“Hoje apenas Lula possui um projeto político para o Brasil”

Diemerson Sacchetto e Sandra Helena analisam o papel da imprensa, a comunicação da extrema direita e os riscos da confusão informacional na eleição de 2026

A eleição presidencial de 2026, a cobertura da crise no Supremo Tribunal Federal e as dificuldades enfrentadas pelo campo progressista na comunicação digital foram analisadas pelo professor Diemerson Sacchetto e pela professora de Filosofia Sandra Helena em uma nova edição do Democracia no Ar. Os convidados discutiram como a escolha das pautas, a repetição de determinadas notícias e a omissão de fatos relevantes influenciam a percepção do público sobre os acontecimentos políticos.

As declarações foram dadas ao segmento A notícia que você não vê, exibido pelo programa Democracia no Ar, da Atitude Popular. Apresentada por Sara Goes, a edição procurou identificar o subtexto do noticiário e os interesses presentes na produção das manchetes, especialmente durante a campanha eleitoral.

PhD em Psicologia e professor titular do Instituto Federal do Espírito Santo, Diemerson Sacchetto atua nas áreas de Psicologia Social, Política e Cultura Digital. O pesquisador analisa discursos políticos e acompanha dezenas de perfis ligados à extrema direita para estudar como esses grupos distribuem funções, estabelecem inimigos e adaptam mensagens aos diferentes públicos das redes sociais.

Confusão como método político

No início da análise, Diemerson argumentou que o problema político contemporâneo não está restrito à circulação de informações falsas. Para ele, a grande quantidade de versões contraditórias produz uma confusão que dificulta a compreensão da realidade.

“A maior distância que a gente tem da verdade não é o erro, mas a confusão”, afirmou.

Segundo o professor, a extrema direita emprega a mentira de maneira sistemática e força os comunicadores progressistas a dedicar parte considerável do tempo à contestação de informações falsas. Com isso, pautas próprias, propostas sociais e resultados de políticas públicas perdem espaço.

“O que a gente percebe é que existe um conjunto massivo de mentiras e que, às vezes, no campo progressista, a gente fica passando mais tempo tentando desfazer aquilo que é colocado como lastro pela extrema direita do que comunicando aquilo que gostaria de comunicar”, explicou.

O pesquisador classificou essa postura como excessivamente reativa. Em sua avaliação, parlamentares e influenciadores progressistas frequentemente ampliam a visibilidade de adversários ao reproduzir vídeos ou declarações para desmenti-los. A reação pode alcançar um público muito menor do que a postagem original, enquanto o autor da desinformação permanece no centro do debate.

“Nós estamos reagindo. Comunicadores de esquerda, sistemas de informação e comunicação progressistas, inclusive influenciadores do nosso campo político, ficam respondendo”, disse.

Para Diemerson, o desafio consiste em encontrar uma forma própria de comunicação, capaz de apresentar conteúdo político sem permanecer subordinada às provocações e às pautas lançadas pela extrema direita.

“Nós ainda estamos tentando encontrar o tom de como vamos informar e comunicar as pessoas com um conteúdo que não seja apenas uma reação às cortinas de fumaça impostas pela extrema direita”, declarou.

As redes favorecem conteúdos agressivos

Diemerson explicou que os algoritmos das plataformas digitais tendem a beneficiar conteúdos capazes de despertar indignação, medo e hostilidade. Essa dinâmica coloca o campo progressista diante de uma escolha difícil: adotar formatos mais agressivos para aumentar o alcance ou construir uma linguagem coerente com os valores que pretende defender.

“A estrutura dos algoritmos das redes sociais e do novo modelo de comunicação é implicada no discurso de ódio”, afirmou.

O professor citou parlamentares progressistas que alcançam maior repercussão ao assumir um comportamento mais combativo, mas demonstrou cautela quanto à simples reprodução do método usado pelos adversários. Para ele, copiar um modelo baseado em hostilidade pode criar contradições entre a forma de comunicar e o conteúdo defendido.

A disputa pela linguagem também recebeu atenção durante o debate. Diemerson observou que a escolha das palavras não representa apenas uma preocupação formal. Os termos empregados podem mudar a maneira como uma situação social é compreendida e, consequentemente, interferir na formulação das políticas públicas.

Como exemplo, ele mencionou a substituição da expressão “menor infrator” por “adolescente em conflito com a lei”. A mudança procura retirar o estigma atribuído ao jovem e permitir que o problema seja tratado por políticas de educação, proteção social e garantia de direitos.

“Não é só uma questão de mudança dos termos. Nós queremos mudar a realidade do entendimento e, obviamente, mudar a política pública e as políticas sociais”, explicou.

