Da Redação
Programa estadual de preparação para o Enem impulsiona crescimento de 13% nas aprovações e reforça papel da escola pública no acesso à universidade
O Ceará voltou a registrar um avanço expressivo no acesso ao ensino superior por estudantes da rede pública estadual. Dados divulgados nesta quarta-feira (6), durante o lançamento da nova edição do programa “Enem: Chego Junto, Chego Bem”, apontam que 27.690 alunos conquistaram vagas em universidades públicas e privadas em 2025. O número representa crescimento de 13% em relação ao ano anterior e consolida uma trajetória contínua de ampliação do ingresso universitário no estado.
As informações foram apresentadas pelo governador Elmano de Freitas durante evento realizado na Estação das Artes, em Fortaleza. Segundo o governo estadual, a meta é alcançar 100 mil estudantes da rede pública no ensino superior entre 2023 e 2026.
O crescimento nas aprovações ocorre em meio a uma política educacional que combina expansão das escolas de tempo integral, acompanhamento pedagógico e programas específicos voltados ao Exame Nacional do Ensino Médio. O “Enem: Chego Junto, Chego Bem”, criado há 15 anos, passou a atuar também no suporte psicológico, burocrático e financeiro aos estudantes, acompanhando desde a inscrição até o ingresso na universidade.
Durante o anúncio, Elmano afirmou que o resultado é fruto de um trabalho coletivo entre Estado, municípios e profissionais da educação. O governador também destacou o contraste entre a realidade atual e o passado recente do ensino público no Ceará, quando o acesso universitário era exceção para estudantes de escolas estaduais.
Os números revelam ainda a centralidade das políticas públicas educacionais no Ceará nas últimas décadas. O estado mantém indicadores historicamente elevados de participação no Enem e vem consolidando uma rede de preparação que atravessa o ensino médio. Segundo a Secretaria da Educação, o trabalho de estímulo ao ingresso universitário começa já no primeiro ano da etapa escolar.
O levantamento inclui estudantes aprovados por meio do Sisu, do Prouni e do Fies. Em relação a 2024, foram mais de 3,2 mil novos ingressos no ensino superior.
O avanço educacional também produz efeitos sociais profundos num estado historicamente marcado pela desigualdade regional e pela concentração de oportunidades. O acesso de jovens da periferia e do interior às universidades altera dinâmicas familiares, amplia circulação de renda e cria novos horizontes para milhares de famílias trabalhadoras.
Apesar do recorde, especialistas apontam que o desafio seguinte é garantir que esses estudantes permaneçam nos cursos até a conclusão da graduação. Custos de transporte, alimentação, moradia e acesso digital ainda seguem como obstáculos importantes para muitos jovens cearenses, especialmente aqueles que precisam migrar do interior para grandes centros universitários.
Mesmo assim, os dados reforçam um movimento raro no cenário brasileiro recente: a ampliação consistente da presença de alunos da escola pública no ensino superior em um contexto nacional de pressão orçamentária sobre universidades federais. No Ceará, a educação segue sendo tratada como política estratégica de longo prazo.












