Em entrevista à Rádio Progresso, Presidente Lula reagiu ao uso de sua imagem por Ciro Gomes, pediu votos para Elmano, Cid e Luizianne e falou sobre investimentos federais no Ceará
Da Redação
O Presidente Lula afirmou nesta sexta-feira que Ciro Gomes não integra sua aliança política no Ceará e pediu que os eleitores não se deixem confundir pelo uso de sua imagem em materiais eleitorais. Candidato à reeleição, Lula declarou que seu único candidato ao Governo do Ceará é Elmano de Freitas e reforçou o apoio a Cid Gomes e Luizianne Lins para o Senado.
As declarações foram dadas em entrevista ao jornalista João Hilário, da Rádio Progresso FM, de Juazeiro do Norte. A conversa foi transmitida também pelos canais oficiais do Presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores, durante uma agenda no Cariri que reuniu compromissos institucionais e atos de campanha.
Questionado sobre a possibilidade de outros candidatos associarem suas campanhas à candidatura presidencial do petista, Lula revelou que já viu peças nas quais aparece ao lado de Ciro. Em seguida, procurou demarcar publicamente a posição do ex-governador cearense.
“Eu já vi material do Ciro comigo. Mas o que tenho que dizer é que o Ciro não está comigo. Quem está comigo é o Elmano”, afirmou.
Lula disse que Ciro fez uma opção por outro campo político e pode disputar os votos dos cearenses, mas não deve ser apresentado como parte da aliança encabeçada pelo PT.
“Se a pessoa quiser votar no Ciro, vota por conta do Ciro. Mas não pode votar enganada, achando que eu tenho ligação com o Ciro. Ele fez uma opção. Ele foi para o outro lado”, declarou.
O presidente evitou ataques pessoais ao adversário de Elmano. Segundo Lula, sua atuação nos estados será concentrada na defesa dos candidatos aliados e na apresentação das ações realizadas pelo governo federal.
“Eu não vou ao estado para falar mal de nenhum candidato a governador. Não é esse o meu papel. O meu papel é chegar ao estado, falar bem do meu candidato, falar das coisas que eu fiz e pedir voto”, disse.
Lula pede voto casado no Ceará
Ao falar sobre a disputa estadual, Lula anunciou que pretende trabalhar pela transferência de seus votos para Elmano, Cid e Luizianne. O presidente afirmou estar otimista com a possibilidade de vitória da chapa que recebe seu apoio no Ceará.
“Eu espero ganhar a confiança do eleitor para fazer a transferência de voto. Garantir que as pessoas que votarem em mim votem no Elmano, votem no Cid e votem na Luizianne”, declarou.
Lula resumiu de forma direta sua posição na disputa cearense:
“O Lula só tem um candidato no Ceará, chama-se Elmano. O Lula só tem um senador e uma senadora no Ceará, chamam-se Cid Gomes e Luizianne. O resto são adversários.”
Segundo o presidente, a reeleição de Elmano permitirá ampliar as parcerias entre os governos estadual e federal. Lula classificou o governador como competente e disse conhecê-lo há muitos anos.
“O meu papel é dizer para cada homem e para cada mulher deste estado que o meu candidato a governador chama-se Elmano. Quem for votar em mim, eu vou pedir que vote no Elmano, porque ele está fazendo um bom trabalho e pode fazer muito mais”, afirmou.
Lula explicou que, depois da entrevista e da visita institucional ao Cinturão das Águas, passaria a participar oficialmente da campanha eleitoral.
“Quando eu terminar essa entrevista, vou visitar o Cinturão das Águas. Aí tiro a roupa de presidente, visto a roupa de candidato e vou fazer campanha para contribuir com a eleição do Elmano governador, do Cid senador e da Luizianne senadora”, disse.
Água para Juazeiro e o Cariri
Antes de tratar das eleições, Lula dedicou boa parte da entrevista aos investimentos hídricos realizados no Ceará. Ele classificou a transposição do Rio São Francisco e as obras de distribuição de água como o maior conjunto de intervenções do setor já realizado no país.
“A falta de chuva é um fenômeno da natureza. Agora, as pessoas sofrerem por conta dela é uma demonstração da incapacidade das pessoas que governaram este país”, afirmou.
Lula lembrou que a transposição enfrentou resistências de estados situados na bacia do São Francisco. O presidente defendeu que a água seja compartilhada com regiões do Ceará, da Paraíba, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte que convivem com dificuldades de abastecimento.
“Enquanto o velho Chico, abençoado por Deus, estiver oferecendo água ao Nordeste, ninguém vai morrer por causa da falta de água”, disse.
Ao abordar o Cinturão das Águas, Lula destacou que Juazeiro do Norte ainda depende de mais de uma centena de poços profundos em funcionamento contínuo. Segundo o presidente, a obra representará um reforço importante para o abastecimento da cidade e de outros municípios do Cariri.
Ele também defendeu que parte da água seja utilizada na agricultura familiar. A prioridade, segundo Lula, deve ser atender pequenos agricultores que produzem para a subsistência e para a comercialização.
