Com investimentos bilionários e uma estratégia industrial de longo prazo, Nova Délhi começa a construir sua própria cadeia de semicondutores. Em vez de disputar imediatamente a fabricação dos processadores mais avançados, o país aposta em tecnologias essenciais à indústria, à energia e às telecomunicações. A iniciativa revela como o controle da produção tecnológica se tornou uma questão de soberania nacional e oferece lições importantes para o Brasil.
Da Redação
A Índia está executando uma das mais importantes iniciativas de transformação industrial de sua história recente, com investimentos bilionários destinados à construção de uma cadeia nacional de semicondutores. O país, que já reúne uma parcela expressiva dos profissionais envolvidos no desenvolvimento mundial de circuitos integrados, pretende superar sua dependência da fabricação estrangeira e conquistar espaço na produção dos componentes que sustentam a economia digital. A estratégia, examinada em reportagem publicada nesta segunda-feira (2) pela RT, representa uma decisão econômica e geopolítica: em vez de concentrar seus recursos na disputa imediata pelos processadores mais avançados de inteligência artificial, Nova Délhi está priorizando chips utilizados em automóveis, máquinas industriais, redes elétricas, equipamentos médicos, telecomunicações e sistemas eletrônicos essenciais.
A escolha revela uma compreensão importante da estrutura real da indústria tecnológica. Embora os processadores de última geração concentrem a atenção dos mercados financeiros e das grandes empresas de inteligência artificial, grande parte do funcionamento cotidiano das sociedades depende de semicondutores produzidos com tecnologias já consolidadas. São componentes responsáveis pelo controle de motores, gerenciamento de energia, funcionamento de sensores, comunicação entre equipamentos e operação de sistemas industriais. Sua importância não está necessariamente na velocidade de processamento, mas na confiabilidade, no custo e na capacidade de atender a milhões de aplicações diferentes.
Enquanto empresas como a taiwanesa TSMC e a sul-coreana Samsung disputam o desenvolvimento de processos de fabricação cada vez menores, chegando à escala de dois nanômetros, a Índia concentra inicialmente seus esforços em tecnologias entre 28 e 180 nanômetros. Esses números indicam gerações distintas de processos industriais, mas não devem ser confundidos com uma classificação simples entre produtos úteis e obsoletos. Determinados componentes necessitam de arquiteturas extremamente avançadas; outros continuam sendo fabricados de maneira mais econômica e eficiente com processos maduros. Em diversas aplicações industriais, a estabilidade e a durabilidade são mais importantes do que a miniaturização extrema.
A dimensão desse mercado ajuda a explicar a decisão indiana. Segundo Neil Shah, vice-presidente de pesquisa da Counterpoint Research, os semicondutores produzidos em processos maduros representam aproximadamente 70% da fabricação mundial em volume. São utilizados em praticamente todos os setores que dependem de equipamentos eletrônicos. Mesmo grandes centros de processamento de inteligência artificial precisam desses componentes para administrar energia, controlar temperatura, movimentar informações e operar sistemas de comunicação. Portanto, a expansão da inteligência artificial também aumenta a demanda por uma variedade de chips que não pertencem à categoria dos processadores mais sofisticados.
O governo do primeiro-ministro Narendra Modi procura transformar essa realidade em uma oportunidade de industrialização. Desde 2021, a Índia desenvolve o programa Semicon India, concebido para apoiar projetos de fabricação, montagem, encapsulamento, testes e desenvolvimento de semicondutores. A primeira fase recebeu uma dotação de 760 bilhões de rúpias, aproximadamente US$ 9 bilhões na conversão de referência utilizada quando o programa foi estruturado. Em julho de 2026, o governo aprovou a segunda etapa, denominada India Semiconductor Mission 2.0, com previsão de 1,275 trilhão de rúpias para aprofundar a construção do setor.
A política não consiste apenas em subsidiar fábricas isoladas. Seu objetivo declarado é estabelecer uma estrutura produtiva capaz de integrar pesquisa, desenvolvimento de projetos, fabricação de componentes, fornecimento de materiais, equipamentos especializados e formação profissional. Essa integração é indispensável porque a indústria de semicondutores depende de uma rede altamente complexa de conhecimentos e fornecedores. Uma instalação industrial pode receber investimentos expressivos e, ainda assim, permanecer vulnerável caso dependa integralmente de equipamentos, produtos químicos ou componentes importados.
O primeiro ciclo de investimentos resultou na aprovação de 12 projetos, com compromissos que ultrapassam 1,6 trilhão de rúpias. Entre eles estão instalações de fabricação de semicondutores, unidades de produção de componentes especializados e fábricas voltadas à montagem, ao encapsulamento e aos testes. Em setembro, o governo anunciou que cinco plantas haviam iniciado operações comerciais, incluindo unidades da americana Micron e das empresas Kaynes Semicon, CG Semi, CDIL Semiconductor e Suchi Semicon. Os empreendimentos demonstram que o programa começou a produzir resultados industriais concretos, embora a escala e a complexidade das operações sejam diferentes entre as instalações.
