Presidente afirma que o Brasil precisa recuperar sua capacidade industrial, investir em tecnologia militar e transformar a defesa nacional em política permanente de Estado
Da Redação
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que um eventual quarto mandato será marcado por uma forte política de fortalecimento da indústria nacional de defesa, inspirada na estratégia de desenvolvimento adotada durante o governo de Getúlio Vargas. Em entrevista concedida à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o Diário do Centro do Mundo (DCM), Lula associou a construção da soberania nacional ao investimento em ciência, tecnologia, inovação e capacidade industrial.
Ao mencionar Getúlio Vargas, o presidente destacou que a industrialização promovida ao longo do século XX permitiu ao Brasil construir empresas estratégicas e ampliar sua autonomia econômica. Segundo Lula, o país precisa retomar esse projeto de desenvolvimento diante das transformações geopolíticas em curso e da crescente disputa internacional por tecnologia, minerais estratégicos e capacidade produtiva.
Defesa passa a integrar programa de governo
Lula afirmou que, pela primeira vez, pretende incluir explicitamente a defesa nacional entre os compromissos centrais de um programa de governo.
Segundo o presidente, o fortalecimento das Forças Armadas deve estar vinculado ao desenvolvimento da indústria brasileira, à produção de tecnologia própria e à geração de empregos qualificados.
Ao justificar essa prioridade, Lula argumentou que o cenário internacional tornou-se mais instável e que o Brasil precisa estar preparado para proteger seu território, sua infraestrutura estratégica e suas riquezas naturais.
“Eu não quero guerra. Mas também não quero ser pego de surpresa”, afirmou em discurso recente ao defender investimentos no setor de defesa.
Getúlio como referência para o desenvolvimento
Durante a entrevista, Lula apresentou Getúlio Vargas como uma das principais referências históricas para um projeto nacional de desenvolvimento.
Na avaliação do presidente, foi durante aquele período que o Brasil estruturou parte de sua base industrial, criou empresas estratégicas e consolidou instituições voltadas ao fortalecimento do Estado nacional.
Segundo Lula, o país precisa recuperar essa capacidade de planejamento de longo prazo para enfrentar os desafios tecnológicos do século XXI.
Indústria de defesa como motor tecnológico
O presidente defendeu que investimentos em defesa não sejam vistos apenas como gastos militares, mas como instrumentos de desenvolvimento científico e industrial.
Ele argumentou que países tecnologicamente avançados utilizam seus programas de defesa para impulsionar pesquisas em áreas como inteligência artificial, sistemas de comunicação, satélites, aeronáutica, engenharia naval, materiais avançados e tecnologia espacial.
Na avaliação de Lula, fortalecer empresas nacionais do setor também significa ampliar a capacidade de inovação da economia brasileira e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Soberania diante das tensões internacionais
Ao justificar a necessidade de ampliar os investimentos, Lula citou o agravamento das tensões internacionais e criticou a postura de lideranças mundiais que, segundo ele, adotam discursos expansionistas.
Em diferentes discursos recentes, o presidente mencionou declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre Groenlândia, Canadá e Canal do Panamá como exemplos de um ambiente internacional mais imprevisível.
Segundo Lula, o Brasil continua comprometido com a paz, mas precisa estar preparado para proteger sua soberania.
“Nós gostamos da paz, mas precisamos cuidar da nossa defesa”, afirmou em outra agenda pública.
Defesa e desenvolvimento caminham juntos
Lula também relacionou a política de defesa ao fortalecimento da indústria nacional.
Segundo ele, investimentos em equipamentos militares produzidos no Brasil geram empregos, estimulam universidades, fortalecem centros de pesquisa e impulsionam cadeias produtivas de alta tecnologia.
O presidente tem citado como exemplos empresas brasileiras dos setores aeronáutico, naval, espacial e de defesa, defendendo maior integração entre Estado, universidades e indústria.
Projeto estratégico para o próximo ciclo
Ao projetar um eventual quarto mandato, Lula afirmou que pretende aprofundar políticas de desenvolvimento iniciadas no atual governo e consolidar um novo ciclo de industrialização baseado em inovação tecnológica.
Nesse contexto, a defesa nacional aparece como um dos pilares de uma estratégia mais ampla voltada à soberania econômica, científica e tecnológica do país.
Segundo o presidente, o objetivo é garantir que o Brasil possua capacidade própria para proteger seu território, desenvolver tecnologias estratégicas e ocupar posição mais relevante no cenário internacional, retomando uma tradição de planejamento estatal que, em sua avaliação, teve em Getúlio Vargas um de seus principais formuladores.






