“Israel perdeu a legitimidade moral”, diz Fábio Sobral sobre prisão de Thiago Ávila

Professor analisa pressão internacional pela libertação do ativista brasileiro, critica ações do Estado de Israel e relaciona caso à crise do direito internacional e ao avanço da extrema direita

O programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, recebeu o professor e economista Fábio Sobral para discutir a prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila pelo Estado de Israel e os desdobramentos políticos da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira. A entrevista foi conduzida por Sara Goes e exibida pela TV Atitude Popular.

O debate teve como eixo principal a captura de integrantes da Flotilha Global Sumud, missão internacional de solidariedade ao povo palestino que transportava ajuda humanitária e denunciava o bloqueio imposto à Faixa de Gaza. Segundo Fábio Sobral, o episódio revela não apenas o agravamento da crise humanitária no Oriente Médio, mas também o esvaziamento das instituições internacionais criadas após a Segunda Guerra Mundial.

“Israel perdeu a legitimidade moral”, afirmou o economista ao comentar o tratamento dado aos ativistas presos.

Ao longo da entrevista, Sobral criticou duramente o Estado de Israel, acusando-o de legitimar práticas de tortura, violência sistemática e repressão contra palestinos e ativistas internacionais. Segundo ele, decisões tomadas há décadas pela Suprema Corte israelense abriram espaço para mecanismos permanentes de violação de direitos humanos.

“O Estado de Israel se orgulha desses feitos de terrorismo”, declarou.

O professor afirmou ainda que advogados ligados à defesa dos ativistas denunciaram tortura física e psicológica contra os detidos, incluindo privação de sono e exposição contínua à luz intensa. Para ele, a prisão de Thiago Ávila possui também dimensão diplomática e simbólica.

Durante o programa, Sara Goes destacou que o presidente Lula e a Organização das Nações Unidas já defenderam publicamente a libertação imediata do brasileiro. A apresentadora observou que o tema passou a ganhar dimensão internacional justamente pela combinação entre o peso diplomático brasileiro e a deterioração da imagem internacional de Israel.

Fábio Sobral ponderou que o encontro entre Lula e Donald Trump provavelmente teria caráter pragmático e comercial, mas admitiu que setores da sociedade brasileira desejavam alguma forma de intermediação diplomática em favor de Thiago Ávila.

Ainda assim, o economista avaliou que a situação ultrapassa o caso individual do ativista brasileiro e reflete uma disputa geopolítica muito mais ampla envolvendo Estados Unidos, Israel, Irã e os países do Sul Global.

Segundo Sobral, Israel atravessa um momento de desgaste político e militar crescente, especialmente diante dos conflitos no Líbano e da pressão internacional sobre a guerra em Gaza. Ele afirmou que a violência empregada contra flotilhas humanitárias demonstra fragilidade política.

“Isso demonstra um sinal de desespero de Israel”, afirmou.

O professor também criticou o apoio militar e tecnológico mantido pelo Brasil com Israel. Segundo ele, setores das forças armadas e das polícias brasileiras seguem adquirindo equipamentos, softwares e tecnologias israelenses mesmo diante das denúncias internacionais contra o governo de Tel Aviv.

Para Sobral, o governo brasileiro deveria aderir ao movimento internacional BDS, sigla para “Boicote, Desinvestimento e Sanções”, iniciativa global que busca pressionar economicamente Israel.

“A primeira coisa é deixar de ter relações entre órgãos policiais e militares com Israel”, declarou.

A entrevista também abordou o enfraquecimento da ONU e das instituições multilaterais. Fábio Sobral afirmou que os Estados Unidos desenvolveram, desde o governo de George W. Bush, um projeto gradual de esvaziamento da organização internacional.

Segundo ele, esse processo abriu caminho para o atual cenário de fragmentação geopolítica e perda de legitimidade do sistema internacional.

“O projeto de desacreditar a ONU foi um projeto dos Estados Unidos”, afirmou.

Além da discussão internacional, o programa analisou os novos desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga relações financeiras do Banco Master. Fábio Sobral comentou as informações sobre repasses financeiros feitos por Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira.

Segundo o economista, o Banco Master tornou-se uma espécie de ponto de convergência entre setores do sistema financeiro, agentes políticos e esquemas de influência envolvendo fundos públicos e fundos de previdência.

“O Banco Master é a conexão entre toda a criminalidade”, afirmou.

Sobral relacionou o caso à expansão do crime organizado para dentro da política institucional brasileira, citando conexões com apostas eletrônicas, lavagem de dinheiro, milícias, tráfico de drogas e setores empresariais.

Ao comentar o cenário político brasileiro, o professor afirmou que o país vive um processo de normalização da barbárie e de reorganização de forças extremistas em torno de projetos autoritários.

Segundo ele, parte da mídia tradicional e até setores progressistas ajudam involuntariamente a desviar o foco das estruturas centrais de poder econômico e político.

Durante a conversa, Sara Goes também criticou a cobertura da imprensa sobre o caso Banco Master, apontando que sucessivas “crises paralelas” acabam eclipsando o núcleo principal das investigações.

A entrevista ainda abordou temas como manipulação midiática, influência ideológica da extrema direita, crise do jornalismo progressista e formação política. Sobral afirmou que parte da esquerda abandonou espaços de formação crítica e passou a depender excessivamente das pautas produzidas pela mídia corporativa.

“A esquerda precisa repensar suas fontes de formação”, declarou.

No encerramento, os participantes relacionaram o avanço da violência política internacional ao crescimento de discursos autoritários dentro dos próprios Estados Unidos. Sobral afirmou que setores militares norte-americanos radicalizados já demonstram sinais preocupantes de desrespeito às instituições democráticas.

A edição terminou com críticas ao avanço do extremismo global, defesa da soberania dos povos e solidariedade ao povo palestino.

Referências
Sun Tzu, A Arte da Guerra
Redacted, 2007. Dirigido por Brian De Palma. Disponível no Prime Video e em alguns catálogos do MUBI.

Vitória Régia, 2026. Curta dirigido por Cisma. O filme imagina um Brasil pós-golpe após o sucesso do 8 de janeiro e acompanha a instalação de um regime autoritário. Está disponível gratuitamente no YouTube.

📺 Programa Democracia no Ar
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 10h às 11h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
📲✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O

compartilhe: