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Gaza, novembro de 2025: a Terra devastada e o silêncio cúmplice do mundo

Da Redação

O massacre contra o povo palestino continua. Bombas caem sobre hospitais, escolas e abrigos, enquanto o mundo ocidental justifica o injustificável. Gaza virou sinônimo de horror, resistência e abandono. A cada dia, cresce o número de mortos, o desespero das famílias e a cumplicidade de quem se cala diante da barbárie.

1. O genocídio que não terminou

Mais de um ano após o início da nova ofensiva israelense, o genocídio do povo palestino prossegue em ritmo implacável.
Gaza está reduzida a cinzas. Restam ruínas, poeira e corpos.
Os bombardeios continuam diários, atingindo campos de refugiados, hospitais e rotas de ajuda humanitária. O que antes era uma cidade viva agora é um cemitério a céu aberto, onde o ar cheira a pólvora e a fome.

As imagens que ainda escapam da censura mostram crianças famintas bebendo água contaminada, mães carregando os corpos de seus filhos e médicos tentando salvar vidas sem remédios, anestesia ou eletricidade.
O bloqueio humanitário — deliberado — transformou o direito à sobrevivência em contrabando.


2. A máquina de destruição e a impunidade

O exército israelense mantém uma campanha de extermínio sistemático. Cada nova incursão é acompanhada de justificativas já conhecidas: “operações de segurança”, “autodefesa”, “neutralização de ameaças”.
Na prática, o que se vê é a eliminação em massa de civis e o colapso completo da infraestrutura de um território sitiado.

Nenhuma distinção é feita entre combatentes e civis.
A fronteira entre o exército e a população desapareceu — por escolha.
Israel bombardeia escolas, universidades, campos de refugiados e até comboios da ONU.
A justificativa de “danos colaterais” tornou-se um cinismo institucionalizado.

Organizações internacionais denunciam a violação aberta das Convenções de Genebra. O uso de armas incendiárias, o bloqueio de ajuda médica e a destruição de estruturas vitais são classificados como crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Mas a máquina segue, alimentada por silêncio e lucro.


3. A fome como tática militar

O genocídio não se dá apenas pelas bombas.
Israel usa a fome como arma política.
Milhares de famílias vivem há meses sem acesso regular a alimentos, água potável ou energia. Caminhões com ajuda humanitária são barrados ou bombardeados antes de chegar às zonas mais afetadas.
A ONU descreve a situação como “catástrofe total e planejada”.

A desnutrição infantil ultrapassou níveis jamais registrados. Médicos relatam casos de bebês morrendo por falta de leite, e idosos morrendo de sede.
A guerra em Gaza deixou de ser conflito — tornou-se aniquilação programada.


4. A Cisjordânia sob as sombras da ocupação

Enquanto Gaza arde, a Cisjordânia vive uma escalada silenciosa.
Colonos israelenses, armados e protegidos pelo exército, avançam sobre aldeias palestinas, destroem plantações e expulsam famílias.
O apartheid se consolida em sua forma mais brutal: checkpoints, segregação total, assassinatos seletivos e prisões arbitrárias.

Cidades inteiras estão sob toque de recolher. Crianças palestinas são presas e interrogadas sem assistência legal. Casas são demolidas como punição coletiva.
O sistema de ocupação tornou-se autônomo — opera sem lei, sem moral e sem limite.


5. O colapso moral do Ocidente

Nenhum extermínio em larga escala sobrevive sem cumplicidade internacional.
Os Estados Unidos continuam fornecendo armas, cobertura diplomática e dinheiro.
A União Europeia fala em paz, mas mantém acordos comerciais e militares com o governo israelense.
A imprensa hegemônica reduz o genocídio a “conflito” e insiste em “narrativas de ambos os lados”, como se a simetria existisse entre tanques e crianças.

O resultado é a normalização do horror.
O mundo assiste à destruição de Gaza com a mesma indiferença com que assistiu ao genocídio de Ruanda e à invasão do Iraque.
O Ocidente, outrora autoproclamado defensor dos direitos humanos, afundou na própria hipocrisia.


6. O despertar do Sul Global

Enquanto o Norte se cala, o Sul Global ergue a voz.
Governos progressistas da América Latina, da África e da Ásia condenam abertamente as ações israelenses e defendem sanções econômicas e investigações internacionais.
O Brasil tem reiterado sua posição de defesa do cessar-fogo imediato e do direito à autodeterminação palestina.
A África do Sul, Bolívia, Argélia e outros países pedem que tribunais internacionais julguem as autoridades israelenses por crimes de guerra.

O eixo multipolar que vem se formando — BRICS, G77 e países não alinhados — começa a tratar a causa palestina como símbolo da luta contra o imperialismo contemporâneo.
Não é mais apenas uma questão humanitária, mas civilizatória.


7. A resistência e a dignidade

Mesmo sob o bombardeio constante, o povo palestino continua resistindo.
Resiste cavando com as próprias mãos os escombros em busca de sobreviventes.
Resiste mantendo escolas improvisadas em tendas de lona.
Resiste plantando bandeiras em ruínas.
Resiste porque existir já é um ato político.

Essa resistência — civil, cultural e espiritual — é o que Israel não consegue apagar.
Ela é a memória viva de um povo que, mesmo encurralado, recusa desaparecer.


8. O dever da humanidade

A cada dia que o genocídio continua, o mundo perde mais de sua própria humanidade.
A destruição da Palestina não é apenas a destruição de um território — é o desmantelamento da própria ideia de justiça universal.
A pergunta que ecoa é simples e devastadora:
Quantas crianças precisam morrer para que a consciência internacional desperte?

O futuro julgará esta era não pelas promessas feitas em conferências, mas pelas vidas que deixamos morrer em Gaza.

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