Pesquisa sobre a comunicação da extrema direita

Diemerson contou que começou a produzir conteúdo para as redes sociais após perceber os limites da circulação acadêmica. Para ele, artigos científicos são importantes, mas não bastam para disputar a interpretação dos acontecimentos fora das universidades.

“Se nós não deixássemos as torres de marfim da vida, artigo científico não ia mudar e não vai mudar a realidade”, afirmou.

O pesquisador estuda entre 100 e 150 perfis vinculados à extrema direita. O material deve subsidiar um livro sobre a formação dos nichos digitais e a distribuição de tarefas entre parlamentares, canais de comunicação, líderes religiosos, artistas e influenciadores.

Segundo Diemerson, esses participantes não publicam necessariamente as mesmas mensagens da mesma maneira. Cada perfil desempenha determinada função dentro de uma rede de comunicação que alcança públicos distintos, adapta a linguagem e mantém certos assuntos em circulação.

“Existe uma inteligência de comunicação em que cada um vai exercendo uma função”, avaliou.

A cobertura da imprensa e os interesses econômicos

Sandra Helena concentrou sua análise no papel desempenhado pelos grandes grupos de comunicação. A professora destacou que a desinformação também pode ocorrer por meio da repetição excessiva, da seleção desigual de acontecimentos, da ausência de contexto e do silêncio sobre fatos que poderiam mudar a interpretação de uma notícia.

Para ela, a cobertura recente passou rapidamente de uma sequência de notícias envolvendo o filho do Presidente Lula para um fluxo concentrado na crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A professora chamou atenção para o tempo dedicado ao caso Master e às relações do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades.

Sandra comparou a repetição dessa cobertura ao procedimento adotado durante a Operação Lava Jato. Em sua avaliação, a exposição contínua de um mesmo assunto pode produzir uma condenação pública antecipada, comprometer a confiança nas instituições e ocultar personagens que deveriam receber o mesmo escrutínio jornalístico.

Diemerson concordou com a avaliação e afirmou que não esperava uma postura diferente dos grandes veículos.

“A grande mídia está fazendo aquilo que fez na Lava Jato, como funcionou na ditadura. É uma mídia que tenta caminhar sempre para um caminho de apoio ao neoliberalismo”, declarou.

O professor ponderou, porém, que a cobertura não significa necessariamente uma adesão direta a uma candidatura da extrema direita. Na leitura dele, o interesse dos veículos pode estar na produção de uma crise prolongada, capaz de gerar audiência, conteúdo e retorno financeiro.

“Eu penso que existe muito mais um alinhamento a uma confusão, a uma desordem institucional. Quanto mais as instituições são colocadas em xeque e vão para o caminho do desgoverno, existe maior produção de conteúdo e maior possibilidade de ganhos econômicos da grande mídia”, disse.

Segundo Diemerson, a extrema direita acaba beneficiada porque utiliza o enfraquecimento das instituições para defender o impeachment de ministros e retirar legitimidade do STF.

O STF e a tentativa de golpe

A atuação do Supremo durante a pandemia e diante dos ataques de 8 de janeiro também foi examinada. Sandra recordou que setores da esquerda mantêm críticas antigas ao Judiciário, sobretudo por decisões consideradas favoráveis aos interesses das classes proprietárias. Para ela, contudo, essas críticas não podem ignorar a função desempenhada pelo tribunal na contenção de iniciativas autoritárias.

Diemerson afirmou que o STF teve papel decisivo na resistência à tentativa de ruptura institucional. O tribunal, segundo ele, atuou ao lado de outros setores que impediram o avanço golpista.

“O Supremo foi, digamos assim, a salvaguarda da democracia na tentativa de golpe de 8 de janeiro”, declarou.

O pesquisador avaliou que os ataques dirigidos a Alexandre de Moraes não podem ser compreendidos isoladamente. Eles se somariam aos questionamentos contra Dias Toffoli e André Mendonça, num processo que reduz a confiança pública no conjunto do Supremo.

“Quanto mais desarticulado ou fragmentado isso estiver, muita gente estará na torcida, não apenas pelo impeachment de Alexandre de Moraes”, afirmou.

A tentativa de atribuir os atos de 8 de janeiro ao próprio governo federal também foi lembrada no programa. Os participantes observaram que setores bolsonaristas inicialmente buscaram responsabilizar o PT e o Presidente Lula pela invasão das sedes dos Três Poderes. Posteriormente, passaram a defender anistia ou indulto para os condenados.

Uma direita tradicional sem projeto competitivo

Ao analisar as entrevistas e sabatinas presidenciais, Diemerson avaliou que nomes identificados com a direita tradicional não conseguiram formular um projeto eleitoral competitivo. Ele mencionou Ronaldo Caiado e Romeu Zema como representantes de candidaturas que repetiriam elementos da extrema direita, mas tentariam apresentá-los em tom moderado.

