Da Redação
Em depoimento contundente, ex-magistrada relata que foi agredida por ex-juiz da 13ª Vara de Curitiba e denuncia existência de estrutura criminosa dentro da Justiça Federal.
A ex-juíza federal Luciana Bauer realizou um dos depoimentos mais graves já feitos por uma integrante da magistratura brasileira. Em entrevista recente, ela afirmou ter sido agredida fisicamente por Sergio Moro quando ambos atuavam na Justiça Federal, e denunciou que a 13ª Vara de Curitiba e setores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região operavam como uma verdadeira “máfia institucional”.
Segundo Bauer, o episódio ocorreu durante um plantão judicial, quando ela cumpriu uma ordem de soltura que contrariava interesses internos ligados à operação Lava Jato. Após cumprir a decisão, conta que foi pressionada por servidoras da Vara para descumpri-la, sob o argumento de que a soltura “não era conveniente” para os objetivos da operação. Quando revisitou o processo, percebeu que a decisão de soltura havia sido apagada do sistema eletrônico, o que ela caracteriza como tentativa de coação e manipulação processual.
Em seguida, segundo seu relato, Moro a abordou dentro de um elevador exclusivo para magistrados. No depoimento, ela afirma que o então juiz segurou-a pela garganta e disse repetidamente: “Fica quieta, fica quieta.” O episódio, segundo ela, provocou choque físico e emocional e marcou o início de sua decisão de deixar o Judiciário.
Bauer afirma ter buscado ajuda institucional dentro do sistema de justiça, mas relata que corregedorias, procuradores e colegas ignoraram as denúncias. Diante da ausência de apoio e temendo por sua segurança, ela decidiu deixar o país. Hoje, vive no exterior e afirma que só assim conseguiu se afastar da pressão e de riscos concretos à sua integridade.
Nas acusações mais duras, Bauer descreve a estrutura que cercava a Lava Jato como uma “máfia judicial”, com práticas como ocultação de habeas corpus, manipulação de decisões, perseguição interna a magistrados independentes, controle de fluxos processuais e uso da máquina judicial para fins políticos.
A ex-magistrada também aponta que métodos ilegais eram usados para forçar delações, manter prisões indevidas e produzir resultados convenientes a interesses externos à Justiça. Segundo ela, o objetivo não era combater corrupção, mas construir um projeto político de poder, que incluía interferências diretas no sistema político nacional.
Bauer afirma que a população brasileira ainda não tem dimensão do que ocorria nos bastidores da Lava Jato e que o país precisa enfrentar esse passado recente para reconstruir a credibilidade das instituições. Ela destaca que muitos dos envolvidos nunca foram investigados e que ainda há risco de blindagem corporativa para impedir responsabilizações.
O depoimento da ex-juíza reacende o debate sobre lawfare, abuso de autoridade e instrumentalização do Judiciário para fins políticos. Juristas e analistas alertam que, se confirmadas as denúncias, o Brasil estaria diante de um dos maiores escândalos institucionais de sua história republicana, com repercussões que podem afetar sentenças, processos, reputações e a própria legitimidade da Justiça Federal.
Para Bauer, o silêncio institucional é parte do problema. Ela afirma que não denuncia por vingança, mas por dever de consciência: “Não é sobre mim. É sobre o futuro da Justiça, sobre quem ela serve e se continuará servindo ao interesse público ou a interesses obscuros.”


