Da Redação
Ex-dirigente do PT faz crítica direta à condução política no Senado e aponta falhas estratégicas na articulação liderada por Jaques Wagner em meio à crise do governo Lula.
Em meio à escalada da crise política que atinge o governo Lula, o ex-presidente do PT José Genoino fez uma crítica direta e contundente à articulação conduzida pelo senador Jaques Wagner no Congresso Nacional. A avaliação expõe fissuras internas no campo progressista e reforça a percepção de que o problema não é apenas externo, mas também estratégico.
Segundo Genoino, a condução política atual falhou em compreender a natureza da disputa em curso. Para ele, não se trata de uma divergência comum dentro do jogo institucional, mas de um cenário de enfrentamento em que setores da direita, da extrema-direita e do centrão atuam de forma coordenada para impor derrotas ao governo.
Nesse contexto, a articulação baseada na conciliação e na negociação tradicional se mostra insuficiente. A crítica implícita é clara: o governo, por meio de sua liderança no Senado, operou como se estivesse em um ambiente de normalidade política, quando, na prática, o campo adversário já atua em lógica de confronto.
A rejeição de Jorge Messias ao STF surge como símbolo desse erro de leitura. O episódio, que já entrou para a história como uma das maiores derrotas institucionais recentes do Executivo, expôs a fragilidade da base governista e a incapacidade de antecipar movimentos do adversário.
Para Genoino, esse não é um problema pontual, mas estrutural. Ele aponta que a estratégia adotada não apenas falhou em garantir votos, mas também contribuiu para desorganizar o campo progressista ao transmitir uma falsa sensação de controle sobre o cenário político.
A crítica a Jaques Wagner, nesse sentido, vai além de uma avaliação pessoal. Ela representa um questionamento sobre a linha política adotada pelo governo no Congresso. Uma linha que aposta na acomodação, no diálogo permanente e na construção de consensos, mesmo diante de um ambiente cada vez mais hostil.
O problema, segundo essa leitura, é que o outro lado não joga o mesmo jogo.
Enquanto o governo tenta negociar, a oposição articula. Enquanto busca consenso, o adversário constrói maioria. Enquanto aposta na institucionalidade, o campo contrário opera na lógica da disputa total.
Esse descompasso estratégico cobra seu preço.
E ele já começou a ser pago.
A fala de Genoino funciona, portanto, como um alerta interno. Um chamado para revisão urgente da estratégia política, da leitura de cenário e da forma de atuação dentro do Congresso.
No fundo, o que está sendo colocado não é apenas uma crítica a um articulador específico.
É uma crítica a um modelo de articulação que pode não estar mais à altura da disputa que o Brasil atravessa.
E, se não for corrigido rapidamente, o custo tende a aumentar.