Para o pesquisador, esse campo perdeu qualidade política e capacidade de comunicação após o crescimento do bolsonarismo. Candidaturas de partidos como Novo e PSD poderiam cumprir uma função eleitoral limitada, voltada à sustentação de chapas proporcionais e à preservação de espaços no Congresso.

Diemerson também analisou o comportamento de partidos que evitam uma posição nacional uniforme e formam alianças diferentes em cada estado. Republicanos, Podemos, PP e União Brasil foram citados como legendas que procuram preservar influência parlamentar por meio de acordos regionais.

Na avaliação do professor, essa flexibilidade pode favorecer as candidaturas ao Senado e à Câmara dos Deputados, mas não oferece ao eleitorado um projeto nacional claramente definido.

Renan Santos e os limites da agressividade

A participação de Renan Santos nas sabatinas presidenciais foi examinada como exemplo de uma direita jovem que tenta ocupar o espaço político do bolsonarismo. Diemerson descreveu seu discurso como autoritário e baseado na criação permanente de inimigos.

O professor citou a proposta de “desfavelização” para sustentar que o candidato aborda um problema social por meio da segurança pública, e não de políticas de moradia, urbanização e redução da desigualdade.

“Quando ele fala de desfavelização, ela vem sempre colada com uma política de segurança e não como uma política social, não como uma política de habitação”, explicou.

Na interpretação de Diemerson, a palavra poderia estar associada à melhoria das condições de moradia, à oferta de serviços públicos e à transformação dos territórios. No discurso analisado, porém, ela assumiria um sentido de repressão às populações mais vulneráveis.

“Não é uma política emancipatória. É uma política de dizimar”, afirmou.

O pesquisador acredita que Renan perdeu espaço depois de assumir uma postura agressiva nos debates. Ele observou que parte do eleitorado busca candidatos firmes, mas pode rejeitar demonstrações explícitas de autoritarismo.

“O Renan extrapola porque mostra feições ditatoriais que ainda não são bem-vindas”, avaliou.

Diemerson alertou que, apesar da perda de força na campanha atual, esse tipo de organização pode crescer nos próximos anos e consolidar um partido assumidamente fascista no Brasil.

“Isso é um problema daqui a quatro anos, porque tende a ganhar mais um partido fascista”, advertiu.

O crescimento de Augusto Cury

A ascensão eleitoral de Augusto Cury também foi abordada. Diemerson interpretou o fenômeno como uma procura por um candidato aparentemente moderado, sobretudo entre eleitores que rejeitam tanto o Presidente Lula quanto Flávio Bolsonaro.

“O perfil mais pacato, mais sem graça, atrai um público que não queria entrar na polarização”, afirmou.

O professor avaliou, no entanto, que a imagem de moderação não corresponde necessariamente às propostas apresentadas. Para ele, Cury não possui experiência na formulação e execução de políticas públicas, nem uma equipe técnica capaz de oferecer sustentação a um eventual governo.

“É um livro de autoajuda transformado em plano de governo”, resumiu Diemerson.

Sandra também considerou que o crescimento pode ser momentâneo. Na visão da professora, Cury não dispõe da organização política encontrada em grupos associados a Renan Santos ou Nikolas Ferreira e pode perder visibilidade depois da eleição.

Ela ainda mencionou questionamentos sobre informações curriculares apresentadas pelo candidato. Diemerson concordou e classificou parte dessas credenciais como uma construção destinada a fortalecer uma personagem pública.

“São personagens com currículos editados”, afirmou.

As sabatinas com o Presidente Lula

Ao avaliar a entrevista do Presidente Lula, Diemerson considerou que parte da bancada adotou um comportamento próximo ao de um interrogatório. Para ele, a reação de Lula às interrupções demonstrou que o candidato tinha domínio político e não aceitaria passivamente o enquadramento proposto pelos entrevistadores.

“A gente queria um personagem político que é articulador, mas que também tem um pensamento soberano. Ele não é bobo”, declarou.

Na comparação com os demais candidatos, Diemerson afirmou que Lula foi o único a apresentar um projeto político sustentado por experiências administrativas e equipes capazes de formular políticas públicas.

“Hoje apenas Lula possui um projeto político para o Brasil”, disse.

Segundo o professor, governos progressistas contam com a participação de educadores, pesquisadores, gestores públicos e representantes de instituições na elaboração das propostas. Ele citou a presença de ex-reitores de institutos federais e profissionais ligados às universidades na condução das políticas educacionais.

“Você pode até discordar de como esse projeto será executado ou das ideias desse projeto, mas ele é construído na base”, explicou.

Diemerson reconheceu que as políticas podem avançar em velocidade inferior à desejada, mas ressaltou que a existência de profissionais qualificados garante capacidade mínima de planejamento e execução. Para ele, essa condição não aparece nas candidaturas de Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Augusto Cury.

