Novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais afirma que aceitou a missão por compromisso histórico com o projeto liderado por Lula e defende o diálogo com o Congresso como base da democracia
o deputado federal José Guimarães tomou posse como novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República em cerimônia realizada em Brasília, com a presença do presidente Lula, lideranças do Congresso Nacional e autoridades de diversos estados. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal oficial do governo federal.
Em seu discurso, Guimarães deu o tom político e pessoal da nova missão ao anunciar que abre mão de disputar as eleições para se dedicar integralmente ao governo. “Virei a chave, não vou disputar a eleição. Eu recebi muitos depoimentos e vou servir ao Brasil”, afirmou, ao explicar a decisão que, segundo ele, foi motivada por um compromisso de décadas com o projeto político liderado por Lula.
Ao longo da fala, o novo ministro enfatizou que sua trajetória de mais de 40 anos na política está diretamente vinculada à construção do campo progressista no país. Ele relembrou sua atuação desde a campanha presidencial de 1989 e destacou a confiança construída ao longo do tempo com o presidente. “São 41 anos nesse projeto. Desde a primeira campanha, nós só construímos posições políticas que fizeram com que Lula fosse o maior presidente da história do Brasil”, declarou.
Guimarães também destacou o peso simbólico da presença simultânea dos presidentes da Câmara e do Senado na cerimônia, interpretando o gesto como sinal da centralidade do diálogo institucional. Para ele, essa será a base de sua atuação à frente da articulação política do governo. “Não tem governo que dê certo que não tiver diálogo com o Congresso Nacional, porque o Congresso faz parte da construção da democracia no Brasil”, afirmou.
A defesa do diálogo com diferentes forças políticas foi apresentada como uma prática acumulada ao longo de sua trajetória parlamentar. Guimarães ressaltou que, mesmo em contextos de divergência, é necessário reconhecer a pluralidade do Congresso e construir consensos mínimos. “Você não constrói a democracia se não tiver diálogo com todos, sem deixar de reconhecer a pluralidade que é o parlamento”, disse.
Em tom pessoal, o ministro também mencionou episódios marcantes de sua vida recente, incluindo a recuperação de uma cirurgia cardíaca, para reforçar a ideia de recomeço. “O coração está renovado. E agora o enfrentamento é aqui”, afirmou, associando a superação individual ao novo desafio político.
Outro ponto central do discurso foi a defesa da democracia diante do que classificou como ameaças recentes. Guimarães destacou que a estabilidade institucional depende da atuação conjunta dos poderes e fez um apelo direto às lideranças políticas. “Protejam a democracia. É isso que está em jogo. Não é um problema só de um partido, é um problema de todos que têm compromisso com o Brasil”, declarou.
O ministro também se colocou como um elo entre o Executivo e o Legislativo, afirmando que pretende atuar como instrumento de construção política. “Eu quero ser um instrumento dessa construção com o Congresso Nacional”, disse, ao sinalizar que sua gestão buscará recompor pontes e ampliar a capacidade de articulação do governo.
A decisão de deixar de lado um projeto eleitoral próprio, inclusive uma possível candidatura ao Senado pelo Ceará, foi interpretada por aliados como um gesto de compromisso com o governo Lula. O próprio Guimarães reconheceu o impacto da escolha, mas reforçou que a prioridade é coletiva. “Eu estou apenas adiando um sonho pessoal em nome de um sonho coletivo”, afirmou.
Ao encerrar o discurso, o novo ministro reforçou o caráter estratégico do momento político e convocou união em torno do projeto governista. “Esse projeto não pode ser derrotado. Nós precisamos construir as bases para derrotar a extrema direita e fortalecer a democracia no Brasil”, concluiu.