O presidente reconheceu que ainda será necessário definir o modelo de administração da água. A Companhia Hidrelétrica do São Francisco havia sido cogitada para assumir essa função, mas foi privatizada. Com isso, o governo terá de formular outra solução.
Preservação do São Francisco
Lula afirmou que a transposição precisa ser acompanhada por medidas de preservação e recuperação do Rio São Francisco. Entre as ações citadas estão a recomposição da vegetação nas margens, a proteção das nascentes, a recuperação dos afluentes e a redução do despejo de esgoto.
“Essa obra não é só fazer a água chegar onde precisa. É manter o Rio São Francisco perene”, declarou.
O presidente também relacionou a segurança hídrica à preparação para fenômenos climáticos extremos. Segundo ele, o governo federal trabalha há mais de um ano na organização de equipes, veículos, aeronaves e estoques de alimentos para enfrentar possíveis consequências do El Niño.
Fim da escala 6 por 1
Lula lamentou que a proposta de extinção da escala de trabalho 6 por 1 não tenha sido votada pelo plenário do Senado antes do primeiro turno. A matéria avançou na comissão e deverá ser analisada pelos senadores depois das eleições.
Para o presidente, a mudança permitirá que trabalhadores tenham mais tempo para a família, os estudos e o cuidado com os filhos.
“A gente poderia ter o trabalhador descansando um pouco mais, ficando um dia a mais com a família, estudando e criando os filhos”, afirmou.
Lula também cobrou a votação da proposta de emenda constitucional da segurança pública. Segundo ele, a aprovação permitirá definir o papel da União no enfrentamento ao crime organizado e viabilizar a criação do Ministério da Segurança Pública.
Educação para os empregos do futuro
Questionado sobre o impacto da inteligência artificial e das novas tecnologias sobre o mercado de trabalho, Lula apresentou a educação como prioridade para um eventual quarto mandato.
O presidente citou o programa Pé-de-Meia, criado para combater a evasão no ensino médio. Conforme os números apresentados na entrevista, aproximadamente 12,5 mil estudantes seriam atendidos em Juazeiro do Norte e cerca de 490 mil em todo o Ceará.
Lula também mencionou a expansão das universidades e dos institutos federais e defendeu a criação de cursos ligados às novas demandas econômicas. Entre as áreas citadas estão engenharia espacial, inteligência artificial, tecnologia da informação e processamento de minerais críticos.
“Nós precisamos estar preparados para exportar a nossa inteligência e o nosso conhecimento. E isso só vamos ter com muita educação”, afirmou.
A instalação de uma unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica no Ceará foi apresentada pelo presidente como um reconhecimento aos resultados educacionais alcançados pelo estado. Lula também mencionou projetos de centros de dados e supercomputadores no Nordeste.
“Eu não quero que o Nordeste seja de segunda classe. Quero que o Nordeste tenha o mesmo padrão de qualquer outro estado deste país”, declarou.
Camilo pode ganhar projeção nacional
Lula também foi questionado sobre o futuro político de Camilo Santana. Para o presidente, o ex-governador do Ceará pode tornar-se uma liderança de alcance nacional após sua passagem pelo Ministério da Educação.
“O Camilo pode ser o que ele quiser em nível nacional”, afirmou.
Lula ponderou que políticos interessados em ampliar sua presença nacional precisam circular por outros estados, conceder entrevistas, visitar universidades e dialogar com movimentos sociais. Segundo ele, uma liderança não se torna nacional permanecendo restrita ao estado de origem.
Relação com Trump
Na política externa, Lula afirmou manter uma relação institucional com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das divergências entre os dois governos.
O presidente relatou uma conversa telefônica de aproximadamente uma hora e meia com Trump. Segundo Lula, após o contato, representantes comerciais dos dois países retomaram o diálogo.
Lula afirmou que o Brasil buscará outros compradores se os Estados Unidos reduzirem suas importações de produtos brasileiros.
“Se os Estados Unidos não quiserem comprar da gente, você acha que eu vou ficar chorando? Eu vou procurar quem quer comprar”, declarou.
Sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, Lula afirmou ter advertido Trump de que o país não aceitará ingerências externas.
“Nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. Se entrar, vai perder”, disse.
“Quando você for votar, vote em você”
No encerramento da entrevista, Lula apresentou as eleições de 2026 como uma decisão sobre democracia, soberania, ciência e políticas sociais. O presidente criticou candidaturas associadas ao negacionismo, à desinformação e aos pedidos de interferência estrangeira no Brasil.
Ele recomendou que cada eleitor avalie as propostas a partir de sua própria vida e das condições que deseja para sua família.
“Quando você for votar, vote em você. Passe 30 segundos pensando no que quer para o seu país, para a sua mulher e para os seus filhos. Seja você o candidato e veja quem mais se aproxima do que você quer”, afirmou.
Aos 80 anos, Lula disse estar motivado para disputar outro mandato e manter uma rotina diária de exercícios físicos. Segundo o presidente, sua candidatura está vinculada ao compromisso de elevar a qualidade dos empregos e garantir aos jovens das famílias mais pobres acesso à educação tecnológica.
“Eu quero que o filho dos pobres tenha o mesmo padrão de educação que tem o filho do rico. E só quem pode garantir isso é o Estado”, concluiu.
