Atitude Popular

Lula: guerra contra fome é luta onde todos podem vencer, diz na ONU

Da Redação

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, Lula destaca que combater fome e pobreza é prioridade global, faz críticas aos gastos militares e defende justiça fiscal e regulação digital.

Na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira, 23 de setembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a guerra contra a fome e a pobreza é “a única da qual todos podem sair vencedores”. O discurso propôs uma revisão das prioridades da comunidade internacional, cobrando que se diminua o orçamento dedicado a conflitos armados e se aumente o investimento em desenvolvimento humano e social.

Lula criticou fortemente os gastos militares elevados e intervenções unilaterais que, segundo ele, desestabilizam países e aprofundam crises sociais. Ele disse que a comunidade global precisa repensar esses caminhos, afirmando que o combate à fome e à pobreza deve constar entre as metas centrais das nações, equiparado ou superior à lógica de segurança militar.

Entre as propostas apresentadas pelo presidente está o alívio da dívida externa para nações mais pobres, especialmente na África, e a adoção de padrões mínimos de tributação global. Lula defendeu que os mais ricos paguem proporcionalmente mais impostos que os trabalhadores comuns, considerando a justiça fiscal essencial não só para equilibrar economias, mas para fortalecer a democracia.

No plano doméstico, Lula comemorou que o Brasil voltou a ser retirado do Mapa da Fome da ONU, citando a FAO como reconhecimento desse avanço. Ainda assim, alertou que o panorama internacional permanece grave: cerca de 670 milhões de pessoas continuam passando fome, ao passo que cerca de 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar.

Outro ponto de destaque do discurso foi a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante o G20, e que já conta com apoio de mais de cem países. Lula apresentou essa aliança como caminho coletivo e multilateral para enfrentar os desafios sociais globais, unindo esforços de sustentabilidade, combate à escassez de alimentos e promoção de políticas públicas voltadas à inclusão.

Também fez referência ao debate sobre regulação das plataformas digitais, relacionando o tema à proteção dos mais vulneráveis — especialmente crianças e adolescentes — e afirmando que “regular não é restringir a liberdade de expressão”. Ele afirmou que o ambiente virtual também precisa seguir normas que coíbam condutas ilegais e que injustiças do mundo real não se tornem permissivas online.

No encerramento, Lula reforçou que democracia verdadeira não se sustenta apenas por processos eleitorais ou instituições formalmente republicanas; ela exige condições dignas de vida para todos. Ele criticou desigualdades de gênero, violência doméstica, falta de acesso à alimentação e direito à vida justa como sintomas de democracias incompletas.

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