Investimentos do Fundo da Marinha Mercante incluem navios para a Petrobras, embarcações de patrulha, barcaças, terminais portuários e corredores logísticos estratégicos
Da Redação
O governo federal aprovou 15 projetos estratégicos voltados à construção, modernização e reparo de embarcações, além da expansão da infraestrutura portuária e aquaviária brasileira. As iniciativas poderão receber financiamento do Fundo da Marinha Mercante e integram a política de retomada da indústria naval, fortalecimento da logística nacional e ampliação da soberania marítima do país.
As propostas foram analisadas pelo Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante, responsável por selecionar os empreendimentos aptos a acessar uma das principais fontes públicas de financiamento do setor naval brasileiro. O conjunto reúne investimentos em energia, defesa, transporte de cargas, navegação interior e infraestrutura de exportação.
Petrobras terá cinco novos navios gaseiros
Entre os projetos aprovados está a construção de cinco navios destinados ao transporte de gás liquefeito de petróleo para a Petrobras. As novas embarcações deverão ampliar a capacidade logística da estatal e reduzir sua dependência de navios estrangeiros para a movimentação desse tipo de carga.
A encomenda também representa um estímulo direto aos estaleiros brasileiros e à cadeia nacional de fornecedores. A construção de navios no país mobiliza setores como siderurgia, metalurgia, engenharia, tecnologia, manutenção e serviços especializados, criando empregos qualificados e preservando conhecimentos industriais estratégicos.
Além de fortalecer a indústria nacional, a ampliação da frota própria tende a aumentar a autonomia operacional da Petrobras e reduzir custos relacionados à contratação de embarcações estrangeiras ao longo dos próximos anos.
Novos navios reforçarão a defesa da Amazônia Azul
Outro projeto aprovado prevê a construção de três navios-patrulha de 500 toneladas pela Empresa Gerencial de Projetos Navais, a Emgepron.
As embarcações serão empregadas em atividades de fiscalização, vigilância e proteção das águas jurisdicionais brasileiras, ampliando a capacidade operacional da Marinha do Brasil.
O investimento ganha importância diante do valor estratégico da Amazônia Azul, extensa área marítima que concentra rotas comerciais, recursos pesqueiros, reservas de petróleo e gás, cabos submarinos e parte significativa das riquezas naturais brasileiras.
A defesa dessa região exige embarcações modernas e capacidade permanente de monitoramento, especialmente diante do crescimento das disputas internacionais por recursos energéticos, minerais e logísticos.
Porto Sul e Fiol formarão corredor logístico na Bahia
Na Bahia, foi aprovado o projeto do Terminal de Uso Privado Porto Sul, localizado em Ilhéus. O empreendimento está conectado à Ferrovia de Integração Oeste-Leste e integra o chamado Projeto Pedra de Ferro.
A articulação entre ferrovia e porto deverá criar um corredor logístico para transportar a produção mineral e agrícola do interior baiano até o litoral, reduzindo custos de escoamento e ampliando a competitividade das exportações brasileiras.
O projeto também pode contribuir para descentralizar a infraestrutura econômica do país e estimular o desenvolvimento do Nordeste, historicamente prejudicado pela concentração de investimentos logísticos e industriais nas regiões Sul e Sudeste.
Barcaças fortalecerão hidrovias e o Arco Norte
O Conselho do Fundo da Marinha Mercante também aprovou a construção de 12 barcaças graneleiras destinadas ao corredor logístico do Arco Norte, uma das principais rotas de escoamento da produção agrícola brasileira.
Foram autorizadas ainda embarcações para travessias no Rio Araguaia, ampliando a mobilidade regional e a integração entre localidades atendidas pelo transporte hidroviário.
O uso de hidrovias pode diminuir os custos logísticos, aliviar a pressão sobre as rodovias e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no transporte de grandes volumes de carga. A expansão desse modal também permite integrar áreas do território nacional ainda pouco atendidas por ferrovias e estradas de qualidade.
Porto de Paranaguá terá capacidade ampliada
Outro projeto aprovado prevê a expansão de um terminal de granéis agrícolas no Porto de Paranaguá, no Paraná, um dos maiores complexos exportadores do país.
A ampliação deverá elevar a capacidade de movimentação de cargas e preparar o terminal para atender ao crescimento da demanda internacional por produtos agrícolas brasileiros. O investimento busca reduzir gargalos portuários e melhorar a eficiência das exportações nacionais.
Fundo é instrumento de política industrial
O Fundo da Marinha Mercante ocupa uma posição estratégica na política industrial brasileira porque financia a construção e o reparo de embarcações, a modernização de estaleiros e o desenvolvimento da infraestrutura aquaviária.
Mais do que um mecanismo de crédito, o fundo permite ao Estado estimular setores industriais de alta complexidade, preservar empregos especializados e manter no país capacidades tecnológicas que poderiam desaparecer em períodos prolongados de ausência de encomendas.
A indústria naval depende de planejamento de longo prazo, escala produtiva e continuidade dos investimentos. Quando o Estado deixa de coordenar esse setor, o país passa a importar navios, equipamentos e serviços, perdendo empregos, tecnologia e autonomia logística.
Novas propostas poderão ser apresentadas
Empresas e instituições interessadas ainda poderão apresentar novas propostas ao Conselho Diretor até 27 de julho. Depois da aprovação, os contratos de financiamento poderão ser formalizados em um prazo de até 630 dias.
A próxima reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante está prevista para 24 de setembro, quando outros projetos poderão ser incorporados ao programa de investimentos.
A aprovação dos 15 empreendimentos sinaliza a retomada de uma política que articula indústria, infraestrutura, energia, logística e defesa. Ao reconstruir sua capacidade naval, o Brasil não apenas movimenta a economia e gera empregos. Também fortalece sua presença no mar, protege recursos estratégicos e reduz dependências externas em uma área decisiva para a soberania nacional.






