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“Mimimi” da fraqueza: Michelle diz temer não ter quem cuide dela como cuida de Bolsonaro

Da Redação

Ex-primeira-dama relata desgaste físico e emocional ao cuidar do ex-presidente durante prisão domiciliar e recuperação médica

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro transformou a rotina doméstica ao lado de Jair Bolsonaro em mais um capítulo da dramaturgia política construída pelo bolsonarismo em torno da figura do ex-presidente. Em publicação divulgada nesta quarta-feira, Michelle relatou o desgaste de cuidar pessoalmente do marido e afirmou temer que, no futuro, talvez não tenha “um companheiro” que cuide dela da mesma maneira.

O relato veio após mais um período de recuperação médica de Bolsonaro, submetido recentemente a nova cirurgia decorrente das sequelas acumuladas desde o atentado sofrido em 2018. Michelle descreveu tarefas cotidianas como dar banho, acompanhar medicamentos e ajudar nos curativos, apresentando o cuidado doméstico como prova de amor, fé e resistência.

“Talvez eu não tenha ao meu lado um companheiro que um dia cuide de mim”, escreveu a ex-primeira-dama em um dos trechos que mais repercutiram entre apoiadores bolsonaristas e críticos do casal.

A fala rapidamente ganhou forte circulação nas redes sociais, inclusive entre antigos aliados do ex-presidente, que ironizaram o tom melodramático da publicação. Parte das críticas apontou contradição entre a retórica agressiva historicamente adotada pelo bolsonarismo contra demonstrações públicas de fragilidade e o discurso atual centrado na vulnerabilidade física e emocional da família Bolsonaro.

Durante anos, Bolsonaro e seus apoiadores popularizaram o uso da palavra “mimimi” como forma de ridicularizar denúncias de violência, sofrimento social, desigualdade e reivindicações de minorias. Agora, críticos observam que o mesmo grupo político investe continuamente em imagens hospitalares, relatos íntimos e discursos de martírio como instrumento de mobilização emocional.

O ex-presidente cumpre prisão domiciliar enquanto responde a processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Desde então, o núcleo bolsonarista intensificou a construção de uma narrativa baseada em perseguição política, sofrimento físico e resistência religiosa.

Michelle, que já ocupa posição central no PL e é tratada como possível herdeira eleitoral do bolsonarismo, aparece cada vez mais como protagonista dessa comunicação. O relato divulgado nesta semana reforça essa estratégia ao deslocar o debate político para a esfera íntima, religiosa e familiar.

A transformação da rotina médica de Bolsonaro em espetáculo público também revela um contraste que adversários exploram com frequência: o mesmo campo político que desqualificava demonstrações de dor alheia agora reivindica empatia diante do sofrimento de seu principal líder.

Enquanto isso, o bolsonarismo segue tentando converter cada internação, limitação física ou imagem hospitalar do ex-presidente em combustível político para manter mobilizada sua base social.