Uma distinção é particularmente importante para avaliar esses resultados. As unidades em funcionamento concentram-se principalmente na montagem, no encapsulamento e nos testes de semicondutores, processos que transformam circuitos previamente fabricados em componentes preparados para utilização comercial. Essa atividade possui valor industrial e tecnológico, mas é diferente da fabricação dos próprios circuitos sobre lâminas de silício, etapa que exige instalações extremamente sofisticadas e controle rigoroso de condições ambientais, materiais e equipamentos. A Índia já ingressou em segmentos relevantes da cadeia produtiva, mas ainda precisa consolidar sua capacidade de fabricação de circuitos integrados em escala comercial.
O principal empreendimento destinado a superar essa limitação está sendo construído em Dholera, no estado de Gujarat. A Tata Electronics desenvolve uma fábrica estimada em aproximadamente US$ 11 bilhões, em parceria com a taiwanesa Powerchip Semiconductor Manufacturing Corporation. O projeto prevê o início da produção comercial em 2028, utilizando inicialmente processos de 55 e 90 nanômetros e avançando posteriormente para 28 nanômetros. A instalação representa uma etapa importante porque permitirá desenvolver competências industriais diretamente associadas à fabricação de circuitos sobre silício, reduzindo a distância entre a capacidade indiana de projetar chips e sua capacidade de produzi-los.
Essa distância constitui uma das contradições mais importantes da estrutura tecnológica do país. A Índia participa de maneira significativa da pesquisa e do desenvolvimento de semicondutores utilizados internacionalmente. Empresas como Intel, Qualcomm e Texas Instruments mantêm centros de engenharia em território indiano, e profissionais do país representam uma parcela relevante da força de trabalho mundial especializada no projeto de chips. Entretanto, a maior parte dos componentes utilizados pela economia indiana continua sendo fabricada no exterior. Segundo estimativas do centro governamental NITI Aayog, entre 90% e 95% da demanda nacional ainda depende de importações.
O problema demonstra que possuir profissionais altamente qualificados não significa controlar automaticamente a estrutura produtiva correspondente. O conhecimento tecnológico pode estar concentrado em trabalhadores nacionais, enquanto as patentes, os equipamentos, as fábricas e as decisões sobre investimentos permanecem sob controle de empresas estrangeiras. A construção de capacidades industriais próprias exige transformar competências científicas e profissionais em organizações produtivas, fornecedores, propriedade intelectual e infraestrutura física. É precisamente essa passagem que o governo indiano procura estimular.
O mercado doméstico oferece uma vantagem importante. A Índia possui uma população numerosa, uma indústria eletrônica em expansão e crescente demanda por automóveis, equipamentos de telecomunicações, infraestrutura energética e dispositivos digitais. O NITI Aayog estima que o mercado nacional de semicondutores poderá ultrapassar US$ 200 bilhões até 2035. Trata-se de uma projeção sujeita a mudanças econômicas e tecnológicas, mas que demonstra a escala do consumo potencial. Uma base de demanda dessa dimensão pode contribuir para sustentar investimentos industriais, desde que as empresas consigam produzir componentes competitivos em preço, qualidade e confiabilidade.
A política de semicondutores também está associada ao projeto mais amplo de desenvolvimento industrial conhecido como Make in India. O governo procura ampliar a participação da produção nacional em cadeias globais anteriormente dominadas por outros centros industriais. A iniciativa combina incentivos fiscais, investimentos públicos, atração de empresas estrangeiras e formação profissional. O objetivo não é eliminar o comércio internacional, mas modificar a posição ocupada pela economia indiana dentro dele, ampliando atividades de maior conteúdo tecnológico e maior capacidade de geração de valor.
Essa estratégia envolve uma relação complexa entre Estado e capital privado. A construção de fábricas de semicondutores exige investimentos extraordinários, frequentemente superiores à capacidade financeira de empresas que ainda não possuem experiência consolidada no setor. O poder público procura reduzir parte dos riscos iniciais por meio de subsídios e apoio à infraestrutura. Em contrapartida, espera que os empreendimentos desenvolvam capacidade produtiva, empregos especializados e fornecedores locais. A eficácia desse modelo dependerá da existência de resultados industriais verificáveis, mecanismos de fiscalização e capacidade de evitar que recursos públicos sejam utilizados sem produzir os benefícios econômicos prometidos.
