Incêndio na UFPE ocorre em meio a atos pró-Lula e levanta suspeita de ataque político

Da Redação

Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife. As chamas atingiram o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE), unidade ligada ao Núcleo de Inovação Tecnológica da universidade. O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas para combater o fogo. Até a última atualização, não havia informação oficial sobre vítimas ou sobre a extensão dos danos.

O incêndio ocorreu em meio a uma sequência de mobilizações políticas e estudantis dentro e fora da universidade. Na terça-feira (6), estudantes da UFPE haviam realizado um ato em defesa da candidatura do Presidente Lula no segundo turno, com pautas relacionadas à democracia, à educação pública e ao financiamento das universidades federais. Para esta quarta-feira, novas atividades estudantis estavam previstas no campus.

Suspeita de incêndio criminoso ganha força após relatos de ameaças

A possibilidade de o incêndio ter sido provocado deliberadamente passou a ser levantada por estudantes e integrantes da comunidade acadêmica depois que surgiram relatos de ameaças dirigidas a setores da UFPE. Segundo relatos publicados após o incêndio, estudantes teriam recebido mensagens com referências à possibilidade de “explodir” um departamento em nome de Flávio Bolsonaro. Até o momento, contudo, não existe confirmação oficial de que essas ameaças estejam relacionadas ao fogo que atingiu o prédio da DINE.

A coincidência temporal é um dos elementos que motivaram a cobrança por uma investigação. O incêndio ocorreu poucas horas depois de uma nova mobilização estudantil em defesa do Presidente Lula e um dia após atos realizados no campus. A suspeita levantada por estudantes e políticos é de que o episódio possa ter origem criminosa e estar relacionado ao ambiente de conflito político que antecede o segundo turno. Essa hipótese ainda precisa ser investigada pelas autoridades e não pode ser tratada como causa estabelecida do incêndio.

O deputado federal eleito Jones Manoel defendeu uma apuração imediata pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Segundo relato divulgado nas redes sociais, ele recebeu informações sobre ameaças feitas antes do incêndio e afirmou que o prédio atingido abrigava materiais e projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes e pesquisadores. A existência dessas ameaças e sua eventual relação com o incêndio deverão ser verificadas em investigação própria.

O contexto merece atenção também porque este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em um intervalo de pouco mais de uma semana. Em 30 de setembro, o fogo atingiu um laboratório do Departamento de Física. Segundo a universidade, havia suspeita de que o incêndio tivesse começado em uma câmara de alta temperatura. Em 5 de outubro, outro laboratório, no Centro de Biociências, também foi atingido. As duas ocorrências anteriores não deixaram feridos.

A repetição dos episódios, somada aos relatos de ameaças políticas, torna necessária a apuração individual de cada ocorrência e também da possibilidade de conexão entre elas. Até agora, não há informação oficial estabelecendo que os três incêndios tenham a mesma origem.

Mobilização estudantil se espalha pelo país

O incêndio aconteceu no mesmo período em que estudantes de diferentes universidades brasileiras começaram a organizar atos em defesa do Presidente Lula para o segundo turno. A mobilização ganhou força após o resultado do primeiro turno e já alcançou instituições de diferentes estados. Na própria UFPE, estudantes realizaram assembleias e manifestações em defesa da universidade pública, da democracia e da manutenção dos investimentos em educação.

No Rio de Janeiro, a União Nacional dos Estudantes levou nesta quarta-feira (7) milhares de estudantes secundaristas e universitários às ruas do centro da cidade em um ato pela reeleição do Presidente Lula. A passeata saiu da região da Candelária e seguiu até a Cinelândia, passando por áreas centrais da cidade. Os manifestantes defenderam a expansão e a gratuidade da educação pública, a continuidade do programa Pé-de-Meia e o fim dos cortes no orçamento destinado à educação.

A UNE anunciou que pretende manter a mobilização durante a campanha do segundo turno, com novos atos em outras cidades. Em São Paulo, uma manifestação está prevista para o domingo (11), enquanto estudantes do Rio Grande do Norte organizam uma plenária antes da agenda do Presidente Lula em Natal. A entidade também afirma que pretende ampliar a participação estudantil nos atos até a votação de 25 de outubro.

A simultaneidade entre a mobilização estudantil e o incêndio na UFPE colocou o episódio sob atenção política, mas a cronologia, sozinha, não comprova autoria ou motivação. A confirmação de eventual ataque organizado dependerá da investigação sobre a origem das chamas, das mensagens de ameaça relatadas por estudantes e de outros elementos que possam ser reunidos pelas autoridades.

Até que essas informações sejam esclarecidas, permanecem duas informações objetivas: a UFPE registrou três incêndios em pouco mais de uma semana e o último deles ocorreu no mesmo período em que a comunidade estudantil ampliava manifestações políticas em defesa do Presidente Lula. A investigação deverá determinar se existe alguma relação entre os fatos.