Fortaleza segue sendo reescrita, agora também em papel, recorte, memória e imaginação. Após o lançamento de “Cidade Solar”, realizado nesta terça-feira (14), na Caixa Cultural Fortaleza, a artista visual cearense Fernanda Meireles, nome conhecido e querido da cena cultural da cidade, dá continuidade a uma programação que amplia o alcance do livro e reforça seu caráter coletivo.
A obra, que integra o contexto dos 300 anos da capital, não se encerra no evento de estreia. Pelo contrário, se desdobra em encontros, conversas e oficinas que transformam o livro em experiência viva, exatamente como propõe sua própria estrutura.
Um lançamento que vira processo
O evento de lançamento reuniu público, artistas e interessados em pensar a cidade para além das narrativas oficiais. “Cidade Solar” chegou ao público como um objeto aberto, com páginas destacáveis e um chamado direto à participação. Transformar, intervir e recriar são gestos centrais da proposta.
Mais do que uma celebração, o encontro funcionou como ponto de partida para uma circulação que pretende alcançar diferentes territórios e públicos em Fortaleza.
A cidade, aqui, não é apenas tema. É matéria em disputa.
Programação continua com encontros e oficina
Após o lançamento, a agenda segue com novas atividades que aprofundam o diálogo com a obra e com o próprio conceito de cidade proposto por Fernanda Meireles.
Na quinta-feira (16), a artista participa de uma conversa na Pinacoteca do Ceará, às 17h, em um encontro voltado à troca direta com o público sobre processo criativo, memória urbana e produção independente.
Já no sábado (18), a proposta ganha um caráter mais prático. A autora ministra uma oficina de escrita criativa na Caixa Cultural, das 15h às 17h, convidando participantes a experimentarem, na prática, o gesto que atravessa todo o livro. Criar a própria cidade.
A cidade como construção coletiva
“Cidade Solar” é resultado de mais de duas décadas de produção de zines, iniciada em 1996 e intensificada em 2006, quando Fernanda passou a produzir semanalmente, criando 52 fanzines ao longo de um ano.
Esse material, agora reunido em livro, funciona como uma cartografia afetiva de Fortaleza. Mistura desenhos, textos, colagens e registros do cotidiano, compondo uma narrativa fragmentada e profundamente conectada com o tempo da cidade.
Ao circular por diferentes espaços e propor atividades abertas, a obra reforça sua dimensão política. A cidade não é algo dado, mas algo que se constrói e se disputa coletivamente.
Fortaleza além da comemoração
Em meio às celebrações dos 300 anos, “Cidade Solar” aponta para uma outra perspectiva. Menos centrada na exaltação e mais interessada na invenção.
A proposta de Fernanda Meireles não é apenas lembrar a cidade, mas tensionar seus limites, revelar suas lacunas e imaginar outros futuros possíveis.
Agenda
16 de abril, quinta-feira
Conversa com a autora Fernanda Meireles
Local: Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, 34, Centro)
Horário: 17h
18 de abril, sábado
Oficina de escrita criativa com Fernanda Meireles
Local: Caixa Cultural Fortaleza (Avenida Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema)
Horário: 15h às 17h
As atividades são abertas ao público e dão continuidade à circulação de “Cidade Solar”, ampliando o diálogo com a cidade e convidando novos participantes a experimentar, na prática, a criação de outras Fortalezas possíveis.












