Ministro da Saúde do Brasil pede que população não beba detergente. Você não leu errado

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, precisou fazer um alerta público que parece saído de uma distopia sanitária: “não bebam detergente”. A declaração foi dada nesta segunda-feira (11), em Brasília, durante o lançamento de dois editais voltados à ampliação da conectividade em regiões vulneráveis do país, iniciativa conduzida pelos ministérios das Comunicações e da Saúde com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).

O evento tinha como objetivo anunciar medidas para conectar até 3,8 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) e ampliar o acesso à internet para cerca de 2,5 milhões de brasileiros. Mas a coletiva acabou atravessada pela repercussão de uma onda de vídeos publicados por políticos e influenciadores alinhados à extrema direita, que passaram a ingerir detergente diante das câmeras para atacar uma decisão técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Primeiro não bebam, não bebam detergente, não bebam de qualquer produto de qualquer marca, muito menos sair fazendo videozinho sobre isso. Isso é uma desinformação para a população, colocando em risco a vida das pessoas”, afirmou Padilha.

O ministro também criticou a tentativa de transformar uma medida sanitária em disputa política.

“Anvisa tem lado, apenas o lado da saúde das famílias”, declarou. Segundo ele, houve uma “enxurrada de vídeos irresponsáveis” tentando desqualificar uma decisão técnica baseada em precaução sanitária.

A crise começou na última quinta-feira (7), quando a Anvisa publicou a Resolução nº 1.834/2026 determinando a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes com numeração final 1. A agência informou que uma avaliação técnica identificou irregularidades em etapas críticas do processo produtivo.

Na sexta-feira (9), os produtos voltaram a ser liberados após recurso apresentado pela empresa. Mesmo assim, a recomendação oficial para que consumidores evitem o uso dos itens afetados segue válida até a conclusão do recolhimento dos lotes.

Foi nesse intervalo que setores da direita transformaram a crise sanitária em performance política. Vídeos de pessoas ingerindo detergente circularam nas redes sociais como forma de atacar a Anvisa e insinuar perseguição ideológica contra a empresa.

O episódio produz uma cena difícil de imaginar fora do Brasil pós-pandemia: um ministro da Saúde precisando pedir publicamente que adultos não bebam produtos de limpeza para defender uma posição política nas redes sociais.

Padilha também orientou que os consumidores mantenham os produtos interditados guardados em local seguro até que o recolhimento oficial seja concluído pela empresa responsável.

Outro elemento que atravessou a repercussão do caso foi o fato de que o diretor da Anvisa responsável pela área técnica que recomendou a suspensão, Daniel Meirelles, foi indicado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O dado desmonta parte da narrativa disseminada nas redes por apoiadores bolsonaristas, que tentaram apresentar a medida como perseguição política conduzida pelo atual governo.

A fala do ministro ocorre em meio ao crescimento da circulação de conteúdos de desinformação sanitária nas redes sociais brasileiras, fenômeno que ganhou força durante a pandemia de Covid-19 e que volta a aparecer agora associado à tentativa de desacreditar órgãos técnicos do Estado.

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