Lula critica tarifas dos EUA e afirma que Brasil não é obrigado a aceitá-las

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (10) as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que o Brasil não tem obrigação de aceitar medidas que considera injustas e prejudiciais aos trabalhadores nacionais. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o Conselhão, em Brasília.

Ao comentar o novo pacote tarifário anunciado pelo governo norte-americano, Lula associou a reação brasileira à defesa da soberania nacional e do respeito às decisões econômicas do país. Segundo o presidente, as medidas adotadas por Washington afetam diretamente a economia brasileira e exigem uma resposta firme do governo.

“Essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos o direito de aceitar”, afirmou Lula durante o encontro. O presidente argumentou que a relação entre os dois países deve ser baseada no diálogo e no respeito mútuo, sem imposições unilaterais.

Durante o discurso, Lula também questionou os critérios utilizados pelos Estados Unidos para justificar as medidas comerciais contra o Brasil. O presidente solicitou estudos sobre as condições de trabalho e os direitos trabalhistas existentes nos EUA, em resposta às justificativas apresentadas por autoridades norte-americanas para sustentar as novas barreiras comerciais.

A disputa comercial ocorre em meio a uma escalada das pressões norte-americanas sobre setores considerados estratégicos pelo governo brasileiro. Entre os temas citados por autoridades dos EUA estão questões ambientais, políticas regulatórias e o sistema de pagamentos instantâneos Pix, desenvolvido pelo Banco Central.

A defesa do Pix ganhou destaque durante a própria reunião do Conselhão. Lula, ministros e representantes do governo exibiram uma placa com a frase “O Pix é do Brasil”, em um gesto político de apoio ao sistema nacional de pagamentos. O governo também anunciou o reconhecimento do Pix como marca de alto renome pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), ampliando sua proteção jurídica.

Paralelamente, parlamentares da base governista passaram a defender medidas para fortalecer a proteção institucional do sistema. O deputado Pedro Uczai (PT-SC) apresentou proposta para garantir proteção constitucional ao Pix, argumentando que a infraestrutura financeira nacional não pode ficar sujeita a interesses econômicos estrangeiros.

O episódio reforça um debate mais amplo sobre soberania econômica e tecnológica. Para integrantes do governo, a capacidade de o Brasil desenvolver sistemas próprios de pagamento, inovação e infraestrutura financeira faz parte da estratégia de reduzir dependências externas e ampliar a autonomia nacional em áreas consideradas estratégicas.

A campanha Brasil Soberano defende a construção de um Congresso Amigo do Povo. Um manifesto está sendo elaborado por intelectuais, sindicalistas e lideranças populares e pode ser conhecido e assinado em https://campanhabrasilsoberano.com.br/

compartilhe: