Da Redação
Em uma conversa por telefone, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping reafirmaram a disposição de aprofundar a parceria estratégica entre Brasil e China, sublinhando a importância de cooperação multilateral e de atuação conjunta frente às turbulências no cenário internacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone nesta semana e destacaram a intenção de aprofundar os laços bilaterais entre seus países diante de um ambiente global considerado instável e desafiador. Segundo relatos oficiais, divulgados por agências internacionais e pela imprensa estatal chinesa, os dois líderes colocaram a parceria entre Brasil e China como um componente chave para ampliar a estabilidade, defender o multilateralismo e resguardar os interesses de países em desenvolvimento.
Na conversa, Xi Jinping enfatizou que Brasil e China devem atuar de forma coordenada para enfrentar as incertezas geopolíticas e econômicas que marcam a conjuntura global, posicionando as duas nações como “forças estabilizadoras” que podem influenciar positivamente a governança internacional. O líder chinês ainda conclamou ambos os países a “ficarem do lado certo da História” e a defenderem conjuntamente os interesses do Sul Global e o papel central de instituições multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).
O telefonema reforçou uma relação bilateral que, na avaliação de Pequim, tem avançado em várias frentes desde o encontro de alto nível dos dois líderes em 2024, quando foi anunciada a elevação dos laços para uma “comunidade com futuro compartilhado” — conceito que remete à cooperação estratégica de longo prazo e à busca por um mundo mais justo e sustentável. Xi ressaltou que o desenvolvimento de alta qualidade da China, impulsionado pela abertura econômica, criará mais oportunidades de cooperação em diversas áreas com o Brasil, incluindo comércio, investimentos e inovação.
Do lado brasileiro, Lula reafirmou a relevância da relação com a China em um momento em que a ordem mundial enfrenta fragmentações e tensões entre grandes potências. De acordo com assessores do presidente, ele destacou o papel do Brasil na defesa do multilateralismo e na promoção de um sistema internacional baseado em regras justas, não apenas para seus próprios interesses, mas também para países emergentes e em desenvolvimento. Lula também ressaltou que a parceria com a China é um elemento central da atuação do Brasil em fóruns multilaterais, como o BRICS, onde ambos os países têm papéis de destaque.
A conversa ocorre em um contexto em que o Brasil busca equilibrar suas relações externas diante de um cenário global turbulento — marcado por tensões comerciais, disputas geopolíticas e pressões de grandes potências sobre questões como comércio, segurança e clima. Nesse contexto, fortalecer os laços com a China é interpretado por analistas como uma estratégia de política externa brasileira visando diversificar parcerias estratégicas, impulsionar cooperação econômica e sinalizar apoio à ideia de maior voz para países do Sul Global na governança internacional.
Especialistas em relações internacionais destacam que, apesar de eventuais pontos de fricção — como recentes quotas chinesas sobre importações de carne brasileira —, a cooperação entre Brasil e China tem se mantido robusta, alicerçada tanto em interesses econômicos quanto em uma visão compartilhada de multilateralismo e desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, os líderes buscaram mostrar que a parceria pode servir de exemplo de solidariedade entre grandes países em desenvolvimento num momento de instabilidade global.
A ligação telefônica de hoje reafirma que Brasília e Pequim estão empenhados em manter um diálogo estratégico contínuo, reforçando a percepção de que a relação bilateral vai além dos aspectos econômicos, inserindo-se também em debates amplos sobre governança global, reforma de instituições multilaterais e defesa de uma ordem internacional mais equitativa.


