho de Segurança da ONU, não há declaração formal de guerra com base em autodefesa comprovada e não há evidência pública de ameaça iminente que justifique tais ações. Trata-se, portanto, de uma agressão unilateral.

A gravidade da ofensiva se aprofunda quando se observa que alvos civis e infraestrutura essencial também foram atingidos. Em um episódio emblemático, uma instalação de dessalinização responsável pelo abastecimento de água para dezenas de vilarejos foi bombardeada, comprometendo o acesso à água potável para populações inteiras.

Esse tipo de ataque ultrapassa qualquer lógica militar defensiva e entra no campo da punição coletiva, algo expressamente proibido pelo direito internacional humanitário.

Diante dessa ofensiva, o Irã respondeu como qualquer Estado soberano que sofre agressão externa: com contra-ataques. Teerã lançou mísseis e drones contra alvos militares e estratégicos ligados aos Estados Unidos e a Israel na região, incluindo bases militares no Golfo e instalações associadas à presença americana.

A resposta iraniana também incluiu ataques contra Israel e advertências a países que colaboram com a ofensiva, além da ameaça de atingir infraestrutura energética de aliados dos EUA no Golfo.

Do ponto de vista jurídico e político, essa reação se insere no direito de autodefesa previsto na Carta das Nações Unidas. Um país atacado tem o direito de responder para preservar sua integridade territorial e sua soberania.

Ao mesmo tempo, a liderança iraniana deixou claro que não se trata apenas de uma resposta militar, mas de uma disputa mais ampla por soberania. O novo líder supremo do país afirmou que os ataques não ficarão sem resposta e que o Irã continuará resistindo à agressão estrangeira.

A guerra já produziu milhares de mortos, deslocamentos massivos e impactos diretos sobre civis em toda a região.
Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz e os ataques a infraestrutura energética provocaram um choque global, elevando preços do petróleo e ameaçando a estabilidade econômica mundial.

No entanto, talvez o elemento mais revelador dessa crise seja o isolamento político crescente dos Estados Unidos e de Israel. Diversos países e atores internacionais passaram a pedir o fim imediato das hostilidades, classificando as ações como ilegais e perigosas para a estabilidade global.

Esse isolamento evidencia uma mudança estrutural no sistema internacional. A capacidade de Washington de impor sua agenda militar sem contestação já não é absoluta. O que se vê é uma crescente resistência, especialmente por parte do Sul Global, à lógica de intervenções unilaterais e à imposição de guerras sob justificativas frágeis.

Sob a perspectiva do Sul Global, o que está em jogo vai muito além do Irã. Trata-se de um precedente perigoso. Se uma potência pode atacar outro país, eliminar suas lideranças, destruir sua infraestrutura e justificar tudo isso como “segurança”, então nenhum país periférico está realmente protegido.

A resposta iraniana, nesse contexto, não é apenas militar. Ela é política e simbólica. É a afirmação de que um país do Sul Global não aceitará passivamente ser alvo de uma ofensiva externa, mesmo diante da superioridade militar de seus adversários.

No limite, o conflito atual revela uma disputa mais profunda: entre um modelo de ordem internacional baseado na força e na imposição, e outro baseado na soberania, na autodeterminação e no direito dos povos de decidirem seus próprios destinos.

E é exatamente por isso que essa guerra ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio. Ela diz respeito ao futuro da ordem global.