Israel amplia propaganda global e desinforma sobre guerra em Gaza: nova ofensiva midiática

Da Redação

Israel aprovou recentemente um dos maiores aumentos já registrados em seu orçamento de propaganda estrangeira, com o objetivo explícito de reverter a crescente condenação global à devastação de Gaza e às violações sistemáticas de direitos humanos contra o povo palestino. A decisão reflete o isolamento político crescente do país e a tentativa do governo de Benjamin Netanyahu de controlar a narrativa internacional em um momento em que organizações humanitárias, especialistas jurídicos e países de todo o mundo denunciam abertamente a prática de genocídio, limpeza étnica e crimes de guerra.

A ampliação do orçamento destina milhões a campanhas de relações públicas, manipulação digital, contratação de agências internacionais de comunicação e financiamento de influenciadores estrangeiros. Trata-se de uma operação organizada, centralizada e profissionalizada cujo objetivo é moldar percepções, silenciar críticas e fabricar uma imagem internacional positiva de um Estado acusado diariamente de atrocidades contra civis, mulheres e crianças.

Estratégias de propaganda: manipulação, desinformação e guerra psicológica

O investimento não se limita à publicidade tradicional. Ele inclui técnicas modernas de guerra informacional, estruturadas nos seguintes eixos:

  1. Campanhas digitais direcionadas para minimizar ou distorcer denúncias de crimes contra civis palestinos.
  2. Produção de conteúdos audiovisuais destinados a criar a impressão de que Gaza é bombardeada por “necessidade defensiva”, e não como parte de um projeto político-militar de extermínio.
  3. Financiamento de influenciadores internacionais, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, treinados para difundir pontos de vista pró-Israel em redes sociais.
  4. Pressão e lobby sobre veículos de imprensa, universidades e centros de pesquisa para neutralizar críticas, influenciar editoriais e moldar debates acadêmicos.
  5. Operações de contra-informação, que incluem desacreditação de jornalistas, ativistas, socorristas e agências humanitárias que registram a destruição em Gaza.

Essa arquitetura de propaganda não é improvisada. Ela reflete uma política histórica israelense conhecida como “hasbara”, um sistema de comunicação estatal que opera há décadas, mas que agora é remodelado para atuar em escala massiva, com linguagem profissional de marketing, tecnologias de segmentação de público e apoio de empresas privadas de tecnologia.

O alvo: o público global, parlamentos e organismos multilaterais

O aumento abrupto desse orçamento revela a preocupação de Israel com o colapso de sua imagem internacional. Diversas pesquisas recentes mostram que a opinião pública mundial — inclusive em países tradicionalmente aliados — passou a ver Israel como responsável por violações gravíssimas de direito internacional.

A estratégia do governo é inverter essa tendência e garantir:

  • proteção política nos Estados Unidos e na Europa;
  • retardamento ou bloqueio de resoluções internacionais que peçam sanções;
  • apoio contínuo de governos alinhados;
  • neutralização de movimentos de solidariedade que pressionam pela autodeterminação palestina.

Israel sabe que perdeu a batalha moral diante do mundo. Resta-lhe, portanto, tentar vencer uma batalha artificial, travada em plataformas digitais, gabinetes diplomáticos e redações.

Críticas internacionais: propaganda como arma de guerra

Organizações humanitárias e especialistas em direitos humanos denunciam que Israel utiliza propaganda estatal como extensão da guerra militar. O objetivo, segundo esses analistas, é apagar as evidências do genocídio, promover revisionismo histórico e fabricar um ambiente de desinformação que dificulte responsabilizações internacionais.

A propaganda funciona como parte essencial de um mecanismo de guerra psicológica, com efeitos diretos sobre:

  • a memória coletiva do conflito;
  • a percepção de legitimidade das operações militares;
  • o silenciamento das vítimas;
  • a naturalização da violência contra palestinos.

Em outras palavras, bombardear Gaza e bombardear a verdade fazem parte de uma mesma estratégia.

O impacto para o Sul Global

A expansão dessa máquina de propaganda não é apenas um problema local. Ela repercute globalmente, especialmente no Sul Global, onde países enfrentam pressões, coerções diplomáticas e tentativas de manipulação informacional para que se alinhem politicamente a Israel ou, no mínimo, abandonem críticas ao genocídio.

O que está em jogo é mais do que a reputação de um Estado:
é a possibilidade de que potências militares utilizem campanhas massivas de desinformação para legitimar ocupações, massacres e violações do direito internacional sem enfrentar consequências.

Além disso, a operação israelense estabelece precedentes perigosos: outros países podem adotar a mesma lógica, usando propaganda para neutralizar denúncias de violações e manipular debates públicos.

Uma guerra pela narrativa e pela memória

Israel não busca apenas influenciar o presente. Busca também controlar o futuro, impedindo que a narrativa do genocídio palestino se consolide como memória histórica incontestável. A propaganda, nesse sentido, torna-se arma de apagamento e de reescrita da história — algo já denunciado por sobreviventes, historiadores e organizações internacionais.

O aumento do orçamento estatal demonstra que Israel teme a força dos fatos. A realidade — corpos, hospitais destruídos, bairros arrasados, fome, cerco humanitário — é impossível de esconder. Resta à propaganda tentar criar sombras, distorções, neblinas.

Mas a verdade, documentada diariamente por jornalistas independentes, organizações humanitárias e pelo próprio povo palestino, segue viva. A despeito da máquina estatal, há uma resistência informacional global que não se deixa calar.