O apagão da educação durante o governo Bolsonaro

O professor comparou a estrutura dos governos do Presidente Lula com a experiência administrativa de Jair Bolsonaro. Segundo ele, a gestão anterior foi marcada pela dificuldade de formar equipes qualificadas e pela ausência de políticas consistentes em áreas essenciais.

Diemerson destacou as sucessivas mudanças no Ministério da Educação. Na leitura do pesquisador, a troca frequente de ministros demonstrou a falta de planejamento e impediu a continuidade das ações.

“Só no Ministério da Educação a gente teve cinco ministros e nenhuma política pública de educação, um apagão da educação durante quatro anos no Brasil”, declarou.

Ele rejeitou a tentativa de atribuir a paralisia exclusivamente à pandemia. Para Diemerson, a ineficiência administrativa decorreu também da falta de quadros preparados para planejar programas, administrar o orçamento e executar políticas públicas.

“Se eu tenho orçamento, alguma coisa teria que acontecer. Não aconteceu nada nos quatro anos do Bolsonaro, não por conta da pandemia, mas por uma ineficiência de quadros técnicos para compor um caminho de governo”, afirmou.

Renovação da esquerda

Apesar de defender a candidatura do Presidente Lula, Diemerson sustentou que a esquerda precisa formar novas lideranças capazes de disputar eleições nacionais. Ele considera que um quarto mandato deve preparar uma sucessão e criar condições para a continuidade de um projeto progressista.

“Acho que o Lula tinha que começar a deixar o cargo e fazer um quarto governo que aponte para uma sucessão e novos quadros da esquerda”, disse.

Na avaliação do professor, essa renovação não pode ser adiada porque políticos mais jovens da extrema direita já acumulam visibilidade, seguidores e influência. Nikolas Ferreira foi citado como exemplo de uma liderança com potencial para disputar a Presidência no futuro.

Diemerson advertiu que a fragmentação interna do campo progressista pode favorecer esse crescimento. Ele reconheceu a diversidade existente na esquerda, mas defendeu unidade eleitoral diante do risco de retorno do bolsonarismo ao governo federal.

“Nós nascemos como um campo da multiplicidade, como um campo da diversidade”, afirmou. Para o pesquisador, as divergências não serão resolvidas às vésperas da eleição e não deveriam impedir a circulação de conteúdos progressistas.

“Tem que curtir, tem que compartilhar, tem que colocar para frente, tem que apoiar, mesmo que você não concorde com uma linha de um, uma linha do outro, um ponto aqui ou ali”, defendeu.

O professor também ressaltou a importância da eleição de deputados federais, deputados estaduais e senadores comprometidos com a governabilidade. Sem uma base parlamentar, argumentou, um novo mandato do Presidente Lula continuaria sujeito às pressões de um Congresso majoritariamente conservador.

Ao mesmo tempo, Diemerson defendeu que a mobilização eleitoral seja acompanhada por cobrança política. Para ele, a sustentação do governo não deve impedir que os movimentos progressistas pressionem por medidas sociais mais avançadas e pela formação de novas lideranças nacionais.

“A esquerda tem um monte de problemas. Nós não vamos resolver os problemas da esquerda faltando 30 dias para as eleições”, concluiu.

Referências

Eles não querem que você saiba: as armadilhas da desinformação, Silvia Moretzsohn, ano não informado

O príncipe, Nicolau Maquiavel, 1532

📺 Programa Democracia no Ar
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 10h às 11h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
👥 Torne-se membro do nosso canal no YouTube
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O

“A maior distância que a gente tem da verdade não é o erro, mas a confusão”

Diemerson Sacchetto e Sandra Helena analisam a cobertura da imprensa, a força digital da extrema direita e os desafios da esquerda na eleição de 2026

Da Redação

A circulação sistemática de mentiras, a repetição exaustiva de determinadas notícias e a dificuldade do campo progressista para estabelecer uma comunicação própria foram os principais temas de uma nova edição do Democracia no Ar. O programa recebeu Sandra Helena, professora de Filosofia, e Diemerson Sacchetto, PhD em Psicologia e professor titular do Instituto Federal do Espírito Santo, o Ifes.

Em entrevista ao programa da Atitude Popular, apresentado por Sara Goes, os convidados analisaram o subtexto das notícias, os critérios adotados pelos grandes veículos e a maneira como redes organizadas da extrema direita exploram os algoritmos para interferir no debate político. A conversa foi realizada no segmento A notícia que você não vê, dedicado à análise dos enquadramentos, interesses e omissões presentes no noticiário.

Diemerson atua nas áreas de Psicologia Social, Política e Cultura Digital. O professor também desenvolve uma pesquisa sobre os métodos de comunicação utilizados pela extrema direita nas redes sociais. Sandra, por sua vez, acompanha criticamente a cobertura dos principais acontecimentos políticos e participa regularmente das análises promovidas pela Atitude Popular.

