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Influenciadora cearense relata perda do filho na reta final da gestação após infarto placentário

Caso reacende debate sobre complicações silenciosas na gravidez e investigação médica após mortes fetais

Da Redação

A morte do bebê Léo, filho da influenciadora cearense Lulu Mendonça, conhecida nas redes como Lulu Ty, trouxe atenção para uma condição grave e pouco conhecida: o infarto placentário. O bebê morreu ainda no útero, na reta final da gestação, após uma gravidez que, segundo a própria influenciadora, transcorria normalmente e vinha sendo acompanhada por exames e pré-natal.

Em vídeos publicados no Instagram, Lulu descreveu os últimos momentos antes do parto. Ela contou que havia realizado ultrassom e acompanhamento médico poucos dias antes da cirurgia e que não havia recebido qualquer alerta de risco. “Uma semana antes do parto, eu fiz o pré-natal, ultrassom”, afirmou. Segundo ela, o bebê continuava se mexendo e os exames apontavam desenvolvimento saudável. “A minha pressão sempre dava boa”, relatou.

No dia marcado para o nascimento, a família chegou à maternidade em clima de celebração. Lulu contou que havia ido ao salão, feito maquiagem e organizado uma pequena comemoração para receber o filho. “A gente estava numa comemoração tão grande. Uma festinha ali pra receber o Léo”, disse.

Segundo o relato da influenciadora, antes da cesárea foram medidos seus sinais vitais, mas ela afirma que não houve verificação dos batimentos cardíacos do bebê nem realização de ultrassom imediatamente antes da cirurgia.

Ela descreveu a descoberta da morte do filho como um choque absoluto. Durante o procedimento, após a retirada do bebê, ouviu integrantes da equipe médica comunicando que o menino estava sem vida. “Foi assim que eu descobri”, afirmou.

Ainda sob efeito de medicamentos, Lulu disse que demorou a compreender a dimensão da tragédia. Em um dos trechos mais dolorosos do relato, ela conta que segurava o filho nos braços enquanto observava semelhanças físicas com o pai, sem conseguir assimilar completamente o que estava acontecendo. “Eu falava com o Felipe: ‘Olha, amor, ele tem tua sobrancelha, ele tem teus olhinhos’. Eu não tava me ligando que meu filho tava sem vida no meu braço”, relatou.

Depois, segundo ela, veio a explicação médica. Lulu afirmou que sua placenta sofreu um infarto placentário, quadro em que parte da circulação sanguínea da placenta é interrompida, comprometendo a oxigenação do bebê. Ela também relatou que havia mecônio no líquido amniótico e que o bebê já estaria sem vida havia cerca de 48 horas. “A minha barriga quando abriram tava cheia de líquido marrom, mecônio”, contou. “Foi perigoso pra mim também”, acrescentou, ao relatar o risco de infecção.

A influenciadora afirmou ainda que descobriu posteriormente uma possível trombofilia, condição ligada a alterações na coagulação sanguínea e que pode aumentar o risco de complicações placentárias durante a gestação. Segundo especialistas ouvidos pelas reportagens sobre o caso, pequenos infartos placentários podem passar despercebidos, mas quadros extensos podem provocar insuficiência placentária, sofrimento fetal e até morte intrauterina. Em algumas situações, alterações na placenta não aparecem claramente nos exames convencionais.

O infarto placentário ocorre quando parte da placenta deixa de receber circulação sanguínea adequada. Sem fluxo suficiente de sangue, aquela região sofre necrose e perde a capacidade de transportar oxigênio e nutrientes para o bebê. A condição pode estar associada a hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes, doenças autoimunes e trombofilias, mas também pode surgir de forma silenciosa, sem sinais evidentes durante o pré-natal.

Após mortes fetais, uma das ferramentas usadas para investigar o que aconteceu é o exame anatomopatológico da placenta, realizado também pelo SUS em hospitais e maternidades com estrutura adequada. O procedimento analisa microscopicamente a placenta, o cordão umbilical e, em alguns casos, tecidos fetais, permitindo identificar infartos, tromboses, inflamações, infecções e sinais de insuficiência placentária. Especialistas consideram esse exame importante tanto para esclarecer a causa da perda quanto para orientar futuras gestações.

Lulu afirmou que sua placenta aparentava tamanho normal nos exames, mas teria estrutura mais fina do que o esperado. “Nos exames apontavam que era placenta normal”, relatou.

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