Convenção estadual reúne lideranças da base aliada, oficializa candidaturas e concentra críticas ao governo Tarcísio, defesa da soberania nacional e apelo por mobilização da militância
A convenção partidária estadual realizada em Campinas oficializou neste sábado a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao Governo de São Paulo, tendo Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador. O ato também confirmou Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) como candidatas ao Senado na chapa apoiada pelo Presidente Lula para as eleições de 2026.
As informações têm como base a transmissão oficial da convenção partidária disponibilizada no YouTube. Ao longo de mais de duas horas de evento, lideranças da coalizão governista defenderam a união das forças políticas que sustentam o governo federal, apresentaram críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas e afirmaram que a disputa eleitoral ultrapassa os limites de uma eleição estadual.
Lula afirma que disputa vai além da eleição paulista
Em seu discurso, o Presidente Lula procurou situar a eleição de São Paulo dentro de um contexto político nacional e internacional. Segundo ele, o pleito representará uma disputa entre diferentes projetos de desenvolvimento, democracia e soberania.
Lula afirmou que a campanha enfrentará um ambiente marcado pela disseminação de desinformação nas redes sociais e pelo uso crescente de ferramentas de inteligência artificial para produzir conteúdos falsos.
O presidente pediu que os militantes utilizem a própria trajetória dos candidatos como principal instrumento de campanha.
“Os nossos adversários vão trabalhar muito nas redes digitais com inteligência artificial para inventar coisas que eles não fizeram, para inventar coisas que eles não são e para fazer promessas que eles jamais irão cumprir.”
Segundo Lula, a biografia dos candidatos representa um diferencial diante do que classificou como campanhas baseadas em desinformação.
“É a primeira vez que a gente pode utilizar a biografia do candidato para convencer os eleitores.”
O presidente também voltou a defender a soberania nacional diante de pressões internacionais.
“O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra. O Brasil quer paz.”
Ao encerrar sua participação, reafirmou confiança na vitória da chapa em São Paulo e na reeleição presidencial.
Haddad apresenta eleição como projeto de reconstrução de São Paulo
Fernando Haddad concentrou seu pronunciamento na comparação entre indicadores nacionais e estaduais.
O candidato afirmou que, enquanto o governo federal teria conseguido recuperar crescimento econômico, emprego e renda, São Paulo estaria perdendo protagonismo em diversos setores.
Entre os principais pontos apresentados por Haddad estiveram:
- crescimento econômico paulista inferior à média nacional;
- críticas à política de privatizações da Sabesp, CPTM e metrô;
- aumento dos índices de feminicídio;
- expansão da população em situação de rua;
- críticas à política educacional estadual;
- defesa de maior diálogo entre o governo e os municípios.
Segundo Haddad, São Paulo deixou de exercer o papel histórico de liderança econômica do país.
Também afirmou que pretende transformar educação, segurança pública e desenvolvimento regional em prioridades de sua gestão caso seja eleito.
Marina Silva defende democracia, meio ambiente e combate às desigualdades
Marina Silva apresentou um dos discursos mais voltados para temas ambientais e sociais.
A ministra destacou resultados obtidos pelo governo federal na redução do desmatamento e dos incêndios florestais, relacionando essas políticas ao fortalecimento da posição internacional do Brasil.
Ela também criticou a privatização da Sabesp, defendeu a valorização da educação pública e afirmou que o desenvolvimento econômico precisa caminhar junto com a preservação ambiental.
Marina ressaltou ainda que a chapa simboliza uma ampla convergência política.
Segundo ela, diferenças partidárias não impedem a construção de consensos em torno da democracia, dos direitos humanos, da soberania nacional e do combate às desigualdades.
Simone Tebet pede diálogo com eleitores indecisos
Simone Tebet dedicou boa parte de sua fala à necessidade de ampliar o diálogo para além da base tradicional dos partidos aliados.
A senadora defendeu que a campanha concentre esforços junto aos eleitores independentes e aos setores democráticos do centro político.
Ela afirmou que não basta vencer a eleição presidencial, sendo necessário ampliar as bancadas no Congresso Nacional e conquistar o governo paulista.
Simone também criticou indicadores de segurança pública, privatizações e políticas voltadas aos municípios durante a atual gestão estadual.
Márcio França critica governo estadual
Márcio França direcionou suas críticas ao governador Tarcísio de Freitas.
O candidato a vice-governador afirmou que São Paulo perdeu capacidade de liderança nacional, criticou a condução das privatizações e acusou o governo estadual de manter pouco diálogo com prefeitos, vereadores e parlamentares.
França também defendeu maior participação feminina na política, destacando que a chapa reúne dois homens e duas mulheres nas principais candidaturas majoritárias.
Geraldo Alckmin destaca união política
O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou que a construção da aliança representa uma convergência em torno de objetivos comuns.
Ele atribuiu a Fernando Haddad papel importante na aproximação entre diferentes forças políticas e afirmou que o atual ministro da Fazenda reúne experiência administrativa para governar São Paulo.
Alckmin também criticou as privatizações realizadas no estado e defendeu investimentos em educação, infraestrutura e desenvolvimento regional.
Ataques ao governo Tarcísio marcam convenção
Ao longo de praticamente todos os discursos, as lideranças presentes fizeram críticas à administração estadual.
Entre os temas mais recorrentes estiveram:
- privatização da Sabesp;
- situação da segurança pública;
- crescimento dos feminicídios;
- educação pública;
- transporte ferroviário;
- abastecimento de água;
- crescimento da população em situação de rua;
- relação do governo estadual com prefeitos do interior.
Os oradores sustentaram que esses indicadores demonstram perda de protagonismo do estado em comparação ao desempenho econômico nacional.
Defesa da soberania ganha destaque
Outro tema recorrente foi a defesa da soberania brasileira.
Diversos discursos fizeram referências às tensões internacionais, ao uso de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos e às críticas dirigidas a setores políticos brasileiros acusados de apoiar interesses estrangeiros.
Lula afirmou que a escolha eleitoral envolverá também o modelo de inserção internacional do Brasil e a preservação da autonomia nacional.
Convenção inicia oficialmente a campanha paulista
O evento marcou o início simbólico da campanha estadual da coligação que apoia a reeleição do Presidente Lula.
Além da homologação das candidaturas, a convenção apresentou materiais audiovisuais da campanha, performances culturais e mobilizou militantes de diferentes partidos aliados.
As lideranças encerraram o encontro convocando a militância para intensificar a campanha de rua e ampliar o diálogo com eleitores indecisos, apresentando a eleição de São Paulo como estratégica para o projeto político defendido pela base governista.


