Presidente votou na manhã deste domingo acompanhado de Alckmin, Haddad, Marina Silva, Simone Tebet e Márcio França; após deixar a seção eleitoral, afirmou que o país decide um “projeto de Brasil”, convocou eleitores com mais de 70 anos a comparecer às urnas e disse que a vontade popular deverá ser acatada
Da Redação | Atitude Popular
Luiz Inácio Lula da Silva voltou na manhã deste domingo, 4 de outubro, a um lugar profundamente ligado à sua própria trajetória para votar numa das eleições mais disputadas de sua carreira política. O presidente e candidato à reeleição compareceu à Escola Estadual Dr. João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde foi recebido por apoiadores, jornalistas e dirigentes políticos. Depois de registrar seu voto, Lula deixou a seção eleitoral afirmando estar confiante no resultado e dizendo acreditar que vencerá a eleição.
O presidente chegou acompanhado de algumas das principais lideranças de sua aliança política. Estavam com ele o vice-presidente Geraldo Alckmin, candidato novamente à Vice-Presidência; Fernando Haddad e Márcio França, que disputam o governo paulista; e Marina Silva e Simone Tebet, candidatas ao Senado por São Paulo. A presença conjunta do grupo transformou a votação numa última imagem pública da coligação construída em torno da candidatura presidencial antes do fechamento das urnas.
Lula falou com jornalistas depois de votar e definiu este domingo como um momento de decisão sobre os rumos políticos do país. “Hoje é um dia glorioso para o Brasil”, afirmou. Em seguida, disse acreditar que os brasileiros estão decidindo “uma nova página da história desse país” e que o centro da disputa é a escolha de um projeto nacional.
Ao apresentar sua própria interpretação da eleição, Lula voltou à linguagem utilizada durante os últimos atos de campanha. Segundo o presidente, os eleitores estão diante de escolhas que contrapõem democracia e barbárie, desenvolvimento e atraso, além de visões diferentes sobre ciência, economia e papel do Estado. Trata-se do enquadramento político adotado por sua campanha para caracterizar a disputa; seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, apresentou ao longo da campanha uma interpretação diferente sobre os problemas do país e as alternativas eleitorais.
A declaração mais institucional de Lula veio quando falou sobre o resultado. O presidente afirmou que a soberania pertence ao eleitor e disse que a decisão produzida pelas urnas deverá ser respeitada. “O povo é soberano”, declarou, acrescentando que o resultado deverá ser acatado pelos brasileiros.
Logo depois, reafirmou sua confiança pessoal na reeleição. Lula disse considerar positiva tanto a avaliação do governo quanto o trabalho realizado durante a campanha e afirmou acreditar que sua candidatura construiu presença nacional suficiente para vencer. A declaração representa a expectativa manifestada pelo próprio candidato e não uma indicação do resultado da votação, que somente será conhecido após a totalização oficial da Justiça Eleitoral.
A distinção é especialmente importante neste domingo porque as últimas pesquisas mostraram uma disputa presidencial apertada. Diferentes levantamentos apresentaram números distintos na reta final, e alguns registraram Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados dentro das respectivas margens de erro. Com as urnas abertas, as pesquisas deixam de ser o principal instrumento para observar a disputa: a resposta efetiva começará a aparecer apenas com a totalização dos votos.
São Bernardo e a trajetória política de Lula
A escolha de São Bernardo do Campo como local de votação possui uma dimensão biográfica evidente. Foi no ABC Paulista que Lula construiu sua trajetória sindical e ganhou projeção nacional durante as grandes greves operárias do final dos anos 1970 e início dos anos 1980. A região está ligada à formação do PT, à reorganização do movimento sindical durante a ditadura militar e ao início da carreira política do atual presidente.
Décadas depois, Lula continua retornando a São Bernardo nos dias de eleição. A cena deste domingo reuniu, portanto, elementos de diferentes momentos de sua história: o antigo dirigente sindical do ABC, o fundador do Partido dos Trabalhadores e o presidente da República que busca permanecer no Palácio do Planalto por mais quatro anos.
A presença de Haddad ao seu lado também carregava importância eleitoral própria. Enquanto Lula disputa a Presidência, o ex-ministro concorre ao governo do maior colégio eleitoral brasileiro. Marina Silva e Simone Tebet disputam as duas vagas paulistas ao Senado, e Márcio França integra a chapa estadual como candidato a vice-governador. A fotografia da manhã reuniu, assim, praticamente toda a composição majoritária apoiada pelo presidente em São Paulo.
