Fogo destruiu laboratórios da UFPE e atingiu igreja em Santa Catarina; ameaças contra universidades também são investigadas pelas autoridades.
Da Redação
Incêndios em uma igreja de Santa Catarina e em laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), além de ameaças contra instituições de ensino, ganharam repercussão nas redes sociais durante a campanha para o segundo turno presidencial. Os episódios foram reunidos em uma publicação da deputada e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), que ampliou o debate entre apoiadores do Presidente Lula. As informações são da Revista Fórum.
No domingo (11), um incêndio de grandes proporções atingiu a Igreja Matriz São José, em Treze de Maio, no sul catarinense. O fogo destruiu parte do interior do templo e comprometeu sua estrutura. Moradores conseguiram retirar imagens sacras e outros objetos antes que as chamas avançassem. Não houve registro de feridos. A origem do incêndio ainda depende de perícia.
Em Pernambuco, a Polícia Federal investiga o incêndio ocorrido em 7 de outubro na UFPE, que destruiu laboratórios de pesquisa nas áreas de genética, fármacos, informática e inovação terapêutica. Segundo o reitor Alfredo Gomes, os prejuízos podem chegar a R$ 100 milhões, sem contabilizar integralmente a perda de pesquisas e dados acumulados ao longo de duas décadas.
Ameaças contra universidades
O incêndio na UFPE ocorreu um dia depois de manifestações estudantis contra Flávio Bolsonaro no campus do Recife. Estudantes relataram ameaças com referências à candidatura do senador, incluindo uma mensagem que mencionava a possibilidade de explodir um departamento da universidade. A Polícia Federal investiga o incêndio e também apura as ameaças, sem que esteja estabelecida uma relação entre os dois fatos.
A universidade havia registrado outros dois incêndios nos oito dias anteriores, em laboratórios de Física e Biociências. Segundo informações divulgadas pelo reitor, as avaliações preliminares desses casos apontaram causas técnicas, como um experimento laboratorial e um curto-circuito.
A destruição dos laboratórios levou a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Ministério da Educação a anunciar medidas emergenciais para os programas de pós-graduação afetados, incluindo apoio para equipamentos e prorrogação de bolsas.
Também no Rio de Janeiro, a Universidade Federal Fluminense (UFF) acionou a Polícia Federal após receber denúncias de mensagens que ameaçavam incendiar instalações e agredir estudantes durante manifestações políticas. Parte do conteúdo circulou em um grupo chamado “Juntos com Bolsonaro”.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, mensagens com símbolos nazistas e ameaças de explosão durante uma manifestação estudantil também motivaram investigação policial. Diante dos relatos, o Ministério da Educação acionou a área da Polícia Federal responsável pelo combate a crimes cibernéticos.
Os episódios provocaram preocupação entre estudantes, pesquisadores e apoiadores do Presidente Lula, mas as causas dos incêndios e a autoria das ameaças seguem sob investigação. Até que as apurações avancem, não há elementos suficientes para afirmar que os casos estejam relacionados ou que tenham sido provocados por motivação político-eleitoral.
Dia do Fogo: estudo identificou incêndios simultâneos em São Paulo
Um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), divulgado em agosto de 2024 e publicado por O Eco, reforçou a hipótese de que uma onda de incêndios em São Paulo poderia ter sido coordenada. A análise identificou o surgimento de uma cortina de fumaça no oeste paulista em apenas 90 minutos, no dia 23 de agosto. Entre duas passagens de satélite, os focos de calor registrados no estado saltaram de 25 para 1.886.
Entre 22 e 24 de agosto, foram contabilizados cerca de 2,6 mil focos de calor em São Paulo, dos quais 81,28% estavam em áreas de uso agropecuário, como plantações de cana-de-açúcar e pastagens. Para o IPAM, a concentração dos incêndios em um intervalo tão curto reforçava a suspeita de uma ação orquestrada, embora a análise científica, por si só, não comprovasse a autoria criminosa.
O episódio foi comparado ao chamado “Dia do Fogo”, registrado em 10 de agosto de 2019, quando uma ação coordenada provocou incêndios em centenas de propriedades rurais no Pará. O precedente mostra a importância de investigar possíveis ações organizadas, sem antecipar conclusões sobre os responsáveis.






