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Justiça condena marido que planejou morte da contadora Kaianne Bezerra a 41 anos de prisão

Após três dias de julgamento, Tribunal do Júri reconhece que crime foi arquitetado para obtenção de seguro de vida; familiares afirmam que decisão traz paz à memória da vítima

Da Redação

Informações publicadas pelo Diário do Nordeste apontam que o professor Leonardo Nascimento Chaves foi condenado a 41 anos de prisão pelo assassinato da esposa, a contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves, em julgamento realizado no Fórum de Aquiraz. O réu foi apontado pelo Ministério Público como mentor do crime. O executor, Adriano Andrade Ribeiro, também foi condenado e recebeu pena de 37 anos de prisão.

O julgamento durou três dias e mobilizou familiares, amigos, movimentos de mulheres e entidades que acompanharam o caso desde o crime ocorrido em 2022. Os jurados reconheceram a responsabilidade dos acusados pelos crimes de homicídio qualificado, corrupção de menor, fraude processual e furto.

Segundo a acusação, Leonardo planejou a morte da esposa para receber valores de seguros de vida dos quais era beneficiário. As investigações apontaram que ele contratou Adriano Andrade Ribeiro para executar o assassinato e participou da construção de uma falsa narrativa de latrocínio para tentar afastar suspeitas.

A versão apresentada inicialmente à polícia começou a ruir diante das conclusões da perícia e do trabalho investigativo conduzido pela Polícia Civil. Os laudos indicaram que Kaianne morreu por asfixia mecânica por esganadura, incompatível com a versão divulgada pelos envolvidos. Imagens de câmeras de segurança e outros elementos reunidos ao longo da investigação contribuíram para a reconstrução dos fatos e para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público.

Durante o julgamento, Leonardo negou participação no crime. A tese defensiva, no entanto, foi rejeitada pelo Conselho de Sentença, que acolheu a acusação apresentada pelo Ministério Público e pelos assistentes de acusação.

A decisão foi recebida com emoção pelos familiares da vítima, que acompanharam todo o julgamento.

Em publicação divulgada pelo perfil mantido por parentes e amigos de Kaianne nas redes sociais, a condenação foi definida como a realização da justiça aguardada desde o crime.

“Depois de três dias de júri, veio o resultado que todos esperavam: justiça!”, afirma a nota.

Os familiares agradeceram ao Ministério Público do Ceará, aos assistentes de acusação, aos profissionais do Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência, aos policiais civis responsáveis pela investigação, aos movimentos de mulheres e à imprensa que acompanharam o caso.

“A comunicação tem um papel social enorme na sociedade”, destaca o texto.

A mensagem também prestou solidariedade a outras famílias que enfrentam processos semelhantes de busca por justiça em casos de feminicídio e violência contra a mulher.

O agradecimento menciona ainda o apoio recebido de organizações feministas e de defesa dos direitos das mulheres que acompanharam o processo desde os primeiros desdobramentos da investigação.

Ao final da publicação, familiares resumiram o sentimento após a condenação:

“Kaianne agora descansa em paz.”

O caso tornou-se um dos episódios criminais de maior repercussão no Ceará nos últimos anos por envolver um crime planejado dentro do ambiente familiar e pela tentativa de ocultar a verdadeira motivação do assassinato.

Para especialistas que acompanham a pauta da violência contra as mulheres, a condenação representa não apenas a responsabilização dos envolvidos, mas também um reconhecimento institucional da gravidade dos feminicídios praticados por parceiros ou ex-companheiros, realidade que continua presente nas estatísticas brasileiras.

Com a decisão do Tribunal do Júri, os condenados permanecerão presos e não poderão recorrer em liberdade.

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