Os custos tecnológicos ajudam a compreender a necessidade de planejamento de longo prazo. Uma instalação destinada a produzir semicondutores de três nanômetros pode exigir mais de US$ 15 bilhões apenas em investimentos iniciais, além de equipamentos especializados, processos industriais protegidos por propriedade intelectual e equipes com experiência acumulada durante décadas. Mesmo países com grande capacidade financeira enfrentam dificuldades para reproduzir rapidamente as competências de fabricantes estabelecidos. Por isso, a decisão indiana de começar por processos industriais maduros não significa necessariamente renunciar à inovação, mas estabelecer prioridades compatíveis com seus recursos e condições atuais.
O próprio secretário do Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação, S. Krishnan, reconheceu que competir imediatamente na fabricação de chips de dois nanômetros seria excessivamente caro. A avaliação revela uma preocupação com a sustentabilidade econômica dos investimentos. A entrada em segmentos de demanda consolidada permite adquirir experiência, desenvolver fornecedores e formar trabalhadores antes de assumir riscos tecnológicos mais elevados. Ao mesmo tempo, esses segmentos enfrentam concorrência internacional e exigem produtividade suficiente para garantir sua viabilidade comercial.
O programa prevê, portanto, uma expansão gradual das capacidades. A segunda fase concentra-se em seis áreas: projetos de circuitos, equipamentos e materiais, novas fábricas, montagem e encapsulamento, pesquisa e desenvolvimento e formação de profissionais. O governo também pretende ampliar o acesso de universidades e empresas emergentes a ferramentas avançadas de desenvolvimento eletrônico, conhecidas como EDA. Esses sistemas são fundamentais para projetar circuitos, simular seu funcionamento e preparar informações utilizadas posteriormente na fabricação.
A formação profissional ocupa posição central nesse planejamento. Segundo o Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação, aproximadamente 70 mil engenheiros receberam treinamento relacionado ao setor nos últimos quatro anos. O governo também anunciou a disponibilização de ferramentas profissionais para centenas de instituições de ensino e mais de uma centena de empresas emergentes. A ampliação dessa base de conhecimento busca criar condições para que o desenvolvimento tecnológico não dependa exclusivamente da contratação de especialistas estrangeiros ou da presença de subsidiárias de grandes corporações internacionais.
Outro eixo importante envolve a fabricação de equipamentos e materiais. A produção de semicondutores utiliza máquinas de altíssima precisão, gases industriais, produtos químicos especializados, sistemas ópticos, componentes mecânicos e materiais com níveis rigorosos de pureza. A concentração internacional desses fornecedores cria obstáculos para países que desejam desenvolver indústrias nacionais. A Índia reconhece que ainda depende fortemente de importações nessas áreas e procura atrair investimentos capazes de reduzir algumas dessas vulnerabilidades.
A empresa americana Applied Materials anunciou planos de investir aproximadamente US$ 5 bilhões no país ao longo de uma década, incluindo iniciativas relacionadas à pesquisa, às cadeias de suprimentos e à formação profissional. A presença de fornecedores internacionais pode acelerar a aprendizagem industrial, embora também exija atenção às condições de transferência de conhecimento e à capacidade de desenvolvimento de empresas locais. O investimento estrangeiro pode contribuir para a criação de um setor nacional, mas não assegura, isoladamente, autonomia tecnológica.
O plano indiano também considera oportunidades em materiais especializados, como carbeto de silício e nitreto de gálio. Esses semicondutores possuem propriedades importantes para equipamentos que operam com altas temperaturas, tensões elevadas e necessidades específicas de eficiência energética. Suas aplicações incluem veículos elétricos, sistemas de energia renovável, equipamentos industriais e dispositivos de potência. O desenvolvimento desses segmentos permite que a Índia procure posições competitivas em mercados que não dependem exclusivamente da corrida pela menor dimensão dos transistores.
A estratégia possui ainda uma dimensão geopolítica. A fabricação mundial de semicondutores permanece concentrada em determinados países e empresas, especialmente em etapas tecnológicas avançadas. Taiwan e Coreia do Sul desempenham papéis fundamentais na produção, enquanto Estados Unidos, Japão e países europeus controlam segmentos importantes de projeto, equipamentos e materiais. Essa distribuição torna as cadeias de abastecimento vulneráveis a conflitos diplomáticos, sanções econômicas, restrições comerciais e interrupções logísticas.
A rivalidade entre Estados Unidos e China ampliou a utilização dos semicondutores como instrumentos de política estratégica. Washington adotou controles sobre a exportação de determinados equipamentos e tecnologias avançadas, enquanto Pequim intensificou investimentos destinados a ampliar sua capacidade produtiva e reduzir dependências externas. A disputa demonstra que o controle de componentes eletrônicos influencia inteligência artificial, telecomunicações, indústria, segurança cibernética e sistemas militares. A fabricação de chips passou a integrar diretamente as discussões sobre poder econômico e soberania nacional.
