Atitude Popular

Lula faz pronunciamento à nação no Dia do Trabalhador e anuncia redução da jornada e novo Desenrola

Presidente defende fim da escala 6 por 1, critica apostas online e apresenta medidas para aliviar o endividamento das famílias

Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, o Luiz Inácio Lula da Silva marcou o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora com anúncios voltados à renda, ao crédito e às condições de trabalho no país. A fala foi transmitida oficialmente e divulgada nas plataformas digitais do governo.

Logo no início, Lula situou o discurso no contexto do endividamento das famílias brasileiras. “Nós encontramos no Brasil os brasileiros endividados”, afirmou, ao justificar o relançamento do programa Desenrola Brasil. Segundo o presidente, a nova versão permitirá renegociação de dívidas com juros limitados a 1,99% ao mês e descontos que podem chegar a 90% do valor total. Ele também anunciou a possibilidade de saque de até 20% do saldo do FGTS para os participantes.

O presidente associou o problema do endividamento à expansão das plataformas de apostas online e anunciou uma restrição direta. Quem aderir ao programa ficará impedido de acessar esses serviços por um período de um ano. “O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando”, disse, apontando impactos especialmente sobre a renda familiar.

No eixo trabalhista, Lula destacou o envio ao Congresso Nacional de um projeto que reduz a jornada semanal para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta prevê o fim da escala 6 por 1. “Não faz sentido que, em pleno século XXI, milhões de brasileiros tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um”, declarou.

Ao abordar desigualdades de gênero, o presidente enfatizou a dupla jornada enfrentada por mulheres. Segundo ele, a mudança na jornada de trabalho pode ampliar o tempo disponível para cuidados familiares, estudo e saúde.

O pronunciamento também incluiu referências ao histórico de direitos trabalhistas no Brasil. Lula citou o salário mínimo, o 13º salário e as férias remuneradas como conquistas que enfrentaram resistência. “A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores”, afirmou.

Na parte econômica, o presidente mencionou indicadores recentes para sustentar a linha de recuperação. Disse que o país registra a menor inflação acumulada em quatro anos, queda no desemprego e aumento do rendimento médio. Também citou medidas como a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda, a antecipação do 13º de aposentados e programas de subsídio energético.

O cenário internacional foi citado como fator de pressão sobre os preços. Lula mencionou os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis e afirmou que o governo adotou medidas para conter impactos internos.

Na conclusão, o presidente adotou um tom político mais direto ao afirmar que há resistência a avanços sociais. “Cada vez que damos um passo adiante, o sistema joga contra”, disse, antes de reafirmar que o governo está alinhado com quem depende do próprio trabalho.

O pronunciamento consolida o 1º de Maio como momento de anúncio e disputa de agenda, articulando políticas emergenciais, como o crédito, com mudanças estruturais, como a reorganização da jornada de trabalho.

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