A confusão como forma de desinformar

Para Diemerson, o problema atual vai além das informações falsas que circulam nas plataformas digitais. O pesquisador entende que a quantidade de versões contraditórias, acusações e fatos apresentados fora de contexto cria um ambiente no qual as pessoas têm dificuldade de distinguir o que aconteceu, quem participou e quais interesses estão presentes.

“A maior distância que a gente tem da verdade não é o erro, mas a confusão”, afirmou.

Segundo ele, a extrema direita não trabalha apenas com distorções ou interpretações tendenciosas. Em muitos casos, emprega a mentira de forma deliberada e em grande escala, obrigando comunicadores progressistas a gastar tempo e energia na tentativa de desfazer versões falsas.

“O que a gente percebe é que existe um conjunto massivo de mentiras e que, às vezes, no campo progressista, a gente fica passando mais tempo tentando desfazer aquilo que é colocado como lastro pela extrema direita do que comunicando aquilo que gostaria de estar comunicando”, explicou.

Esse comportamento reativo, na avaliação do professor, limita a capacidade da esquerda de apresentar propostas, divulgar realizações e disputar a interpretação dos acontecimentos. Quando um parlamentar ou influenciador progressista reproduz uma publicação de Nikolas Ferreira para contestá-la, por exemplo, ajuda a manter o adversário no centro do debate.

Diemerson ressaltou que os conteúdos originais da extrema direita frequentemente alcançam dezenas de milhões de visualizações, enquanto as respostas produzidas pelo campo progressista chegam a um público muito menor.

“Nós estamos reagindo. Comunicadores de esquerda, sistemas de informação e comunicação progressistas, inclusive influenciadores do nosso campo político, passam muito tempo respondendo”, observou.

Para o pesquisador, a tarefa pendente é construir uma linguagem capaz de informar e mobilizar sem ficar subordinada às pautas lançadas pelos adversários.

“Nós ainda estamos tentando encontrar o tom de como vamos informar e comunicar as pessoas com um conteúdo que não seja apenas uma reação às cortinas de fumaça impostas pela extrema direita”, declarou.

O papel dos algoritmos

Diemerson afirmou que as plataformas digitais favorecem mensagens associadas ao conflito e ao discurso de ódio. Conteúdos que provocam medo, indignação ou revolta tendem a receber mais comentários, compartilhamentos e visualizações, o que amplia sua distribuição.

“A estrutura dos algoritmos das redes sociais e do novo modelo de comunicação é implicada no discurso de ódio”, disse.

Esse funcionamento coloca o campo progressista diante de uma escolha difícil. Por um lado, políticos com uma comunicação mais combativa conseguem maior alcance. Por outro, a simples reprodução do modelo adversário pode levar a esquerda a adotar uma linguagem incompatível com os valores que pretende defender.

Diemerson citou Érika Hilton como exemplo de parlamentar progressista que alcança visibilidade por meio de uma atuação mais incisiva. Ele ponderou, contudo, que cada escolha de linguagem precisa ser examinada para que a busca por alcance não transforme a comunicação em uma sequência de provocações.

“Vai caber à comunicação decidir se a gente vai querer adotar o mesmo tom mais abrasivo. Eu ainda estou um pouco receoso”, afirmou.

A disputa pelo significado das palavras

A linguagem, segundo Diemerson, interfere diretamente na maneira como os problemas sociais são percebidos. Mudar um termo não é apenas substituir uma palavra por outra, mas alterar a compreensão pública sobre as pessoas envolvidas e sobre a resposta que o Estado deve oferecer.

O professor lembrou a substituição da expressão “menor infrator” por “adolescente em conflito com a lei”. A primeira formulação reduz o jovem ao ato cometido. A segunda permite enxergá-lo como uma pessoa em desenvolvimento, protegida por direitos e sujeita a medidas socioeducativas.

“Não é só uma questão de mudança dos termos. Nós queremos mudar a realidade do entendimento e, obviamente, mudar a política pública e as políticas sociais”, explicou.

Para o pesquisador, a extrema direita também compreendeu a importância dessa disputa. Seus comunicadores escolhem palavras capazes de criar inimigos, provocar reações emocionais e naturalizar propostas autoritárias. O domínio da linguagem passa, assim, a influenciar a percepção sobre os fatos e as soluções consideradas aceitáveis.

Da universidade para as redes sociais

Diemerson contou que começou a produzir conteúdo digital ao perceber que os trabalhos acadêmicos, embora necessários, têm circulação limitada. O conhecimento produzido nas universidades precisa ser apresentado de maneira compreensível para alcançar pessoas que não leem artigos científicos.