A Índia procura aproveitar as oportunidades criadas por essa reorganização sem depender exclusivamente de uma confrontação entre grandes potências. Ao apresentar-se como destino alternativo para investimentos industriais, Nova Délhi busca atrair empresas interessadas em diversificar suas cadeias de fornecimento. A estratégia se apoia em sua base de engenheiros, no mercado interno, em incentivos públicos e na participação internacional do país. Entretanto, a presença de capitais estrangeiros e a integração às cadeias globais também impõem limites à autonomia que poderá ser alcançada.
A política indiana oferece elementos importantes para o debate brasileiro sobre desenvolvimento tecnológico. O Brasil possui universidades, centros de pesquisa, profissionais qualificados e experiências industriais relevantes no setor eletrônico, mas permanece fortemente dependente da importação de semicondutores e de equipamentos utilizados em sua fabricação. Essa dependência alcança a indústria automobilística, a produção de máquinas, as telecomunicações, os sistemas energéticos, a defesa e os serviços digitais. A expansão dessas atividades exige uma política capaz de articular demanda nacional, capacidade científica e investimentos produtivos.
O país também dispõe de instrumentos que podem participar dessa reorganização, incluindo a política Nova Indústria Brasil, instituições públicas de financiamento, programas de pesquisa e estruturas industriais relacionadas à microeletrônica. Entretanto, a construção de uma indústria de semicondutores não pode ser reduzida à inauguração de uma fábrica ou à concessão de benefícios fiscais. Exige continuidade institucional, formação de fornecedores, planejamento de mercados, desenvolvimento de competências técnicas e capacidade de acompanhar transformações tecnológicas durante muitos anos.
A experiência indiana demonstra ainda que a autonomia tecnológica não precisa começar pela tentativa de competir imediatamente com os líderes mundiais em todas as etapas da produção. Uma política industrial pode identificar componentes estratégicos para a economia nacional, escolher processos compatíveis com suas condições e construir capacidades progressivamente. Para o Brasil, isso significa examinar oportunidades em sistemas de potência, componentes industriais, sensores, encapsulamento, testes e desenvolvimento de circuitos especializados, sem perder de vista as possibilidades de cooperação internacional.
A relação entre Brasil e Índia adquire importância particular nesse contexto. Os dois países participam dos BRICS, possuem economias de grande escala e compartilham interesses relacionados ao desenvolvimento científico, à industrialização e à redução de dependências tecnológicas. A cooperação em pesquisa, formação profissional, equipamentos e cadeias de suprimentos pode oferecer oportunidades, desde que sustentada por projetos concretos, investimentos e compromissos institucionais. A existência de afinidades diplomáticas não substitui a necessidade de construir capacidade produtiva e conhecimento próprio.
O avanço indiano também demonstra que a industrialização tecnológica continua dependendo de decisões políticas e de investimentos estruturados, mesmo em uma economia internacional marcada pela expansão de empresas privadas. A distribuição mundial das capacidades industriais não decorre apenas de vantagens naturais ou da livre movimentação de capitais. Ela reflete décadas de políticas públicas, formação profissional, proteção de conhecimentos estratégicos, financiamento e organização de cadeias produtivas. A entrada de novos países nesse setor exige enfrentar estruturas de mercado já consolidadas e desenvolver competências que não podem ser adquiridas instantaneamente.
Os resultados obtidos pela Índia ainda são iniciais diante da dimensão de suas ambições. O país começou a operar instalações relevantes de montagem e encapsulamento, aprovou projetos industriais e ampliou investimentos em pesquisa e formação profissional. Entretanto, a produção comercial de circuitos integrados em fábricas nacionais ainda depende da conclusão de empreendimentos em construção. A capacidade de desenvolver fornecedores locais e transformar conhecimento em propriedade intelectual própria também permanecerá entre os desafios fundamentais do programa.
A importância do projeto está justamente na tentativa de superar essas limitações por meio de uma estratégia industrial de longo prazo. Ao escolher mercados amplos e tecnologias consolidadas como ponto de partida, Nova Délhi procura criar condições para competir progressivamente em segmentos mais complexos. A trajetória dependerá da execução dos investimentos, dos resultados comerciais, da qualificação dos trabalhadores e da capacidade de administrar relações com fornecedores internacionais.
A experiência indiana revela uma transformação central da economia contemporânea: semicondutores deixaram de ser apenas componentes industriais e passaram a constituir infraestruturas estratégicas do poder nacional. Ao investir em fabricação, pesquisa, materiais e formação profissional, a Índia procura modificar sua posição nas cadeias globais de tecnologia. Para o Brasil e os demais países do Sul Global, o processo demonstra a importância de converter conhecimento científico em capacidade produtiva, de estabelecer prioridades industriais realistas e de compreender que a soberania tecnológica depende de muito mais do que consumir equipamentos desenvolvidos e fabricados no exterior.
