Da Redação
O presidente afirmou que a assinatura do tratado, considerado “o maior acordo comercial do mundo”, será realizada durante a Cúpula dos Líderes do Mercosul, em Foz do Iguaçu, enquanto o Brasil exerce a presidência do bloco, marcado para 20 de dezembro de 2025.
O presidente declarou que espera assinar no dia 20 de dezembro o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, durante a Cúpula de Chefes de Estado do bloco sul-americano, prevista para ocorrer em Foz do Iguaçu. Segundo ele, as partes envolvidas estariam prontas para concluir o que descreveu como “o maior acordo comercial do mundo”.
O tratado vem sendo negociado há mais de duas décadas e é considerado um dos mais complexos já discutidos pelo Mercosul. Ele abrange temas como redução tarifária, compras governamentais, serviços, investimentos, padrões regulatórios e cláusulas ambientais. A perspectiva de assinatura marca uma virada na política externa brasileira, com foco na ampliação de mercados, na diversificação de parcerias e no reposicionamento do país em cadeias globais de valor.
O presidente afirmou que pretende restringir sua agenda internacional até a data da cúpula, indicando que sua atenção estará voltada predominantemente à conclusão do acordo. A assinatura durante a presidência rotativa do Mercosul reforçaria o protagonismo diplomático do Brasil no processo.
A possibilidade de fechamento do tratado ocorre em meio a controvérsias internas tanto na América do Sul quanto na Europa. No lado europeu, agricultores, ambientalistas e parte do parlamento manifestam resistência ao texto, citando riscos de concorrência desleal e preocupações ambientais relacionadas à produção agrícola em países do Mercosul. Já no bloco sul-americano, setores industriais temem perda de competitividade diante de produtos europeus de alto valor agregado.
Apesar disso, as negociações avançaram com concessões mútuas e ajustes no capítulo ambiental, no cronograma de liberalização e em mecanismos de monitoramento. A diplomacia de ambos os lados tem buscado apresentar o pacto como oportunidade para modernização produtiva, fortalecimento de investimentos e ampliação de fluxos comerciais.
Analistas avaliam que, se confirmado, o acordo representará um marco geopolítico importante para as duas regiões em um momento de tensão global nas cadeias de suprimentos. No cenário internacional atual, com disputas entre grandes potências e realinhamentos estratégicos, a parceria entre Mercosul e União Europeia é vista como tentativa de reequilibrar influências e criar novas zonas de cooperação econômica.
O encontro de Foz do Iguaçu, portanto, deverá ser decisivo. Caso as divergências remanescentes sejam superadas, o tratado poderá redesenhar a inserção do Mercosul no comércio mundial e reforçar a capacidade do bloco de atuar como ator relevante no sistema internacional.


