Lula aposta no peso do voto feminino e diz que mulheres podem decidir os rumos do Brasil em 2026

Da Redação

Em ato que reuniu cerca de 7 mil pessoas em Belo Horizonte, presidente direcionou sua mensagem ao eleitorado feminino, defendeu maior presença das mulheres nos espaços de poder e associou sua agenda para o segmento ao combate ao feminicídio, à igualdade salarial, à educação, à autonomia econômica e à redução da jornada de trabalho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou as mulheres no centro de seu discurso político para as eleições de 2026. Durante o Ato Nacional Lula com Mulheres, realizado em Belo Horizonte, ele afirmou que o eleitorado feminino poderá exercer papel decisivo na definição dos rumos do país e defendeu a ampliação da representação das mulheres no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas, nos governos estaduais e nas demais estruturas institucionais.

“Vocês podem decidir o destino deste país”, declarou Lula diante de um público estimado em cerca de 7 mil pessoas, formado por candidatas, ministras, integrantes do governo e lideranças femininas de diferentes regiões. O encontro combinou mobilização eleitoral com a apresentação das políticas que o governo associa à igualdade de gênero, à proteção contra a violência e à autonomia econômica das mulheres.

A ênfase no eleitorado feminino ocorre em uma eleição na qual a participação das mulheres possui enorme dimensão quantitativa e política. A Justiça Eleitoral vem promovendo sua própria campanha institucional para estimular a participação no pleito de outubro e reforça que o eleitor deve ser protagonista do processo eleitoral, exercendo livremente o direito de escolher seus representantes.

No caso de Lula, entretanto, a mensagem de Belo Horizonte foi diretamente política. O presidente procurou estabelecer uma conexão entre a participação eleitoral feminina, a presença de mulheres nos espaços institucionais e políticas públicas desenvolvidas ou defendidas por seu governo.

Ao sustentar que a representação feminina ainda precisa crescer, Lula afirmou que a composição dos espaços de decisão deveria refletir melhor a sociedade brasileira. “Nunca na história desse país se fez tanto do ponto de vista da participação das mulheres”, declarou, segundo o Brasil 247.

A declaração é uma avaliação política do próprio presidente sobre seus governos e deve ser compreendida dessa maneira. O ponto concreto defendido por Lula no evento foi a necessidade de aumentar a presença feminina nas instituições e de criar condições para maior igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.

Proteção, renda e autonomia entram no discurso

Lula utilizou o encontro para mencionar medidas de seu governo direcionadas às mulheres. Entre as iniciativas citadas estavam o Pacto Nacional contra o Feminicídio, a expansão das Casas da Mulher Brasileira e a legislação sobre igualdade salarial. O presidente relacionou essas políticas a uma agenda mais abrangente de proteção, renda, trabalho, educação e autonomia.

Um dos pontos abordados foi o trabalho de cuidados, historicamente exercido de maneira desproporcional pelas mulheres. Trata-se de uma questão que ultrapassa a divisão das tarefas domésticas porque interfere diretamente na disponibilidade de tempo para educação, trabalho remunerado e participação econômica.

Essa dimensão também apareceu quando Lula falou sobre educação. O presidente defendeu a expansão da escola em tempo integral não apenas como política educacional, mas como instrumento capaz de produzir efeitos sobre a organização familiar e a autonomia das mulheres. Segundo sua argumentação, ampliar o acesso à educação e às oportunidades profissionais pode ajudar meninas e mulheres a construir maior independência econômica.

O enfrentamento à violência foi outro eixo do pronunciamento. Lula afirmou que o combate ao feminicídio precisa envolver tanto o Estado quanto a sociedade e vinculou a igualdade entre homens e mulheres à existência de políticas concretas de proteção.

Fim da escala 6×1 também foi levado ao encontro

O presidente também inseriu no discurso uma das discussões trabalhistas em curso no país: a redução da jornada e o fim da chamada escala 6×1.

Lula demonstrou confiança na possibilidade de avanço da proposta e defendeu a redução da jornada sem diminuição salarial. No encontro, relacionou a mudança à possibilidade de trabalhadores disporem de mais tempo para descanso, lazer, convivência familiar e cuidados.

A associação com o público feminino decorre da discussão sobre a chamada dupla jornada: além do emprego remunerado, muitas mulheres concentram responsabilidades domésticas e familiares. No discurso presidencial, portanto, a redução da jornada apareceu não apenas como uma questão trabalhista, mas também relacionada à organização do tempo dedicado ao cuidado.

O tema, entretanto, depende do processo legislativo e não pode ser tratado como mudança já concluída apenas pela manifestação favorável do presidente.

Lula leva sua história pessoal ao discurso

A parte política e programática do evento foi acompanhada por referências pessoais. Lula falou sobre a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, recordando o período posterior à morte de sua primeira esposa, Marisa Letícia. Disse que Janja teve importância em sua trajetória pessoal e afirmou que ela o faz sentir-se “um homem pleno”.

Também evocou a memória da mãe, Dona Lindu, personagem recorrente de seus discursos sobre pobreza, família e ascensão social. Lula a descreveu como “heroína” e “referência”, recordando as dificuldades enfrentadas para criar os filhos.

As duas referências funcionaram no pronunciamento como elementos autobiográficos dentro de uma mensagem dirigida predominantemente às mulheres presentes no encontro.

Mas o núcleo político permaneceu nas urnas.

Ao repetir que as mulheres podem “decidir o destino” do país, Lula deixou explícita a importância que atribui ao eleitorado feminino na disputa presidencial de outubro.

A estratégia também envolve representação parlamentar. Lula pediu maior participação das mulheres na política institucional e defendeu a eleição de candidatas alinhadas a políticas de igualdade e inclusão — um pedido eleitoral feito pelo próprio presidente durante o ato, e não uma orientação desta reportagem.

Mulheres entram definitivamente no centro da disputa eleitoral

O encontro de Belo Horizonte revela, sobretudo, uma escolha de comunicação da campanha: apresentar ao eleitorado feminino um conjunto articulado de temas que vai da violência e da igualdade salarial à educação, ao cuidado, à jornada de trabalho e à participação política.

Isso não significa, por si só, que as mulheres constituam um bloco eleitoral homogêneo. Diferenças de renda, idade, escolaridade, região, religião, raça, inserção profissional e posição política atravessam um universo formado por dezenas de milhões de eleitoras. Da mesma maneira, a presença de milhares de apoiadoras em um evento de campanha não pode ser utilizada isoladamente para medir o comportamento do conjunto do eleitorado feminino.

O que o ato permite afirmar é que Lula atribui importância central a esse segmento na disputa de 2026 e pretende colocar políticas voltadas às mulheres entre os temas de sua campanha.

Ao reunir milhares de apoiadoras em Belo Horizonte e dizer diretamente que elas podem determinar os rumos do país, o presidente estabeleceu a mensagem que pretende levar às próximas semanas da corrida eleitoral: participação política, representação feminina e políticas públicas direcionadas às mulheres estarão entre os assuntos disputados até outubro.

A decisão final, naturalmente, pertence às eleitoras e aos eleitores brasileiros quando forem às urnas.

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