Da Redação
A Assembleia Legislativa do Ceará aprovou um projeto que inclui a temática do forró como tema transversal na grade curricular das escolas públicas estaduais. A proposta determina que o gênero musical passe a ser abordado de forma interdisciplinar, integrando conteúdos ligados à história, à cultura, às artes e à formação social do povo cearense.
De acordo com o texto aprovado pelos deputados estaduais, o ensino do forró deverá contemplar sua origem, evolução histórica, principais mestres, manifestações contemporâneas e seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil. A nova lei entra em vigor após sua publicação oficial.
A medida busca fortalecer a valorização de uma das expressões culturais mais importantes do Nordeste. Presente em festas populares, celebrações religiosas, manifestações comunitárias e na produção artística regional, o forró ocupa papel central na identidade cultural cearense.
Patrimônio cultural nas salas de aula
O projeto prevê que o tema seja tratado de forma transversal, ou seja, articulado com diferentes disciplinas e áreas do conhecimento. A proposta permite que conteúdos relacionados ao forró sejam trabalhados em história, geografia, literatura, artes, sociologia e outras áreas da formação escolar.
A justificativa da iniciativa destaca que o ensino da cultura popular contribui para o fortalecimento da identidade regional e para a preservação de patrimônios imateriais transmitidos entre gerações.
O reconhecimento do forró como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2021, reforçou sua importância não apenas como gênero musical, mas também como expressão social, cultural e histórica profundamente ligada à formação do Nordeste.
Luiz Gonzaga e a construção de uma identidade
Embora possua raízes anteriores, o forró ganhou projeção nacional a partir da obra de artistas como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Zé Dantas. Suas canções ajudaram a levar para todo o país temas relacionados ao sertão, às migrações, ao trabalho, à seca e ao cotidiano nordestino.
Ao longo das décadas, o gênero incorporou novas influências e passou por transformações, mantendo, porém, sua presença marcante nas festas juninas, nos festivais populares e na vida cultural de milhões de brasileiros.
Com a aprovação da nova legislação, o Ceará passa a institucionalizar o ensino dessa tradição cultural dentro da rede pública estadual, aproximando o ambiente escolar de uma das manifestações artísticas mais representativas da história nordestina.
Da sala de aula ao recreio
A valorização do forró nas escolas cearenses ocorre em um momento em que diversas unidades de ensino vêm registrando mudanças nos hábitos dos estudantes após as restrições ao uso de celulares. Em escolas da rede pública do Ceará, atividades como bordado, jogos de tabuleiro, leitura, desenho e rodas de conversa passaram a ocupar parte do tempo livre dos alunos durante os intervalos.
Nesse contexto, o forró também tem reaparecido como prática cultural cotidiana, seja em apresentações, oficinas, festivais escolares ou momentos de convivência entre os estudantes. A nova lei aprovada pela Assembleia Legislativa dialoga com esse movimento ao aproximar a escola de manifestações culturais já presentes na vida de muitas comunidades cearenses.
A iniciativa também reforça uma tendência observada por educadores: a recuperação de experiências coletivas e culturais dentro do ambiente escolar, ampliando o contato dos jovens com tradições locais em um período marcado pelo debate sobre o uso excessivo de telas e dispositivos digitais.



