Atitude Popular

Flávio Bolsonaro apoia ataques de EUA e Israel ao Irã

Da Redação

Senador critica posição do governo Lula, defende ofensiva de Trump e Netanyahu e acirra disputa política sobre política externa em meio à escalada global.

O ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã, realizado em 28 de fevereiro de 2026, provocou não apenas uma crise geopolítica internacional, mas também uma forte divisão política interna no Brasil. Enquanto o governo federal condenou a ofensiva e defendeu o respeito ao direito internacional, o senador Flávio Bolsonaro adotou posição oposta, alinhando-se publicamente à ação militar liderada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Em declarações divulgadas nas redes sociais e repercutidas por diferentes veículos, Flávio Bolsonaro classificou como “inaceitável” a posição do Itamaraty, que havia expressado “grave preocupação” com os ataques e pedido contenção. Para o senador, o Brasil estaria se colocando “do lado errado” ao criticar a ofensiva e ao adotar uma postura que, segundo ele, representaria apoio indireto ao governo iraniano.

A argumentação do parlamentar se apoia em uma leitura ideológica do conflito. Segundo suas declarações, o Irã seria um regime que promove instabilidade internacional e apoia organizações consideradas terroristas, e, por isso, a ação militar de Estados Unidos e Israel seria justificável dentro de uma lógica de segurança internacional.

Essa posição contrasta diretamente com a linha adotada pelo governo brasileiro, que enfatizou que os ataques ocorreram em meio a negociações diplomáticas e que o uso da força tende a agravar o conflito, e não resolvê-lo. O Itamaraty reforçou que a solução deve passar pelo diálogo e pelo respeito às normas internacionais — uma posição tradicional da política externa brasileira.

O posicionamento de Flávio Bolsonaro não é um movimento isolado, mas parte de uma estratégia política mais ampla. Como pré-candidato à Presidência, o senador busca se alinhar ao eixo internacional da direita global, especialmente aos Estados Unidos sob Trump e ao governo israelense. Esse alinhamento tem sido uma marca do bolsonarismo desde 2018 e se intensifica no contexto eleitoral de 2026.

No plano geopolítico, a fala do senador revela uma clivagem profunda na interpretação do conflito. De um lado, a visão que legitima a ação militar como instrumento de contenção de ameaças. De outro, a leitura que enxerga o ataque como violação da soberania e escalada perigosa de um conflito que poderia ter sido tratado pela via diplomática.

Essa divisão interna no Brasil reflete uma disputa maior sobre o papel do país no mundo. A política externa brasileira historicamente buscou equilíbrio, multilateralismo e autonomia estratégica. Já a posição expressa por Flávio Bolsonaro indica uma orientação mais alinhada a blocos de poder específicos, com menor ênfase na mediação e maior adesão a agendas geopolíticas externas.

A crise também evidencia como conflitos internacionais são rapidamente incorporados à disputa política doméstica. O ataque ao Irã deixa de ser apenas um evento geopolítico e passa a funcionar como elemento de mobilização interna, reforçando identidades políticas e ideológicas em um cenário já marcado por polarização intensa.

No fundo, o episódio expõe duas concepções distintas de mundo em disputa no Brasil contemporâneo. Uma que defende a soberania, o direito internacional e a diplomacia como pilares da ordem global. Outra que legitima o uso da força como instrumento necessário para enfrentar ameaças percebidas, mesmo que isso implique o enfraquecimento de normas multilaterais.

O posicionamento de Flávio Bolsonaro, ao apoiar a ofensiva de Estados Unidos e Israel, insere o debate brasileiro diretamente no centro dessa disputa global — e sinaliza que, nas eleições de 2026, a política externa será também um dos campos decisivos de confronto político.