“Se nós não deixássemos as torres de marfim da vida, artigo científico não ia mudar e não vai mudar a realidade”, afirmou.

O pesquisador utiliza a análise lexical para estudar discursos políticos. Seu projeto acompanha entre 100 e 150 perfis ligados à extrema direita, incluindo parlamentares, influenciadores, líderes religiosos, artistas e canais de comunicação.

O objetivo é entender como esses atores formam nichos, dividem tarefas e ajustam as mensagens conforme o público. O estudo deverá resultar em um livro sobre o sistema de comunicação desenvolvido por esses grupos.

“Existe uma inteligência de comunicação em que cada um vai exercendo uma função”, explicou.

Nem todos os participantes precisam dizer a mesma coisa ou atuar da mesma maneira. Alguns criam acusações, outros lhes conferem aparência religiosa ou institucional e há quem transforme o conteúdo em humor, indignação ou convocação política. Essa distribuição ajuda a mensagem a circular entre grupos diferentes.

Sandra Helena aponta seleção e repetição no noticiário

Sandra Helena destacou que a desinformação não ocorre apenas por meio de uma mentira direta. Um veículo pode induzir determinada interpretação ao insistir em um assunto, omitir informações relevantes, apresentar fatos sem contexto ou dedicar tratamento desigual a personagens envolvidos em situações semelhantes.

A professora mencionou a mudança brusca de foco no noticiário político. Após uma sequência de publicações envolvendo Lulinha, filho do Presidente Lula, a cobertura teria passado a concentrar-se no confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno das investigações relacionadas ao Banco Master.

Sandra chamou atenção para o espaço concedido ao caso nos telejornais. Segundo seu relato, uma edição do Jornal Nacional teria dedicado aproximadamente 37 minutos às relações de Daniel Vorcaro com pessoas ligadas ao Supremo Tribunal Federal.

Para ela, a duração e a repetição lembraram a cobertura da Operação Lava Jato. Naquele período, notícias sobre investigações, delações e suspeitas permaneciam continuamente na programação, produzindo uma interpretação pública antes da conclusão dos processos judiciais.

Sandra questionou por que a ligação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro não recebeu insistência semelhante. Ela lembrou que informações a respeito dessa relação foram reveladas por veículos alternativos, enquanto os grandes grupos não mantiveram o tema em destaque com a mesma frequência.

A professora também alertou que uma cobertura capaz de deslegitimar o Supremo como um todo pode favorecer movimentos contrários à democracia e fornecer argumentos para tentativas de contestação das eleições brasileiras.

Interesses econômicos e crise institucional

Diemerson concordou com a crítica de Sandra, mas afirmou não estar surpreso com a atuação dos grandes veículos. Segundo ele, os grupos empresariais de comunicação possuem interesses econômicos e políticos que historicamente os aproximam de projetos neoliberais.

“A grande mídia está fazendo aquilo que fez na Lava Jato, como funcionou na ditadura. É uma mídia que tenta caminhar sempre para um caminho de apoio ao neoliberalismo”, afirmou.

O professor ressalvou que isso não significa, necessariamente, a existência de uma adesão coordenada à candidatura de Flávio Bolsonaro. Para Diemerson, a crise institucional também pode ser comercialmente vantajosa para empresas que dependem de audiência, repercussão e produção contínua de conteúdo.

“Eu penso que existe muito mais um alinhamento a uma confusão, a uma desordem institucional. Quanto mais as instituições são colocadas em xeque e vão para o caminho do desgoverno, existe maior produção de conteúdo e maior possibilidade de ganhos econômicos da grande mídia”, avaliou.

Na análise do professor, a extrema direita se beneficia desse processo mesmo quando os veículos não atuam diretamente em seu favor. A desconfiança dirigida ao STF fortalece propostas de impeachment de ministros e reduz a capacidade do tribunal de desempenhar seu papel institucional.

O STF sob ataque

O debate também recuperou a atuação do Supremo durante a pandemia e na resposta à tentativa de golpe. Sandra lembrou que integrantes da esquerda mantêm críticas históricas ao Judiciário, especialmente por decisões favoráveis aos interesses das classes proprietárias. Essa avaliação, segundo ela, não elimina a necessidade de reconhecer a importância assumida pelo STF diante do autoritarismo.

A professora observou que os conflitos ganharam força durante a pandemia, quando o Supremo reconheceu a autonomia de estados e municípios para adotar medidas sanitárias. A decisão permitiu que governadores enfrentassem políticas do governo Bolsonaro que ameaçavam a proteção da população.

Diemerson também ressaltou o papel do tribunal na reação aos acontecimentos de 8 de janeiro.

“O Supremo foi, digamos assim, a salvaguarda da democracia na tentativa de golpe de 8 de janeiro”, declarou.

