Gabriella Aguiar é escolhida vice de Elmano e decisão amplia isolamento de Luizianne na disputa pelo Senado

Da Redação

A vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), foi definida como candidata a vice-governadora na chapa do governador Elmano de Freitas (PT). A informação foi divulgada inicialmente pela coluna do jornalista Guilherme Gonsalves, do O Povo, após reunião realizada nesta quinta-feira (30) entre a principal cúpula da base governista.

Participaram do encontro o governador Elmano de Freitas, o senador Camilo Santana (PT), o presidente estadual do PSD, Domingos Filho, pai de Gabriella, e o ex-chefe da Casa Civil Chagas Vieira (PDT). Com a escolha da vice, Chagas passa a ser apontado como favorito para ocupar a segunda vaga ao Senado na chapa, ao lado de Cid Gomes (PSB).

Na prática, a definição reorganiza o jogo político e pode representar um duro revés para a mobilização que vinha sendo construída em torno da candidatura de Luizianne Lins ao Senado. Nas últimas semanas, movimentos sociais, sindicatos, parlamentares e dirigentes partidários intensificaram a pressão para que a deputada integrasse a chapa majoritária.

A indicação de Gabriella fortalece uma interpretação que já circula entre setores da esquerda: a de que a presença feminina na composição passa a ser apresentada como atendida, reduzindo a pressão política pela inclusão de Luizianne. Em outras palavras, a vaga destinada a uma mulher teria sido ocupada pela candidatura à vice-governadoria.

Essa lógica não é novidade na política cearense. Ao longo das últimas décadas, mulheres conquistaram espaço nas chapas majoritárias, mas quase sempre em posições de vice. Os principais cargos de comando e as candidaturas consideradas prioritárias permaneceram, em sua maioria, sob controle de lideranças masculinas. A presença feminina, muitas vezes, aparece como resultado de um cálculo de composição, e não como reconhecimento de protagonismo político equivalente.

Nesse contexto, a escolha de Gabriella pode ser interpretada como mais um capítulo dessa triste tradição. Em vez de ampliar o espaço das mulheres nas posições de maior poder, a composição mantém o padrão segundo o qual uma candidatura feminina acaba sendo utilizada para limitar outra.

A situação é ainda mais sensível porque Luizianne Lins não reivindica espaço apenas por representar mulheres. Ex-prefeita de Fortaleza, deputada federal e uma das principais lideranças da esquerda cearense, ela possui trajetória política própria, densidade eleitoral e respaldo de diversos movimentos populares. Ainda assim, sua candidatura continua sem definição, enquanto as principais negociações avançam em torno de nomes masculinos para o Senado.

Gabriella deverá ser oficializada na convenção do PSD nesta sexta-feira (31). Resta apenas a definição da segunda vaga ao Senado, que também depende das negociações com a federação União Progressista.

Independentemente do desfecho, a escolha da vice-governadora já produz um efeito político imediato: torna mais difícil sustentar, dentro da base governista, que ainda existe uma necessidade de ampliar a participação feminina na chapa. É justamente esse argumento que vinha impulsionando a campanha em defesa da candidatura de Luizianne Lins ao Senado.

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