Da Redação
Após décadas de dependência de termelétricas caras e de energia vinda da Venezuela, Roraima enfim entrou no Sistema Interligado Nacional. O estado deixa o isolamento, ganha segurança energética, economia e um passo concreto rumo à dignidade e soberania.
Nesta quarta-feira, 10 de setembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou oficialmente o processo de energização do Linhão Manaus-Boa Vista, concretizando a longamente esperada conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). É a última peça que faltava no mapa energético do Brasil: Roraima era o único estado que ainda vivia isolado dessa grande rede de geração, transmissão e distribuição.
Com investimento aproximado entre R$ 3,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões (há variações reportadas), foram construídos cerca de 725 quilômetros de linha de transmissão de 500 quilovolts em circuito duplo, partindo da subestação Engenheiro Lechuga, no Amazonas, até Boa Vista, passando por Rorainópolis. A obra também inclui uma seccionadora para apoio intermediário, parte crucial para garantir robustez e confiabilidade.
O impacto imediato será sentido na fatura de energia das residências, no custo de geração e, sobretudo, no fim da dependência de usinas termelétricas fósseis que funcionavam com combustível caro — além das constantes falhas e desabastecimentos eletroenergéticos. A economia esperada no uso desses combustíveis gira em torno de R$ 600 milhões por ano, com corte de emissões de carbono acima de 1 milhão de toneladas anuais, segundo estimativas do governo. Também promete dar mais segurança no fornecimento, menos apagões e interrupções, especialmente em comunidades distantes e indígenas.
Para Lula, o momento representa justiça histórica: “Roraima está ligado ao restante do Brasil, não existe mais diferença”, disse ele, celebrando que energia mais barata, limpa e constante vai alcançar populações que foram desprezadas em nome do lucro ou negligência governamental. Ele enfatizou ainda que energia elétrica e internet — infraestrutura básica de cidadania — devem alcançar as comunidades indígenas, para que “ninguém fique fora”.
4 – Importância e contradições
A vitória da soberania e inclusão:
- A interligação representa a concretização de políticas de inclusão desde a Constituição de 1988, esperada em planos federais e regionais.
- É um elemento de dignidade: energia é condição básica para saúde, educação, trabalho, conexão digital.
Desafios vencidos:
- Resistência ambiental por percursos que cruzam terras indígenas, exigindo diálogo, licenças e adaptação.
- Leitura de que “não havia retorno” financeiro imediato, o que justificava para alguns deixar Roraima isolada.
Principais contradições:
- O quanto levou para essa decisão sair do papel? Décadas de promessas e estudos sem conclusão. Roraima viveu altos custos e poluição por depender de geração térmica.
- A realidade da aplicação: manutenção, conexão estável, tarifas adequadas — o desafio é fazer com que o acesso não se transforme em privilégio de poucos.
Com esta ação, o governo reafirma que soberania não é retórica — é energia, é conexão, é dignidade para populações marginalizadas. Em nome do progresso, muitos ao longo de décadas foram deixados à mercê de apagões, tarifas inacessíveis ou serviços inconstantes. Hoje, com Lula acendendo esse “botão da igualdade”, o Brasil mostra o que significa ouvir o clamor dos excluídos.
Não é apenas ligar fios; é ligar esperança. E fazer da energia um direito, não uma mercadoria.


