Família de Chico Passeata desmente versão de Ciro sobre frase contra médicos

Parentes e companheiros de militância afirmam que médico nunca criou declaração usada para depreciar a categoria durante greve de 1992

Da Redação

Familiares e companheiros de militância do médico Francisco das Chagas Dias Monteiro, conhecido como Chico Passeata, contestaram publicamente a versão apresentada por Ciro Gomes (PSDB) sobre a frase “médico é como sal: branco, barato e se encontra em qualquer esquina”. Em nota, o grupo afirmou que Chico jamais criou ou pronunciou a declaração.

A manifestação foi divulgada nesta sexta-feira (11) e reproduzida pela Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD). As informações foram publicadas inicialmente pelo jornal Opinião CE.

A controvérsia ganhou força durante o debate entre os candidatos ao Governo do Ceará promovido pelo PontoPoder, do Diário do Nordeste. O governador Elmano de Freitas (PT) atribuiu a declaração a Ciro, lembrando que ela teria sido feita em 1992, quando o tucano governava o Estado e os médicos cearenses enfrentavam uma greve que já durava mais de 60 dias.

Ciro negou ter pronunciado a frase e declarou que renunciaria à candidatura caso fosse comprovada sua autoria. Posteriormente, publicou um vídeo nas redes sociais no qual atribuiu a declaração a Chico Passeata, morto em 2011.

A família e os antigos companheiros do médico reagiram à tentativa de transferir a responsabilidade pela fala.

“A família e os companheiros de militância do Dr. Francisco Monteiro, conhecido como Chico Passeata, vêm a público rebater veementemente a versão apresentada pelo candidato Ciro Gomes no debate, de que ele teria dito ou inventado a frase que menospreza a categoria médica”, afirma a nota.

Segundo os signatários, responsabilizar Chico por uma declaração depreciativa contraria a atuação que ele manteve durante a vida. Médico, poeta e dirigente sindical, Chico Passeata teve participação ativa na defesa da saúde pública e dos direitos dos profissionais da categoria.

“É uma injustiça à sua memória. Ele dedicou a vida a defender justamente o oposto: o respeito e a dignidade desses profissionais”, registra o documento.

A nota também sustenta que as reportagens publicadas durante a greve de 1992 apontavam Ciro como autor da frase. O grupo rejeitou o uso do nome de uma pessoa já falecida para justificar uma declaração incompatível com sua trajetória política e profissional.

“Chico Monteiro nunca disse nem inventou tal frase. Sua trajetória é de compromisso com a saúde pública, com o SUS e com a dignidade dos trabalhadores. Não aceitamos que sua memória seja usada para justificar falas que contrariam tudo o que ele defendeu”, conclui a manifestação.

A resposta dos familiares amplia o desgaste provocado pela declaração de Ciro durante o debate. Após o candidato condicionar sua permanência na disputa à comprovação da autoria da frase, adversários passaram a cobrar que ele esclareça quais registros considera válidos e se manterá o compromisso assumido publicamente.

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