Lavrov acusa Estados Unidos de participação direta em ataques ucranianos contra a Rússia

Chanceler russo afirma que operações de longo alcance dependem de inteligência ocidental e diz que Moscou continuará cumprindo acordos firmados com Washington

Da Redação

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que os Estados Unidos participam diretamente dos ataques ucranianos contra território russo ao fornecer inteligência, planejamento operacional e suporte tecnológico para o emprego de armamentos de longo alcance. Apesar das acusações, o chanceler declarou que Moscou continuará respeitando os entendimentos diplomáticos alcançados recentemente com Washington durante as conversações realizadas em Anchorage.

Segundo Lavrov, a utilização de mísseis e outros sistemas avançados fornecidos pelos países da OTAN exige um nível de coordenação técnica que, na avaliação do governo russo, ultrapassa o simples fornecimento de armamentos.

Para o ministro, o compartilhamento de inteligência em tempo real, imagens de satélite e dados de navegação transforma os países ocidentais em participantes ativos das operações militares conduzidas por Kiev.

Moscou mantém diálogo com Washington

Mesmo reforçando as críticas aos Estados Unidos, Lavrov afirmou que a Rússia pretende manter os compromissos diplomáticos estabelecidos durante as negociações bilaterais em Anchorage.

Segundo ele, preservar canais de comunicação entre as duas potências continua sendo fundamental para evitar uma escalada ainda maior do conflito, embora Moscou acompanhe com preocupação o aprofundamento do envolvimento militar ocidental na guerra.

Guerra tecnológica amplia tensões

As declarações do chanceler refletem uma posição que o governo russo vem sustentando desde o início da guerra: a de que o apoio militar fornecido pelos Estados Unidos e por aliados da OTAN deixou de ser apenas político ou financeiro para assumir um papel operacional.

Ao longo do conflito, autoridades russas têm argumentado que sistemas modernos de ataque dependem de infraestrutura tecnológica, comunicações seguras e inteligência produzidas por países ocidentais, tornando difícil separar o apoio militar da participação direta nas operações.

Ocidente rejeita interpretação de Moscou

Governos dos Estados Unidos, do Reino Unido e de outros membros da OTAN, por sua vez, sustentam que o apoio prestado à Ucrânia tem como objetivo permitir que o país exerça seu direito de autodefesa diante da invasão russa iniciada em 2022.

As autoridades ocidentais afirmam que o fornecimento de armamentos, treinamento e assistência técnica não configura participação direta no conflito, posição reiterada em diversas ocasiões por Washington e por governos europeus.

As declarações de Lavrov ocorrem em um momento de elevada tensão entre Rússia e OTAN, em que a ampliação do alcance das operações militares e o emprego crescente de sistemas de precisão alimentam o temor de uma escalada envolvendo diretamente as grandes potências nucleares.