Manifesto reúne juristas, economistas, intelectuais e ambientalistas; signatários afirmam que a escolha no segundo turno envolve a defesa da democracia, dos direitos e da estabilidade institucional
Da Redação
Ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), juristas, economistas e personalidades ligadas à centro-direita divulgaram neste sábado (17) um manifesto em apoio à reeleição do Presidente Lula. O documento aponta riscos institucionais e sociais associados ao projeto político do senador Flávio Bolsonaro (PL) e defende que a disputa do segundo turno, marcado para 25 de outubro, ultrapassa as divergências partidárias e ideológicas.
Entre os signatários estão Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça de FHC e um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff; José Carlos Dias, também ex-ministro da Justiça; Aloysio Nunes Ferreira, ex-ministro das Relações Exteriores; Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda; e Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O manifesto também reúne nomes como a economista Claudia Costin, o ex-ministro do Meio Ambiente José Carlos Carvalho, o economista Eduardo Giannetti, o ambientalista Fábio Feldmann, o cientista Carlos Nobre e a ex-ministra Izabella Teixeira. A composição do grupo reúne trajetórias políticas e profissionais distintas, incluindo pessoas que não integram a base tradicional do PT.
Defesa da democracia e dos direitos
No documento, os signatários afirmam que a reeleição de Lula oferece melhores condições para preservar o equilíbrio entre as instituições, os direitos e as liberdades democráticas. O texto também destaca a importância da estabilidade política, do desenvolvimento com justiça social e ambiental e da manutenção do diálogo entre diferentes setores da sociedade.
A declaração registra que o apoio não elimina divergências em relação ao governo Lula. A adesão, segundo os signatários, decorre da avaliação de que o cenário eleitoral exige uma escolha em defesa de princípios democráticos e da preservação de conquistas sociais.
A manifestação ocorre em um contexto de polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, que disputam a Presidência no segundo turno. O documento se soma a outras iniciativas de personalidades do centro político e de antigos integrantes do PSDB que passaram a defender publicamente a candidatura petista.
Apoio busca ampliar diálogo com eleitores de centro
A participação de nomes ligados ao governo FHC tem significado político por reunir figuras que atuaram em administrações de orientação econômica e partidária distinta da atual gestão. O manifesto procura demonstrar que o apoio a Lula também alcança setores que não se identificam historicamente com a esquerda, mas consideram prioritária a defesa das instituições democráticas.
A campanha petista busca ampliar sua interlocução com eleitores de centro e centro-direita na reta final da disputa. A adesão de ex-ministros, juristas e intelectuais oferece respaldo público a essa estratégia, embora não permita, por si só, medir o efeito do manifesto sobre a intenção de voto.
A eleição será decidida em 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre a continuidade do governo do Presidente Lula e o projeto representado por Flávio Bolsonaro.


