Advogado afirma que eventual arrecadação do filme pode ser atingida por medidas judiciais ligadas ao caso Banco Master
Da Redação
O advogado, jornalista e editor do “Portal do José”, José Fernandes da Silva Junior, protocolou junto à Procuradoria-Geral da República uma representação pedindo o bloqueio cautelar de eventuais receitas de bilheteria do filme “Dark Horse”, produção ligada politicamente ao bolsonarismo e associada ao senador Flávio Bolsonaro. A manifestação foi registrada no sistema do Ministério Público Federal.
No documento, José Fernandes relaciona o pedido às investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal, pela PGR e acompanhadas pelo Supremo Tribunal Federal. A representação sustenta que recursos utilizados na produção cinematográfica podem ter origem em operações financeiras consideradas suspeitas pelas autoridades.
O texto protocolado cita reportagens sobre o rastreamento bilionário de bens de Vorcaro e lembra que investigadores buscam recuperar valores destinados ao ressarcimento de investidores, fundos de pensão e instituições atingidas pelo colapso do conglomerado financeiro.
Segundo José Fernandes, o próprio discurso público de Flávio Bolsonaro teria caracterizado o aporte no longa-metragem como um investimento financeiro, o que, na avaliação dele, justificaria uma medida cautelar sobre futuras receitas comerciais da obra. “Se o dinheiro para fazer o filme teve uma origem ilícita, então o lógico é bloquear, penhorar essa grana quando o filme estiver sendo exibido”, afirmou à Atitude Popular.
Ele argumenta que a arrecadação da produção não deveria circular livremente antes da conclusão das investigações. “Não faz sentido essa gente recolher grana de bilheteria e depois os credores irem atrás. Então tem que bloquear logo agora”, declarou.
Na manifestação enviada ao MPF, José Fernandes pede que a PGR “inicie a tomada de iniciativas cautelares visando o bloqueio de todas as receitas provenientes das bilheterias que o filme Dark Horse puder auferir no Brasil”.
Além da representação criminal, ele afirmou que prepara uma ação popular caso considere lenta a resposta institucional ao caso. “Estou preparando outro instrumento também, que é uma ação popular, caso a PGR demore muito com essa história aí.”
José Fernandes também avalia que o simples risco jurídico envolvendo receitas futuras pode produzir efeitos comerciais sobre a circulação do longa nos cinemas. “Isso vai criar problema para os exibidores, porque imagine só: os caras vão querer exibir filme que pode bloquear a grana do cinema?”
O advogado sustenta ainda que o projeto cinematográfico teria sido concebido também como instrumento político ligado ao campo bolsonarista. “Se essa gente estava querendo fazer desse filme propaganda eleitoral, acho que eles vão ter uma surpresa desagradável.”
O caso “Dark Horse” ganhou repercussão nacional após a divulgação de informações sobre os custos da produção, estimados em mais de US$ 10 milhões, e sobre a participação de empresários ligados ao entorno financeiro investigado no escândalo do Banco Master. O roteiro do filme, segundo materiais já divulgados, busca retratar Jair Bolsonaro sob uma perspectiva heroica e de perseguição política, em meio às investigações sobre tentativa de golpe de Estado conduzidas pelo STF.
Até o momento, a Procuradoria-Geral da República não se pronunciou publicamente sobre a representação apresentada por José Fernandes.