Para o pesquisador, os ataques a Alexandre de Moraes fazem parte de um processo mais amplo de deslegitimação do STF. Questionamentos também foram dirigidos a Dias Toffoli e André Mendonça, cada um por motivos diferentes. O resultado seria uma percepção de que quase nenhum ministro merece confiança.

“Quanto mais desarticulado ou fragmentado isso estiver, muita gente estará na torcida, não apenas pelo impeachment de Alexandre de Moraes”, afirmou.

Sandra recordou ainda que setores bolsonaristas tentaram atribuir os atos de 8 de janeiro ao próprio governo federal. Quando essa versão perdeu força, os mesmos grupos passaram a defender anistia ou indulto para os condenados.

O enfraquecimento da direita tradicional

Ao analisar as sabatinas dos candidatos à Presidência, Diemerson avaliou que a direita tradicional perdeu qualidade política e capacidade de formular um projeto nacional. Ronaldo Caiado e Romeu Zema foram apontados como representantes de candidaturas que repetem elementos da extrema direita, mas procuram apresentá-los sob uma aparência moderada.

Na leitura do professor, essas candidaturas têm pouca possibilidade de crescimento e servem principalmente para preservar a presença de seus partidos na disputa, dar visibilidade às legendas e sustentar candidaturas proporcionais.

Diemerson também mencionou partidos que adotam alianças diferentes conforme o estado, apoiando o Presidente Lula em determinadas regiões e candidatos de direita em outras. Essa posição pode favorecer a eleição de deputados e senadores, mas dificulta a identificação de um projeto nacional.

A ausência de uma candidatura competitiva da direita tradicional teria deixado a disputa presidencial concentrada entre o Presidente Lula e Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo que abriu espaço para o aparecimento de nomes como Renan Santos e Augusto Cury.

A estratégia de Renan Santos

Para Diemerson, Renan Santos tenta ocupar o espaço de uma extrema direita mais jovem e declaradamente autoritária. O pesquisador identificou em seu discurso elementos associados ao fascismo, como a criação de inimigos permanentes, a defesa da repressão e a apresentação da violência estatal como resposta aos problemas sociais.

O professor analisou especificamente o uso da palavra “desfavelização”. Segundo ele, o candidato não associa a proposta a programas de habitação, urbanização, saneamento ou ampliação dos serviços públicos. O termo aparece ligado à segurança e à repressão.

“Quando ele fala de desfavelização, ela vem sempre colada com uma política de segurança e não como uma política social, não como uma política de habitação”, disse.

Caso a proposta estivesse relacionada à melhoria das moradias e das condições de vida, poderia representar uma transformação social nos territórios. Na formulação apresentada por Renan, porém, Diemerson identifica uma política dirigida contra a população que vive nas favelas.

“Não é uma política emancipatória. É uma política de dizimar”, afirmou.

O professor acredita que a postura agressiva prejudicou Renan durante as sabatinas. Parte do eleitorado espera firmeza de um candidato, mas pode afastar-se quando identifica sinais explícitos de autoritarismo.

“O Renan extrapola porque mostra feições ditatoriais que ainda não são bem-vindas”, avaliou.

Diemerson alertou que a perda momentânea de força não significa que o grupo tenha deixado de representar um risco. Uma organização jovem, com atuação digital e discurso assumidamente autoritário, pode crescer nos próximos ciclos eleitorais.

“Isso é um problema daqui a quatro anos, porque tende a ganhar mais um partido fascista”, advertiu.

A ascensão de Augusto Cury

O crescimento de Augusto Cury foi interpretado como resultado da procura por uma candidatura aparentemente afastada da polarização entre o Presidente Lula e Flávio Bolsonaro. Diemerson avaliou que a postura mais calma de Cury atrai eleitores que rejeitam o confronto direto.

“O perfil mais pacato, mais sem graça, atrai um público que não queria entrar na polarização”, afirmou.

Na avaliação do pesquisador, essa aparência moderada não significa que as propostas também sejam de centro. Cury estaria situado no campo da direita, sem experiência na execução orçamentária ou na construção de políticas públicas.

“É um livro de autoajuda transformado em plano de governo”, resumiu.

Sandra considerou que o crescimento pode ser passageiro. Diferentemente de grupos organizados ao redor de nomes como Nikolas Ferreira e Renan Santos, Cury não teria uma estrutura política consolidada para manter presença contínua depois da eleição.

Os participantes também mencionaram dúvidas sobre as credenciais acadêmicas apresentadas pelo candidato. Diemerson afirmou que figuras públicas podem ajustar a descrição de seus currículos para construir uma imagem de competência superior à experiência efetivamente demonstrada.

“São personagens com currículos editados”, disse.

