Da Redação
O Presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (25) que a sociedade precisa se preparar para os riscos provocados pelo avanço acelerado da inteligência artificial. A declaração foi feita durante cerimônia da Petrobras em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, no evento que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados, a UFN-3.
Ao comentar as transformações tecnológicas em curso, Lula comparou a inteligência artificial a um “monstro” que pode escapar ao controle humano. Segundo o presidente, a humanidade corre o risco de perder domínio sobre uma tecnologia criada por ela própria, caso não existam limites, regulação e compromisso social em seu desenvolvimento.
Inteligência humana no centro
Lula afirmou preferir a inteligência humana à lógica automatizada dos algoritmos. Para ele, decisões fundamentais sobre sociedade, trabalho, desenvolvimento e políticas públicas não podem ser entregues a sistemas desprovidos de sentimento, solidariedade e responsabilidade social.
O presidente defendeu que a tecnologia deve servir às pessoas, especialmente aos setores mais vulneráveis, e não substituir valores humanos por cálculos automáticos. A crítica dialoga com um debate internacional cada vez mais forte sobre os riscos da IA em áreas como trabalho, educação, comunicação, segurança, saúde e democracia.
Brasil quer desenvolver IA sem perder soberania
A fala ocorre em um momento em que o governo federal tenta ampliar a capacidade brasileira no setor. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028 para estimular uma indústria nacional de IA e reduzir a dependência de soluções estrangeiras.
O Brasil já aparece entre os países latino-americanos que mais utilizam ferramentas de inteligência artificial. Levantamento citado pelo Brasil 247 aponta que 71% dos adultos conectados no país já usaram algum chatbot baseado em IA, índice acima da média global de 62%.
Tecnologia, trabalho e democracia
A preocupação de Lula não se limita ao uso cotidiano da inteligência artificial. O avanço desses sistemas já afeta relações de trabalho, produção de notícias, funcionamento das plataformas digitais, vigilância, educação e serviços públicos.
Especialistas alertam que algoritmos podem reproduzir desigualdades, ampliar desinformação, concentrar poder nas big techs e reduzir a transparência de decisões que afetam milhões de pessoas. Por isso, cresce a defesa de marcos regulatórios capazes de garantir supervisão humana, proteção de dados, responsabilidade das empresas e soberania tecnológica.
Fertilizantes e soberania nacional
O discurso foi feito durante a retomada de uma obra considerada estratégica para a segurança produtiva do país. A UFN-3 teve as obras interrompidas em 2014, após a Lava Jato, e está cerca de 80% concluída. A Petrobras estima que serão necessários aproximadamente US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5 bilhões, para finalizar a unidade, com previsão de entrada em operação em 2029.
A fábrica é vista pelo governo como peça importante para reduzir a dependência brasileira da importação de fertilizantes, tema diretamente ligado à soberania alimentar, à agricultura e à segurança econômica nacional.
Ao relacionar inteligência artificial, indústria e Petrobras, Lula reforçou uma mensagem central de seu governo: o Brasil precisa dominar tecnologias estratégicas, mas sem abrir mão do controle público, da soberania e da responsabilidade social.


