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Israel avalia anexar a Cisjordânia em retaliação ao reconhecimento da Palestina

Da Redação

Diante de um avanço diplomático ocidental em favor do reconhecimento da Palestina, Israel estuda oficialmente anexar partes da Cisjordânia — uma medida que pode agravar tensões geopolíticas, violar leis internacionais e elevar os custos jurídicos e políticos de Tel Aviv.

Israel está avaliando a possibilidade de anexar áreas da Cisjordânia ocupada em resposta a iniciativas de países ocidentais, como França, Reino Unido, Austrália e Canadá, que pretendem reconhecer oficialmente o Estado da Palestina na próxima Assembleia-Geral da ONU. A proposta foi debatida no gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com participação direta do ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, e do chanceler Gideon Sa’ar.

Entre as opções em discussão, está a anexação de toda a Área C — cerca de 60% da Cisjordânia — ou, em alternativas menos abrangentes, a incorporação de assentamentos estratégicos e corredores logísticos, o que representaria aproximadamente 10% do território. O movimento é visto por analistas como uma tentativa de “retaliação diplomática” diante do crescente apoio internacional à Palestina.

Especialistas alertam que a medida representaria uma clara violação ao Direito Internacional, em desacordo com a Carta da ONU, a Convenção de Genebra e o parecer da Corte Internacional de Justiça emitido em 2024, que declarou ilegal a ocupação israelense nos territórios palestinos. Além disso, poderia abrir novas frentes de responsabilização jurídica contra Israel na Corte Penal Internacional, que já investiga atividades ligadas aos assentamentos como possíveis crimes de guerra.

No plano interno, a proposta encontra apoio em setores da direita israelense, especialmente após a aprovação, em julho de 2025, de uma resolução simbólica no Parlamento que defendeu a anexação. Também ganha força o avanço de projetos urbanísticos na região, como a expansão no setor E1, que conecta Jerusalém a Ma’ale Adumim. Essa construção é considerada um divisor crítico, pois fragmenta o território palestino e compromete a viabilidade de um Estado independente.

Na arena internacional, as reações foram imediatas. O Reino Unido, por exemplo, reafirmou sua intenção de reconhecer o Estado palestino, condicionando sua decisão à contenção de medidas unilaterais por parte de Israel. França, Austrália e Canadá seguem no mesmo caminho, articulando movimentos diplomáticos de apoio a uma solução de dois Estados. Organismos multilaterais e organizações de direitos humanos classificam a ameaça de anexação como um obstáculo grave à paz e um passo em direção ao aprofundamento do apartheid territorial.

Para estrategistas internacionais, a simples abertura do debate sobre anexação já representa um ponto de inflexão na política regional. Caso implementada, a medida consolidaria um quadro de maior isolamento de Israel, potencializaria a radicalização do conflito em Gaza e Cisjordânia e ampliaria a polarização diplomática em fóruns globais. No limite, poderia gerar sanções econômicas e perda de legitimidade em instâncias como o Conselho de Segurança da ONU.

A equação é complexa: quanto mais países avançam no reconhecimento da Palestina, maior a pressão de setores nacionalistas em Israel por ações concretas de soberania territorial. Esse ciclo tende a agravar a instabilidade no Oriente Médio, ampliando as chances de ruptura violenta e de erosão ainda maior das perspectivas de negociação de paz.

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