Da Redação
Pesquisa recente revela que 50% dos brasileiros rejeitam a ideia de ajuda direta norte-americana no combate ao crime organizado nacional, enquanto 45% concordam. O resultado acende debate sobre soberania, dependência externa e a visão da segurança pública no Brasil.
O resultado da pesquisa
Um novo levantamento da Quaest/Genial Investimentos, realizado entre 6 e 9 de novembro de 2025, apontou que metade dos brasileiros é contra a intervenção direta dos Estados Unidos no combate ao crime organizado nacional. Segundo o estudo, 50% dos entrevistados rejeitam a medida, 45% a apoiam e 5% não souberam responder.
A pesquisa, realizada em todas as regiões do país, mostra que o sentimento de defesa da soberania nacional continua sendo forte entre os brasileiros — mesmo diante da escalada da violência e da insegurança pública.
Outro dado do mesmo estudo indica que 73% dos brasileiros concordam que facções criminosas sejam enquadradas como organizações terroristas, revelando o desejo por respostas mais duras à criminalidade, mas sem abrir mão da autonomia do Estado brasileiro.
A tensão entre segurança e soberania
O contraste entre esses números mostra um dilema clássico: a população exige firmeza no combate ao crime, mas rejeita a ideia de dependência estrangeira.
A intervenção externa, principalmente dos Estados Unidos, é vista por muitos como uma ameaça à soberania nacional e à autonomia das instituições brasileiras.
A memória histórica das interferências norte-americanas na América Latina — golpes, ditaduras, intervenções econômicas e políticas — continua viva no imaginário coletivo. Essa herança alimenta desconfiança e faz com que qualquer tentativa de envolvimento direto dos EUA em assuntos internos, especialmente na área de segurança, desperte resistência imediata.
Por que os brasileiros rejeitam a intervenção
Entre os fatores que ajudam a explicar o resultado da pesquisa, destacam-se:
- Orgulho nacional e senso de soberania: os brasileiros demonstram que não aceitam subordinação de sua política interna a interesses externos.
- Histórico de intervenções na América Latina: as ações passadas dos EUA continuam a influenciar a percepção de risco de manipulação política.
- Desconfiança na “ajuda internacional”: há receio de que o envolvimento estrangeiro traga mais vigilância e controle do que benefícios concretos.
- Crítica ao modelo americano de segurança: políticas como a “guerra às drogas” e o encarceramento em massa são vistas como fracassadas e violentas.
Esses elementos indicam que o povo brasileiro deseja segurança e eficiência no combate ao crime, mas com meios próprios, democráticos e soberanos.
As implicações políticas e diplomáticas
O resultado da pesquisa cria um desafio direto para o governo federal: equilibrar cooperação internacional e independência nacional.
Embora parcerias técnicas, tecnológicas e de inteligência possam ser benéficas, qualquer sinal de subordinação ou presença direta estrangeira é amplamente rejeitado pela sociedade.
Diplomaticamente, o dado reforça a necessidade de o Brasil seguir defendendo uma política externa altiva e ativa — postura que marcou os governos progressistas das últimas décadas e consolidou o país como ator autônomo no cenário global.
A recusa à interferência estrangeira também fortalece o argumento de que as soluções para o crime e a violência precisam nascer dentro do próprio Brasil, com fortalecimento das polícias, das instituições judiciais e das políticas sociais.
Cooperação sim, tutela não
É importante distinguir “intervenção” de “cooperação”. O Brasil pode — e deve — cooperar internacionalmente no enfrentamento ao tráfico de armas, drogas e crimes transnacionais.
Mas essa cooperação precisa ocorrer em pé de igualdade, com transparência, sem tutela e sem que estrangeiros assumam funções operacionais no território nacional.
A população deixa claro, por meio dos números, que segurança é questão de soberania.
Aceitar o apoio técnico é uma coisa; permitir a presença e a influência política de outro Estado, especialmente de uma potência hegemônica, é outra completamente diferente.
O que isso diz sobre o Brasil de 2025
O Brasil vive um momento em que a luta contra o crime organizado se tornou central, mas o país também enfrenta pressões externas e tentativas de enquadramento geopolítico — principalmente por parte dos Estados Unidos, que veem a América Latina como área de influência.
A pesquisa da Quaest mostra que os brasileiros não estão dispostos a trocar autonomia por promessas de segurança. O recado é claro: o combate ao crime deve ser nacional, e a soberania não está à venda.
4 – Conclusão
Os dados da pesquisa refletem a maturidade política da sociedade brasileira, que reconhece a gravidade da crise da segurança pública, mas rejeita a ideia de submissão a interesses estrangeiros.
O Brasil quer parcerias, não tutores; quer tecnologia, não interferência; quer respeito, não imposição.
O recado do povo é inequívoco: a segurança do Brasil é assunto do Brasil.


