Lula anuncia nova estratégia para minerais críticos e quer Brasil exportando tecnologia

Da Redação

Após reunião com especialistas, Presidente Lula cobra ação do Estado, anuncia conselho ligado à Presidência e defende investimentos em pesquisa, laboratórios e industrialização das terras raras

O Presidente Lula afirmou que o governo federal dará um novo tratamento à exploração e ao desenvolvimento tecnológico relacionado aos minerais críticos e às terras raras. Após uma reunião com especialistas, representantes de empresas e integrantes de instituições que atuam no setor, Lula anunciou a intenção de acelerar projetos, ampliar a infraestrutura de pesquisa e criar uma instância de assessoramento diretamente ligada à Presidência da República.

As declarações foram feitas durante a reunião sobre minerais críticos, divulgada em vídeo pelos canais oficiais do governo. Ao avaliar as apresentações dos participantes, Lula afirmou ter ficado impressionado com o conhecimento científico e técnico já acumulado no país e questionou por que esse potencial ainda não foi convertido em uma estratégia nacional capaz de gerar desenvolvimento industrial e domínio tecnológico.

“Eu fico boquiaberto de ver quanto conhecimento sobre minerais críticos e terras raras está em volta dessa mesa”, afirmou. Para Lula, o país já dispõe de profissionais qualificados, empresas, universidades e institutos com experiência na área. O problema, segundo ele, está na ausência de uma decisão política que articule essas capacidades.

“Falta uma decisão política, falta uma decisão de governo. O que o governo deseja que aconteça nesse país e o que o governo quer propor à sociedade brasileira?”, questionou.

O Presidente Lula defendeu uma atuação direta do Estado na construção da política para minerais críticos. Em sua avaliação, projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento brasileiro tiveram participação decisiva do poder público. Durante a fala, citou a exploração do petróleo, o Proálcool e o biodiesel como exemplos de iniciativas que dependeram de decisões governamentais para avançar.

A preocupação central apresentada na reunião é impedir que o Brasil reproduza, com os minerais críticos e as terras raras, uma relação econômica baseada apenas na extração e na venda de recursos naturais sem processamento e desenvolvimento tecnológico no território nacional.

“Nós não queremos ser vendedor de matéria-prima, nós queremos ser exportador de inteligência, de conhecimento”, declarou Lula.

O Presidente afirmou que os minerais estratégicos podem contribuir não apenas para ampliar a autonomia brasileira sobre seus recursos naturais, mas também para fortalecer a capacidade tecnológica, científica e financeira do país.

Segundo Lula, a reunião representou uma mudança na forma como o governo pretende conduzir o tema. “A nossa história de tratar as chamadas terras raras e minerais críticos mudou de patamar a partir dessa reunião”, afirmou.

Governo quer transformar conhecimento em projetos

Durante sua intervenção, Lula cobrou a apresentação de projetos concretos capazes de atrair financiamento público e privado. Para ele, a falta de recursos não pode ser usada como justificativa permanente para a ausência de iniciativas estruturadas.

“Discurso não faz dinheiro. Constatar que está faltando dinheiro não faz dinheiro. O que faz dinheiro é ter um projeto. Se o projeto apresentado for factível, o dinheiro aparece”, disse.

Lula acrescentou que, diante de propostas viáveis, cabe ao governo procurar as fontes necessárias de financiamento. “Ao invés de dizer que não tem dinheiro, nós temos que procurar onde está o dinheiro”, afirmou.

A orientação anunciada pelo Presidente envolve a identificação das principais lacunas da cadeia de pesquisa, desenvolvimento e processamento dos minerais. Lula afirmou que o governo poderá investir na criação de laboratórios, no fortalecimento dos institutos federais e na ampliação da infraestrutura das universidades.

“Se falta laboratório, nós temos que criar laboratório. Se falta um instituto necessário, vamos ter que criar o instituto”, afirmou.

O Presidente também mencionou a expansão da rede federal de educação profissional e tecnológica como parte da capacidade que poderá ser mobilizada para formar profissionais e desenvolver pesquisas relacionadas ao setor.

Conselho ligado à Presidência

Entre as medidas anunciadas está a formação de um conselho de especialistas diretamente ligado à Presidência da República. A proposta é reunir conhecimento técnico e científico para orientar decisões do governo sobre minerais críticos e terras raras.

Lula não detalhou, durante a fala, a composição, as atribuições ou o cronograma de instalação da nova instância, mas afirmou que a reunião marca o início de uma nova fase da política governamental para o setor.

A discussão ocorre em um momento de crescente disputa internacional pelo controle de cadeias produtivas que dependem desses materiais. Minerais críticos são essenciais para diversos segmentos industriais e tecnológicos, especialmente aqueles associados à transição energética, à eletrônica avançada e a tecnologias de alto valor agregado.

Nesse contexto, Lula relacionou a estratégia brasileira à disputa entre Estados Unidos e China e afirmou que o Brasil pretende desenvolver capacidade própria de processamento e produção tecnológica.

“Se o Trump está preocupado com a China, pode começar preocupado com o Brasil, que nós vamos ser detentores de fazer as mesmas coisas ou mais qualificadas que o chinês faz”, declarou.

A afirmação sintetiza a orientação defendida pelo Presidente durante a reunião: utilizar as reservas minerais brasileiras como base para uma política de desenvolvimento industrial e científico, evitando limitar a participação do país no mercado internacional à condição de fornecedor de recursos naturais.

Petrobras como empresa de energia e inovação

Lula também voltou a defender uma ampliação do papel da Petrobras. Segundo ele, a estatal deve ser compreendida como uma empresa de energia e assumir maior participação no financiamento da inovação tecnológica brasileira.

“Eu sonho há muito tempo que a Petrobras não é mais uma empresa de petróleo. A Petrobras é uma empresa de energia e, mais do que energia, a empresa que mais tem que financiar a inovação nesse país”, afirmou.

A declaração aproxima o debate sobre minerais críticos de uma estratégia mais ampla de política industrial, na qual empresas públicas, instituições de pesquisa, universidades e instrumentos estatais de financiamento participem do desenvolvimento de novas tecnologias.

Ao encerrar a reunião, Lula afirmou que o governo passará a tratar o tema como prioridade estratégica. A partir das falas do Presidente, a orientação é organizar projetos, identificar necessidades de infraestrutura científica e buscar financiamento para transformar reservas minerais e conhecimento já existente em produção industrial e domínio tecnológico.

“Eu posso dizer para vocês que as coisas vão andar nesse governo”, afirmou Lula.

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