Ex-presidente do STF aparece com desempenho baixo em primeiro teste presidencial e reforça cenário de polarização entre Lula e bolsonarismo.
O primeiro teste eleitoral de Joaquim Barbosa para a disputa presidencial de 2026 revelou um cenário difícil para candidaturas alternativas fora da polarização entre Lula e o bolsonarismo. A nova pesquisa BTG/Nexus mostrou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal com desempenho considerado inexpressivo nos cenários estimulados e praticamente inexistente na pesquisa espontânea.
Segundo o levantamento, Joaquim Barbosa apareceu com apenas 2% e 3% das intenções de voto nos cenários de primeiro turno. Na espontânea, modalidade considerada uma das mais importantes para medir força política real, o ex-ministro registrou 0%.
O dado provocou repercussão imediata em Brasília.
Porque durante anos Joaquim Barbosa foi tratado por setores da mídia, do mercado financeiro e de parte da elite política como possível nome competitivo para ocupar espaço de “terceira via” no Brasil.
Sua trajetória no julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão, transformou o ex-ministro numa das figuras mais conhecidas do Judiciário brasileiro ao longo da década passada. Em diferentes momentos, empresários, partidos de centro e grupos antipetistas chegaram a enxergar Barbosa como alternativa eleitoral capaz de romper a polarização política nacional.
Mas o cenário mudou profundamente.
Hoje a política brasileira gira novamente em torno de dois grandes polos:
o lulismo
e o bolsonarismo.
A própria pesquisa BTG/Nexus evidencia isso de maneira muito clara.
Lula lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno testados pelo instituto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece consolidado como principal nome da direita radical mesmo atravessando forte desgaste político após os escândalos envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master e o filme Dark Horse.
Nesse ambiente altamente polarizado, sobra pouco espaço para candidaturas intermediárias.
E Joaquim Barbosa parece sentir exatamente esse problema.
O ex-ministro possui notoriedade pública elevada, mas dificuldade de converter reconhecimento em densidade eleitoral concreta. Isso ficou particularmente evidente na pesquisa espontânea, onde sequer apareceu entre os nomes lembrados pelos entrevistados.
Nos bastidores políticos, a espontânea é vista como indicador decisivo.
Porque ela mede:
memória popular,
presença política orgânica,
capacidade de mobilização
e conexão real com o eleitorado.
E nesse campo, Lula continua extremamente dominante.
Mesmo após:
Lava Jato,
prisão,
campanhas de desinformação,
polarização extrema
e desgaste natural de governo,
o presidente mantém enorme força popular e capacidade de centralizar o debate político nacional.
Ao mesmo tempo, o bolsonarismo preserva uma base radicalizada extremamente fiel.
Isso cria uma espécie de esmagamento político sobre nomes que tentam ocupar posição alternativa.
O problema para Joaquim Barbosa vai além da pesquisa atual.
Ele também enfrenta:
ausência de estrutura partidária forte,
baixa presença pública nos últimos anos,
dificuldade de articulação política
e pouca inserção nas redes de mobilização digital contemporâneas.
Hoje campanhas eleitorais dependem fortemente de:
máquinas partidárias,
redes digitais,
presença constante,
mobilização orgânica
e capacidade de polarização narrativa.
E Barbosa aparece relativamente distante desse novo ambiente político.
Existe também uma mudança estrutural importante na sociedade brasileira.
A eleição de 2026 tende a ocorrer num contexto marcado por:
guerra cultural,
disputa algorítmica,
polarização extrema,
economia digital
e radicalização política permanente.
Nesse cenário, figuras moderadas ou excessivamente institucionais encontram enorme dificuldade para crescer.
A própria ideia de “terceira via” parece cada vez mais fragilizada.
Nomes como:
Romeu Zema,
Ronaldo Caiado
e outros candidatos conservadores tradicionais também enfrentam dificuldade para romper a centralidade de Lula e do bolsonarismo nas pesquisas.
No fundo, o levantamento BTG/Nexus talvez revele algo maior do que apenas o desempenho fraco de Joaquim Barbosa.
Ele mostra que a política brasileira continua profundamente organizada em torno de identidades políticas muito consolidadas.
De um lado, o lulismo.
Do outro, o bolsonarismo.
E no meio desse conflito, candidaturas alternativas seguem encontrando enorme dificuldade para existir com força real.






