Atitude Popular

Gleisi diz que Trump e Netanyahu ameaçam a paz mundial

Da Redação

Ministra das Relações Institucionais condena ataques ao Irã, critica duramente EUA e Israel e reforça posição do governo Lula em defesa da diplomacia e do direito internacional.

A escalada militar no Oriente Médio após o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã provocou forte reação dentro do governo brasileiro. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o presidente norte-americano Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu representam “ameaças à paz e à estabilidade no mundo”, em uma das declarações mais contundentes feitas por integrantes do governo federal até o momento.

A fala de Gleisi ocorre em um contexto de intensificação do conflito, marcado por bombardeios, retaliações e risco crescente de guerra regional. Ao comentar a ofensiva, a ministra destacou que o uso da força não encontra justificativa, especialmente diante da existência de negociações diplomáticas em andamento entre as partes envolvidas.

Segundo a ministra, “nada justifica a ofensiva militar contra populações civis”, reforçando a crítica ao momento escolhido para o ataque, que interrompeu tentativas de solução negociada. A declaração não é apenas uma posição individual, mas está alinhada à resposta institucional do governo brasileiro, que já havia condenado a ação por meio do Itamaraty, defendendo a contenção e o respeito ao direito internacional.

Gleisi classificou a ofensiva como um ato “irresponsável e autoritário”, argumentando que a decisão de recorrer à guerra, em vez da diplomacia, amplia os riscos de desestabilização global. Essa leitura ecoa uma preocupação mais ampla entre países do Sul Global, que veem com crescente desconfiança o uso de intervenções militares unilaterais como instrumento de política internacional.

A crítica da ministra também deve ser compreendida dentro de um cenário político mais amplo. A ofensiva contra o Irã não apenas acirra tensões no Oriente Médio, mas aprofunda uma clivagem global entre diferentes visões de ordem internacional. De um lado, a lógica da ação preventiva e da projeção de poder militar. De outro, a defesa do multilateralismo, da soberania dos Estados e da resolução pacífica de conflitos.

Ao apontar Trump e Netanyahu como ameaças à paz, Gleisi explicita essa disputa. Sua declaração sugere que a escalada militar não é um evento isolado, mas parte de uma dinâmica mais ampla de instabilidade produzida por decisões unilaterais de grandes potências.

No plano interno, a fala também dialoga diretamente com o debate político brasileiro. Nos últimos dias, setores da oposição, especialmente ligados ao bolsonarismo, manifestaram apoio à ofensiva de Estados Unidos e Israel, criticando a posição do governo Lula. A resposta de Gleisi, portanto, não apenas reforça a linha diplomática do governo, mas também demarca um campo político claro na disputa sobre política externa.

Esse embate evidencia como conflitos internacionais se tornam rapidamente elementos centrais da disputa doméstica. A guerra no Oriente Médio passa a funcionar como um marcador ideológico, diferenciando projetos de país e visões sobre o papel do Brasil no mundo.

A declaração da ministra também carrega uma dimensão estratégica. Ao reforçar a defesa da paz, do diálogo e do direito internacional, o governo brasileiro busca se posicionar como ator relevante em um cenário de transição geopolítica, no qual a multipolaridade e a autonomia do Sul Global ganham cada vez mais importância.

No fundo, o que está em jogo vai além do episódio específico. A reação de Gleisi Hoffmann revela a profundidade da crise atual: uma ordem internacional tensionada, na qual a guerra volta a ocupar o centro da política global e onde a disputa entre força e diplomacia se torna cada vez mais decisiva.