Movimento liderado por Chico Whitaker reúne mais de 70 coletivos de 14 estados e apresenta compromisso público para candidatos das eleições de 2026
Da Redação
Nesta quinta-feira (16), das 14h às 16h, a Campanha Por um Brasil sem Compra de Votos lançará oficialmente o selo “Não Compro Voto”, iniciativa voltada a candidatos e candidatas das eleições de 2026 que assumam publicamente o compromisso de rejeitar qualquer forma de compra de votos. O evento será realizado em formato híbrido, com atividade presencial na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, na capital paulista, e participação on-line de representantes de diversos estados. O Ceará estará representado por Sousa Júnior, diretor da Atitude Popular, que integra a mesa virtual do lançamento.
O selo será concedido aos candidatos que assinarem uma carta compromisso na qual assumem o compromisso de não praticar compra de votos e de divulgar a campanha durante o período eleitoral. Embora o lançamento ocorra nesta semana, a adesão dos candidatos só poderá ser formalizada após o registro oficial das candidaturas, conforme determina a legislação eleitoral.
A iniciativa reúne mais de 70 coletivos espalhados por 14 estados brasileiros e pretende combater uma prática que acompanha a história política do país. Segundo os organizadores, a compra de votos enfraquece a democracia ao transformar o exercício da cidadania em objeto de negociação e comprometer a liberdade da escolha do eleitor.
Um dos idealizadores da campanha, Francisco “Chico” Whitaker, afirma que o movimento nasceu da articulação de centenas de pessoas preocupadas com a qualidade do processo democrático.
“Temos gente de 14 estados envolvidos nessa Campanha, 70 coletivos e mais de mil pessoas que assinaram o primeiro abaixo-assinado, em julho do ano passado, todos imbuídos da necessidade de sensibilizar o maior número possível de candidatos e candidatas.”
Segundo Whitaker, a carta compromisso foi construída com base na legislação brasileira sobre corrupção eleitoral e contempla diferentes formas de compra de votos previstas em lei. A prática é considerada crime há mais de um século, mas ganhou instrumentos mais efetivos de punição com a aprovação da Lei nº 9.840, sancionada em 1999 após uma mobilização popular que reuniu mais de um milhão de assinaturas.
A campanha não se limita às eleições deste ano. Os organizadores já anunciam que a mobilização continuará nas eleições municipais de 2028 e nas eleições gerais de 2030, buscando consolidar uma cultura política baseada na ética e na valorização do voto livre.
A iniciativa também dialoga com o debate nacional sobre a necessidade de fortalecer a representação política. Nos últimos meses, diversas organizações da sociedade civil passaram a defender maior participação popular no processo eleitoral, entre elas a campanha Brasil Soberano, Congresso Amigo do Povo, da qual a Atitude Popular participa. O movimento propõe ampliar o debate sobre soberania nacional, desenvolvimento, direitos sociais e a escolha de parlamentares comprometidos com esses princípios.
Embora tenham objetivos específicos diferentes, as duas campanhas convergem na defesa de eleições mais transparentes e de um Congresso mais conectado com os interesses da população. A avaliação dos organizadores é que combater a compra de votos constitui uma das condições fundamentais para reduzir distorções na representação política e fortalecer a legitimidade das instituições democráticas.
Ao integrar a mesa nacional de lançamento, Sousa Júnior representa não apenas a Atitude Popular, mas também a participação do Ceará em uma articulação que reúne entidades, coletivos e lideranças de diferentes regiões do país em torno da defesa da ética eleitoral.
A cobertura do lançamento será acompanhada pela Atitude Popular, que também mantém em seu portal uma seção permanente de serviços dedicada a orientar os leitores sobre direitos eleitorais, legislação, participação cidadã e informações úteis durante o processo das eleições de 2026.






