Lula sanciona lei que cria Rota Turística da Fé no Ceará

Da Redação

O Presidente Lula sancionou a lei que cria oficialmente a Rota Turística da Fé no Ceará, reunindo 13 municípios do estado em um roteiro voltado ao turismo religioso, histórico, cultural e de aventura. A nova legislação reconhece destinos de forte devoção popular e abre caminho para apoio de programas federais de estruturação, promoção e fortalecimento da atividade turística.

A Lei nº 15.445 foi sancionada na segunda-feira (29) e também recebeu assinatura do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. A medida busca impulsionar a economia local a partir de santuários, igrejas, romarias, estátuas religiosas e festas tradicionais que já atraem visitantes de diferentes regiões do país.

A rota inclui municípios do Cariri, Sertão Central, Vale do Jaguaribe, Maciço de Baturité, Região Metropolitana de Fortaleza e da capital cearense, conectando patrimônios de fé que possuem grande peso simbólico para a população do estado.

Treze municípios integram a rota

Fazem parte da Rota Turística da Fé os municípios de Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Nova Olinda, Santana do Cariri, Campos Sales, Russas, Quixadá, Canindé, Redenção, Baturité, Caucaia e Fortaleza.

Entre os atrativos reconhecidos estão a Estátua do Padre Cícero e as romarias de Juazeiro do Norte; a Estátua de Nossa Senhora de Fátima, no Crato; a Estátua de Santo Antônio e a Festa do Pau da Bandeira, em Barbalha; a peregrinação da Menina Benigna, em Nova Olinda; e o complexo turístico da Estátua da Menina Benigna, em Santana do Cariri.

A lei também inclui o Mirante de Nossa Senhora da Penha, em Campos Sales; a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Russas; o Santuário Mariano de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, em Quixadá; a Estátua de São Francisco das Chagas, em Canindé; o Alto de Santa Rita e a Igreja Matriz da Imaculada Conceição, em Redenção; o Mosteiro dos Jesuítas, em Baturité; o Complexo Turístico de Santa Edwiges, em Caucaia; além do Santuário de Fátima, do Seminário da Prainha e da Catedral da Sé, em Fortaleza.

Turismo religioso movimenta economia local

A criação da rota busca transformar em política pública um fluxo turístico que já existe há décadas no Ceará. Romarias, festas religiosas e peregrinações movimentam hotéis, pousadas, restaurantes, transporte, comércio popular, artesanato, guias turísticos e trabalhadores informais.

Juazeiro do Norte é o exemplo mais conhecido. As romarias ligadas à devoção ao Padre Cícero atraem multidões todos os anos e fazem do Cariri um dos principais polos de turismo religioso do Brasil. Canindé, com a devoção a São Francisco das Chagas, também recebe romeiros de diferentes estados do Nordeste.

Com o reconhecimento federal, esses destinos passam a ter maior possibilidade de receber apoio de programas oficiais voltados à regionalização do turismo, qualificação de serviços, divulgação dos roteiros e melhoria da infraestrutura de visitação.

Fé, cultura e desenvolvimento

A Rota Turística da Fé não se limita aos espaços religiosos. A proposta também reconhece a relação entre devoção popular, memória, cultura regional e desenvolvimento econômico.

No Ceará, a religiosidade popular está ligada à formação de comunidades, à circulação de romeiros, à produção artesanal, às festas de padroeiros, às cozinhas tradicionais e à ocupação de espaços públicos em diferentes regiões do estado.

Ao reunir esses destinos em um roteiro oficial, a lei busca ampliar a permanência dos visitantes, distribuir melhor os benefícios econômicos entre os municípios e fortalecer atividades locais que dependem diretamente do fluxo turístico.

Desafio é estruturar os destinos

A sanção da lei cria uma base institucional, mas o impacto prático dependerá da capacidade de estruturar os municípios para receber visitantes com segurança, acessibilidade e qualidade.

Entre os principais desafios estão transporte, sinalização turística, preservação dos patrimônios, saneamento, ordenamento do comércio no entorno dos atrativos, qualificação de guias e fortalecimento dos pequenos negócios.

Para que a rota funcione como instrumento de desenvolvimento, será necessário articular governo federal, governo estadual, prefeituras, comunidades religiosas, setor turístico e trabalhadores locais.

A criação da Rota Turística da Fé coloca o Ceará em posição de maior visibilidade no turismo religioso nacional e reconhece oficialmente uma tradição que já faz parte da vida econômica, cultural e espiritual de milhões de cearenses.