Da Redacao
Levantamento mostra que presidente possui maior capacidade de crescimento fora da própria base ideológica, enquanto extrema-direita encontra dificuldade para expandir apoio além do núcleo radicalizado.
A nova pesquisa Nexus/BTG revelou um movimento político que começa a alterar profundamente os cálculos eleitorais para 2026: a polarização brasileira passou a favorecer mais Lula do que o próprio bolsonarismo. Embora os dois campos mantenham bases ideológicas extremamente mobilizadas, os dados mostram que o presidente possui hoje uma capacidade muito maior de crescer entre setores moderados, independentes e eleitores cansados do ambiente permanente de radicalização política vivido pelo país nos últimos anos.
O levantamento aponta que os chamados “lulistas convictos” representam cerca de 27% do eleitorado brasileiro, enquanto os “bolsonaristas convictos” aparecem numericamente muito próximos, com 28%. A diferença decisiva, porém, surge fora desses núcleos mais duros. Lula consegue dialogar com uma parcela muito maior de eleitores que não necessariamente se identificam com o PT, mas enxergam no presidente uma alternativa de estabilidade institucional diante do avanço da extrema-direita.
Esse fenômeno ajuda a explicar por que Lula aparece liderando praticamente todos os cenários recentes das pesquisas nacionais, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O presidente consegue manter sua base histórica consolidada ao mesmo tempo em que amplia apoio entre setores que rejeitam o bolsonarismo, mesmo possuindo críticas ao governo. Na prática, a rejeição à extrema-direita passou a funcionar como força política de agregação em torno do lulismo.
A pesquisa mostra também que existe hoje um segmento importante da sociedade brasileira que pode ser definido como “anti-caos”. São eleitores que talvez não sejam ideologicamente alinhados à esquerda, mas demonstram forte resistência ao ambiente de conflito permanente, radicalização digital, ataques institucionais e instabilidade política associados ao bolsonarismo. Nesse contexto, Lula volta lentamente a ocupar um espaço político muito semelhante ao que teve em outros momentos de sua trajetória: o de liderança associada à previsibilidade, estabilidade e reorganização institucional.
Outro dado relevante do levantamento é a dificuldade crescente do bolsonarismo em romper seus próprios limites eleitorais. A extrema-direita mantém uma base extremamente fiel e mobilizada, mas encontra obstáculos para crescer entre mulheres, eleitores moderados, setores urbanos mais escolarizados e parte significativa da classe média. O desgaste recente envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master, financiamento do filme Dark Horse e investigações ligadas ao entorno bolsonarista agravou ainda mais esse problema.
Enquanto isso, Lula se beneficia diretamente da melhora gradual da economia. O crescimento do PIB, a recuperação do emprego, a ampliação dos programas sociais e a retomada do consumo começaram a produzir efeitos políticos concretos. Historicamente, existe uma dinâmica relativamente constante no Brasil: quando emprego, renda e consumo apresentam melhora mínima, Lula cresce politicamente. As pesquisas recentes sugerem exatamente esse movimento.
O presidente também ampliou significativamente seu protagonismo internacional. A reconstrução das relações diplomáticas do Brasil, o fortalecimento dos BRICS, a aproximação com China, Europa e Sul Global, além do debate sobre soberania tecnológica e reindustrialização, ajudaram a reconstruir uma percepção positiva sobre o papel do país no cenário global. Isso possui peso simbólico importante dentro da política brasileira, especialmente após os anos de isolamento diplomático do governo Bolsonaro.
Nos bastidores de Brasília, a pesquisa Nexus/BTG provocou forte repercussão porque altera diretamente a percepção de força eleitoral. E em Brasília, percepção de força vale quase tanto quanto força real. Setores do centrão, do mercado financeiro e até parte da mídia começaram a recalcular posições diante da possibilidade concreta de Lula chegar em 2026 muito mais forte do que seus adversários imaginavam poucos meses atrás.
A pesquisa também evidencia o enfraquecimento da chamada terceira via. Nomes alternativos continuam apresentando enorme dificuldade para romper a polarização entre lulismo e bolsonarismo. Isso acaba fortalecendo ainda mais a centralidade política de Lula no sistema eleitoral brasileiro.
No fundo, o levantamento talvez revele algo maior do que apenas números eleitorais. Ele mostra que, após anos de ataques, Lava Jato, prisão, campanhas de desinformação e desgaste político intenso, o lulismo continua funcionando como principal força de agregação popular e institucional do Brasil contemporâneo. E num cenário internacional marcado por guerras, crise econômica, disputa tecnológica e radicalização política, a promessa de estabilidade voltou a ganhar enorme valor eleitoral.