Lula foi o único a apresentar um projeto, diz Diemerson

Ao comparar as sabatinas, Diemerson considerou que parte da entrevista com o Presidente Lula assumiu o formato de um interrogatório. A resposta firme do candidato às interrupções foi interpretada pelo pesquisador como demonstração de experiência e autonomia.

“A gente queria um personagem político que é articulador, mas que também tem um pensamento soberano. Ele não é bobo”, afirmou.

Diemerson concluiu que, entre os nomes apresentados, apenas Lula demonstrou possuir um projeto de governo apoiado por experiência administrativa, formulação política e equipes capazes de executar programas públicos.

“Hoje apenas Lula possui um projeto político para o Brasil”, declarou.

O professor explicou que governos progressistas contam com a participação de educadores, pesquisadores, servidores e gestores na elaboração das políticas. Ele citou a presença de ex-reitores de institutos federais e profissionais vinculados às universidades na condução das ações educacionais.

“Você pode até discordar de como esse projeto será executado ou das ideias desse projeto, mas ele é construído na base”, disse.

Na avaliação de Diemerson, uma política pode avançar em ritmo inferior ao esperado, mas a presença de profissionais qualificados permite que ela seja planejada, executada e submetida à avaliação pública.

“Caminha bem, caminha mal, não caminha na velocidade que eu gostaria, mas caminha porque tem quadro técnico”, afirmou.

Ele não identificou a mesma capacidade nas candidaturas de Renan Santos, Augusto Cury e Flávio Bolsonaro.

A falta de políticas durante o governo Bolsonaro

Diemerson comparou as propostas apresentadas na campanha com a gestão de Jair Bolsonaro. Para o professor, o governo anterior sofreu com a ausência de profissionais capacitados e com a dificuldade de manter políticas permanentes em áreas como saúde e educação.

As sucessivas trocas no Ministério da Educação foram mencionadas como exemplo. Segundo o pesquisador, a instabilidade impediu a formulação de uma política nacional consistente.

“Só no Ministério da Educação a gente teve cinco ministros e nenhuma política pública de educação, um apagão da educação durante quatro anos no Brasil”, declarou.

Diemerson rejeitou a explicação de que a pandemia, isoladamente, teria impedido o funcionamento do governo. Para ele, também houve incapacidade de administrar recursos e executar programas.

“Se eu tenho orçamento, alguma coisa teria que acontecer. Não aconteceu nada nos quatro anos do Bolsonaro, não por conta da pandemia, mas por uma ineficiência de quadros técnicos para compor um caminho de governo”, afirmou.

A esquerda precisa preparar a sucessão

Embora tenha defendido a candidatura do Presidente Lula, Diemerson afirmou que um eventual quarto mandato precisa preparar uma sucessão. A esquerda, segundo ele, necessita formar lideranças competitivas para evitar que políticos mais jovens da extrema direita ocupem esse espaço nas próximas eleições.

“Acho que o Lula tinha que começar a deixar o cargo e fazer um quarto governo que aponte para uma sucessão e novos quadros da esquerda”, defendeu.

Nikolas Ferreira foi citado como um dos nomes que podem disputar a Presidência no futuro. O professor alertou que o crescimento digital e eleitoral dessas lideranças ocorre enquanto o campo progressista ainda depende fortemente do Presidente Lula.

A eleição de deputados estaduais, deputados federais e senadores também foi apresentada como indispensável para dar sustentação a um novo governo. Diemerson argumentou que a vitória presidencial, sozinha, não assegura condições para aprovar políticas sociais em um Congresso conservador.

Ao defender maior unidade na campanha, o pesquisador reconheceu que a esquerda reúne partidos, movimentos e correntes com diferentes posições.

“Nós nascemos como um campo da multiplicidade, nós nascemos como um campo da diversidade”, afirmou.

Essas diferenças, na avaliação dele, não serão solucionadas nas semanas finais da disputa. Por isso, não deveriam impedir o apoio a conteúdos progressistas nem a mobilização em favor de candidaturas comprometidas com a democracia.

“A esquerda tem problema? Tem um monte de problema. Nós não vamos resolver os problemas da esquerda faltando 30 dias para as eleições”, disse.

Diemerson também defendeu que o apoio ao Presidente Lula seja acompanhado pela pressão dos movimentos sociais. Um novo mandato, segundo ele, deveria adotar posições mais avançadas, assegurar governabilidade e abrir espaço para novas lideranças.

“É uma responsabilidade do governo do PT e uma exigência que nós temos que fazer para o próximo presidente: criar condições de continuidade e governabilidade”, concluiu.

Referências

Eles não querem que você saiba: as armadilhas da desinformação, Silvia Moretzsohn, ano não informado

O príncipe, Nicolau Maquiavel, 1532

📺 Programa Democracia no Ar
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 10h às 11h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
👥 Torne-se membro do nosso canal no YouTube
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O

Leia também