Atitude Popular

Haddad propõe parceria com EUA, mas reforça: Brasil não será colônia

Da Redação

Ministro da Fazenda defende acordos sobre minerais estratégicos, mas alerta: “Brasil não será satélite” — posicionamento surge em meio à pressão norte-americana por alinhamento econômico.

Nesta segunda-feira, 4 de agosto de 2025, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou publicamente a disposição do Brasil de cooperar com os Estados Unidos na área de minerais estratégicos, como terras raras, nióbio e grafite — recursos vitais para a produção de baterias de alta eficiência. No entanto, enfatizou com firmeza que o país não se submeterá a uma relação subalterna, destacando que “Brasil não será satélite ou colônia”.

Em entrevista à BandNews, Haddad destacou que há muito espaço para cooperação mútua: “Podemos realmente estreitar os laços de cooperação, desde que seja bom para os dois lados. Há complementaridades, mas sem dominância”. Disse ainda que os EUA estão subutilizando oportunidades de negócios no Brasil e que sua participação em projetos de infraestrutura poderia ser ampliada com respeito à autonomia brasileira.

No momento em que globalmente cresce a disputa por controle de minerais estratégicos, Haddad apontou que o Brasil detém um dos maiores potenciais de reservas desses recursos e pretende avançar com industrialização interna e parcerias condicionadas à defesa da soberania. “Não queremos reproduzir pactos de dependência. A cooperação só faz sentido se houver reciprocidade e autonomia”, declarou.

O ministro também confirmou que o governo trabalha na elaboração de um plano de contingência voltado a setores afetados pelo tarifaço imposto pelos EUA. As medidas incluirão linhas de crédito específicas, intervenção no financiamento industrial e articulação diplomática para abrir mercados alternativos. Entretanto, Haddad deixou claro que tais ações não devem comprometer os princípios de autonomia econômica brasileiros.

A abordagem reflete a tensão entre a necessidade de inserção global e a urgência de preservar a independência do país. A retórica de Haddad sinaliza a tentativa de equilibrar pragmatismo e crítica — sem adoção de modelos de vassalagem, mesmo em negociação direta com uma potência como os EUA.

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