Da Redação
O presidente Lula avalia reabrir negociações com os Estados Unidos sobre mineração de metais estratégicos, como lítio e terras-raras, durante reunião prevista com Donald Trump; intenção é fomentar indústria de alto valor agregado no Brasil.
O governo brasileiro vem sinalizando que pretende reativar, no encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um antigo projeto de cooperação em mineração de metais críticos — insumos estratégicos para baterias, semicondutores, energia limpa e inovação tecnológica. O plano, iniciado durante a gestão Biden, foi interrompido com a transição para Trump, mas agora é visto como prioritário para inserção do Brasil nas cadeias globais de valor.
A proposta não prevê mais que o Brasil atue apenas como exportador de matérias-primas, mas que parte da produção seja nacional, com fábricas instaladas em solo brasileiro sob parceria com empresas estrangeiras. A ideia é que esses empreendimentos agreguem valor localmente — fabricação de baterias, componentes eletrônicos, painéis solares, entre outros.
Caso avance, isso significaria uma virada estratégica para o setor mineral nacional, que historicamente vende grande parte de seu portfólio bruto. A intenção declarada por Lula é que o Brasil retenha protagonismo e ganhos, não repetindo o padrão de mera exportação de recursos naturais.
O interesse dos EUA nesses metais é elevado, pois são componentes essenciais na transição energética, veículos elétricos, redes inteligentes e competição tecnológica. Em 2025, diversos países têm buscado garantir fontes seguras de minerais críticos para diminuir dependência geopolítica de países com domínio dessas matérias.
Para o Brasil, esse movimento representa oportunidade de captar investimentos, desenvolver tecnologia nacional, gerar empregos qualificados e aumentar participação no mercado global de alto valor agregado. Contudo, a execução dependerá de regras claras, garantias de soberania, regulação ambiental e negociações equilibradas para evitar dependência ou imposições desfavoráveis.
Dentro da diplomacia brasileira, a retomada desse tema é vista como parte de uma estratégia mais ampla de “agenda positiva” com os EUA, tentando transformar relações tensionadas em oportunidades mútuas de cooperação sustentável.
Fontes do Planalto indicam que Lula planeja reuniões com ministros estratégicos — como Indústria, Relações Exteriores e Fazenda — nos próximos dias para ajustar a pauta. Está prevista a presença de figuras como Geraldo Alckmin, Mauro Vieira e Fernando Haddad para acompanhar o debate técnico e político da proposta.
O Brasil pretende apresentar ao lado dos EUA uma agenda bilateral que inclua mineração, regulação digital, energia limpa e comércio, buscando que o diálogo não se reduza apenas a tensões tarifárias ou conflitos judiciais.
Desafios e riscos
- Soberania e cláusulas contratuais: será fundamental que o Brasil mantenha controle sobre suas reservas e evite imposição de cláusulas que comprometam decisões nacionais.
- Ambiental e licenciamento: exploração mineral, especialmente em áreas sensíveis, exige rigor ambiental, licenças e mecanismos de mitigação de impactos.
- Competitividade e condições: parcerias precisam garantir condições vantajosas para o Brasil — tecnologia, transferência, participação local e não condição onerosa imposta por investidores estrangeiros.
- Pressão política interna: projetos como esse tendem a gerar debates fortes no Parlamento, em especial entre correntes desenvolvimentistas e ambientalistas.
- Geopolítica: ao firmar cooperação com os EUA, o Brasil precisará equilibrar relações com outras potências interessadas como China e União Europeia, evitando rupturas diplomáticas.