Depois de uma campanha nacional marcada por viagens, entrevistas, comícios e disputas nas redes sociais, Lula chegou ao dia da eleição mantendo o mesmo argumento político apresentado no encerramento da campanha no sábado. Durante a caminhada realizada entre a região da Avenida Paulista e a Praça Roosevelt, o presidente já havia descrito a eleição como uma escolha entre projetos diferentes para o país e pedido ampla participação dos eleitores.
Neste domingo, repetiu parte dessa mensagem depois de votar.
Um apelo especial aos eleitores com mais de 70 anos
Lula também voltou a fazer um pedido direcionado aos brasileiros com mais de 70 anos. Pela legislação brasileira, o voto é facultativo para essa faixa etária, mas o presidente afirmou que gostaria de vê-la participando da eleição.
O argumento apresentado por Lula foi geracional. Segundo ele, o eleitor não deveria considerar apenas sua situação individual, mas também aquilo que deseja para filhos, netos e para as gerações futuras. O presidente já havia feito apelo semelhante no encerramento de sua campanha em São Paulo no sábado.
A convocação ocorre num dia em que milhões de brasileiros estão escolhendo não apenas presidente. Também estão em disputa governos estaduais, duas vagas ao Senado em cada unidade da Federação, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas estaduais, além da Câmara Legislativa no Distrito Federal.
A dimensão dessa escolha ajuda a explicar por que as campanhas continuam tentando mobilizar seus eleitores até os limites permitidos pela legislação, mesmo depois do encerramento formal da propaganda eleitoral. No domingo de votação, entretanto, existem restrições específicas para impedir boca de urna e outras formas de propaganda irregular.
É justamente nesse contexto que uma fala de Lula após a votação chamou atenção adicional. Ao conversar com jornalistas, o presidente mencionou o número eleitoral de sua candidatura. O episódio passou a ser discutido porque a legislação proíbe determinadas formas de propaganda e pedido de voto no dia da eleição. Eventual avaliação jurídica da declaração cabe às autoridades eleitorais competentes, e a simples ocorrência da fala não permite antecipar qualquer conclusão sobre possível infração.
Das pesquisas para as urnas
Lula também procurou diminuir a importância das pesquisas eleitorais divulgadas até a véspera. Disse que, diante da votação deste domingo, a pesquisa que efetivamente importa é aquela realizada pelos próprios eleitores nas urnas.
A frase traduz uma mudança concreta no calendário eleitoral. Durante meses, cada levantamento ajudou campanhas a medir forças, redefinir estratégias e disputar narrativas. Neste domingo, esse ciclo terminou. Nenhum instituto determinará o vencedor. O resultado dependerá dos votos efetivamente registrados e totalizados pela Justiça Eleitoral.
A cautela é necessária sobretudo porque os últimos levantamentos mostraram uma corrida competitiva. A confiança manifestada por Lula faz parte do discurso do candidato no dia da eleição; somente a apuração permitirá saber se essa expectativa será confirmada.
Depois de votar, o presidente permanecerá em São Paulo para acompanhar a evolução do primeiro turno. Ao longo da tarde, seus aliados também concluirão suas votações e as campanhas se prepararão para o início da totalização.
Do outro lado da disputa presidencial, Flávio Bolsonaro votou nesta manhã no Rio de Janeiro e também falou com jornalistas. O candidato do PL deverá seguir para Brasília, onde pretende acompanhar a apuração. Com os dois principais candidatos já tendo registrado seus votos, a decisão passa definitivamente para os eleitores.
Foi justamente esse princípio que Lula escolheu destacar ao sair da seção eleitoral em São Bernardo.
Depois de meses falando ao país como presidente e candidato, neste domingo ele foi à urna como eleitor. Saiu dela afirmando acreditar na vitória, mas também reconhecendo aquilo que agora se sobrepõe à expectativa de qualquer campanha: a decisão será dada pela votação.
As urnas permanecem abertas até as 17 horas.
Até lá, milhões de brasileiros ainda passarão pelas cabines de votação em todo o país.
Lula já fez sua escolha.
Flávio Bolsonaro também.
Agora são os eleitores que escrevem o resultado.





